UM SONETO PARA AGRADECER A TODAS AS PALAVRAS NUNCA DITAS


 




(Em decassílabo heróico)


 


Lá ficam mil palavras por nascer


Neste vê-se-te-avias de uma vida


Onde morre a palavra preterida


Por outra que não quer retroceder,


 


E quem nelas se enreda até morrer,


Quem delas faz preâmbulo e partida,


Agradece à palavra já rendida


As muitas que ela acaba de acolher;


 


Pr`a todas as palavras nunca ditas


Porque outras mais propícias, mais bonitas,


Vieram preencher quanto diriam,


 


Aqui deixo as que agora foram escritas


Pois todas elas devem ser benditas


Quanto à nobre função que exerceriam…


 


 


Maria João Brito de Sousa – 07.06.2014 – 16.18h


 


Imagem - Massacre da Coreia, 1951 - Pablo Picasso

Comentários

  1. “Túneis da mente”

    São os túneis da mente
    Janelas para o universo
    A perspectiva diferente
    Deste infinito disperso

    Onde habita indiferente
    Todo o mal e o seu inverso
    Assumindo rosto de gente
    Pois na gente está impresso

    Corre na veias a pulsar
    Esse impulso natural
    Que não mais terá fim

    Nem há forma de o mudar
    Pois p’ró bem e p’ró mal
    Nós fomos feitos assim.

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    Respostas
    1. Dos túneis, não sei que diga,
      Nem sei bem se túneis são...
      Sei que um verso me fatiga
      Se falhar na construção

      Porquanto um poema obriga
      A grande concentração
      E, assim que surge a fadiga,
      Vai-se embora a produção...

      Dum compasso musical
      Que nunca pode falhar
      Surge a mensagem final

      Do que entendamos falar
      Pois, de um modo natural,
      Dizê-lo é tal qual cantar...


      Maria João

      Aqui vai, Poeta, com o abraço do costume!





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  2. “L’arc du triomphe”

    À trois c’est le ménage
    Lorsque que l’heure arrive
    À chaque un son visage
    Il y a des choses terribles

    Qui nous arrive souvent
    Sans y penser beaucoup
    Mais si passe l’instant
    Ils nous appelle de fous

    Comme dans la politique
    Il faut profiter l’ occasion
    Pour y mettre la main

    Les millions ils signifient
    Profiter de la situation
    Qui ne reviendra demain.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
  3. perturbantes as palavras nunca ditas - e trágicas as palavras proscritas...

    belo. teu soneto

    abraço

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  4. A PULGA E O LEÂO

    Estando, eu, a cotejar
    Um escultor e um artesão,
    Alguém quis fazer notar
    Que eu queria comparar
    Uma pulga com um leão,
    O que me fez ponderar,
    De tal sentença, a razão.
    Não sei se por discordar…
    Mas, também, p´ra poder dar
    A devida atenção
    A outra forma de pensar.
    Concluí que o escultor
    Podia ser remendão
    E, ao contrário, o artesão
    Fazer obra de valor.

    Quanto à pulga saltitante
    E ao leão muito importante,
    A pulga pica o leão,
    Mas o contrário… isso, não!

    Eduardo

    ResponderEliminar
  5. Respostas
    1. Não vi nada, não saí, nem vou conseguir sair hoje... vou ver o chá, Poeta!

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  6. “Nuvens no horizonte”

    Portugal um paraíso
    De Camões e de fadistas
    Seu mar é o improviso
    Até possui futebolistas

    Alguns são bons de bola
    Outros da bola não são
    Saem animais da cartola
    Pura magia e sedução

    Nação de sol e de mar
    Um jardim na natureza
    Legado maior na terra

    Nosso e de quem o visitar
    Não lhe cobiço a pobreza
    Nem o futuro que emperra.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tão "empenado" futuro
      Nunca fora imaginado...
      Nunca mais acaba o "furo"
      E anda tudo endividado

      Como se houvesse "esconjuro"
      Que houvesse amaldiçoado
      Um nobre povo que, impuro,
      Devesse ficar "lixado"...

      Há tanta nuvem no céu
      Que um guarda-chuva, partido,
      Pouco pode contra o breu...

      Mas nem tudo está perdido
      E um povo nunca foi réu
      Pois também não foi "bandido"...

      Maria João

      Vai coxíssimo, mas vai com o abraço do costume!


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  7. “Manhã cinzenta”

    Já não existo nem sou
    Deste mundo sem lei
    Para outro mundo vou
    Qual será ainda não sei

    Os moinhos são dragões
    Suas velas cospem fogo
    Vou viver de ilusões
    Nesse outro mundo novo

    Adamastor é o anfitrião
    Pr’afundar a embarcação
    Vai lançar uma tormenta

    Esta é uma manhã cinzenta
    Desassossego não é solução
    Outros mundos também não.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Neste mundo que é tão belo,
      Esteja o céu da cor que esteja,
      Qualquer versinho singelo
      Traz doçura de cereja

      E até o Sol que, amarelo,
      Brilha como quem festeja
      Sobre cabana ou castelo,
      Mo diz como quer que seja...

      Por isso afirmo e repito
      Que, às vezes, fico chorando
      Por ver país tão bonito

      Que já muitos vão deixando,
      Tão esmagado, tão aflito
      Sob a mão de outro comando...


      Maria João


      Obrigada, Poeta! Forte abraço!



      .





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