A VELHA MORADIA DO DAFUNDO
(Soneto em decassílabo heróico)
Daquela antiga casa que sabia
Todos os tempos do meu verbo Amar
Como secreto templo que se abria
De cada vez que a fosse visitar,
Olhava um areal que se estendia
Da orla ribeirinha até ao mar
Que rescendia a sonho e maresia
Em cada avo de sonho por explorar…
Talvez morasse Deus na antiga casa,
Ou talvez fosse, eu mesma, um deus menino
Que ali quis construir seu próprio mundo,
Pois despontava-me uma ou outra asa
Na casa que era mais que o que eu defino
Por velha moradia do Dafundo…
Maria João Brito de Sousa – 19.07.2014 – 17.04h
NOTA – Reformulado a partir do soneto original de 31.07.2010
Reminiscências talvez da infância fazem esse soneto. Só o autor pode esmiuçar seus sentimentos passados para o poema. Quem ou o que seria Dafundo? Pela poesia a alma fala!
ResponderEliminarADÍLIO BELMONTE
Belém-PARÁ-BRASIL
São mesmo reminiscências de infância, Adílio
EliminarNão sou uma pessoa saudosista, mas esta casa centenária ergue-se ainda, orgulhosamente, em plena Marginal, como se as décadas não tivessem passado por ela... depois... depois foi nela, bem como na casa da Rua Luís de Camões, que eu cresci. Foi a essas duas casas que fui buscar conforto e consolo para as pequenas/grandes "tragédias de infância", bem como o espaço para as minhas gargalhadas, as minhas pinturas e os meus poemas. Gosto muito de ainda a poder e saber cantar!
O meu fraterno abraço!
Desculpe, Adílio! Quase me esquecia de lhe dizer que o Dafundo é uma localidade situada entre Algés e Cruz Quebrada. A casa fica muito próxima do Aquário Vasco da Gama!
EliminarChá vive.
ResponderEliminarO Chá vive, mas o meu computador já está com "respiração assistida"... vou ver se lá chego, Poeta!
Eliminar"Ideário de morte"
ResponderEliminarPelos senhores da terra
Que tanto apelam à paz
Matilha treinada é capaz
De promover sua guerra
Mentira fala mais alto
Qu'a verdade proclamada
Ver a vida esquartejada
Não constitui sobressalto
É apenas menu diário
Servido sem preconceitos
Ignorado pelos demais
Meros processos letais
Outros irmãos desfeitos
Faz parte dum ideário.
Ideário de sobrevivência
EliminarFaz parte de um ideário
Que tem de ser derrubado
Pelo povo proletário
Que se não rende a tal fado!
Imperialismo falsário,
Tem de ser desmascarado
Pois nos leva pr`ó calvário
Só pr`a sentir-se adorado!
Oprimido, o povo tem
O direito à resistência
E a defender-se também,
Se, ao lutar pela existência,
Tiver de matar alguém...
Fá-lo por sobrevivência!
M. João
Com o meu abraço de sempre, Poeta!
Chá distante.
ResponderEliminarVou ver se lá consigo chegar... e falo muito literalmente porque esta neurótica desta ligação está a cair de minuto a minuto...
Eliminar"Infinito"
ResponderEliminarEnquanto respirar
Procuro o infinito
Imagino-o descrito
Nunca lá irei chegar
Se o tempo terminar
Já nada será finito
Algo eterno, eu admito
Nós iremos encontrar
Por certo encontraremos
Toda a paz imaginada
P'la próxima humanidade
Evocando a fraternidade
Já não nos faltará nada
Sem complexos cantaremos.
Com infinitas dificuldades físicas e reais...
EliminarRespondo quase sem ver,
Mas com tal boa vontade
Que os dois olhitos a arder
São fraca dificuldade
E embora com muito custo
Mais a lupa pr`ajudar,
Sei que não seria justo
Nem sequer resposta dar...
São, porém, quase infinitos
Estes "muros" que me impõem
Dificuldades, atritos
E uns olhos que tanto doem
Pois não estão nada bonitos,
Nada de jeito constroem...
Maria João
Se arranjar boleia, vou hoje tratar de procurar nova jangada virtual... novos olhos é que não consigo, rsrsrs...
Abraço, Poeta!
Chá deserto.
ResponderEliminarPoeta, não estou bem. Penso que seja uma ceratoconjuntivite, mas terei de ser vista por um médico... quanto à ligação, não me deixa ficar online mais do que uns segundos... apenas posso prometer tentar ir ver o chá...
Eliminar"Garantias"
ResponderEliminarA protecção vou pedir
Contra um certo credor
Assim já me posso rir
E alivia-me esta dôr
Dôr de burro cinzento
Passa a ser mais rosada
Vou gozar o momento
Com a reforma dourada
Pelo serviço exemplar
Nas funções exercidas
Agora tenho que abalar
Pois não estão esquecidas
As mil formas de enganar
Que ao credor foram vendidas.
Prof Eta
"Implosão"
ResponderEliminarEste mundo em implosão
Destrói a vida humana
Pode ser a mente insana
Que causa a destruição
O motivo não engana
Basta ver com atenção
Tod'os dias ao serão
Das nossas TV's emana
Cenário em construcção
Se não se fala da paz
Se a guerra é oferecida
Tudo leva à conclusão
Ser humano tudo faz
P'ra destruir a própria vida.
EliminarSei dizer-lhe que navego
Numa pen tão gastadora
Que me faz pô-la no prego
Se não desligar agora...
Mas é grande a tentação
De vir responder-lhe aqui
E é por isso que aqui vão
Estes versitos, pr`a si;
Muitos lutam pela paz,
Mas outros, pelo dinheiro,
Toda a vida farão guerra...
... assim, ninguém é capaz
De a parar a tempo inteiro
E ela reina em toda a Terra...
Maria João
Com o meu abraço, Poeta! A net partilhada está completamente indisponível, mal posso reflectir sobre o que escrevo...
Chá sem pé.
ResponderEliminarVou ver esse chá sem pé, Poeta!
EliminarMercado do chá.
ResponderEliminarAi, Poeta... tenho de fazer um exercício de concentração e tentar lembrar-me do mercado de Carcavelos, por exemplo... acho que estou a ficar alérgica à palavra mercado, no seu contexto mais actual...
Eliminar"Naufrágio"
ResponderEliminarÉ sobre espírito santo
Nossa história recente
Ainda falta saber tanto
Não se safa a nossa gente
Apanhados nesta teia
Dos ricos e poderosos
Não nos alumia a candeia
Logo chegarão destroços
Do naufrágio nacional
Nem boia de salvação
Nem uma balsa furada
Podem salvar Portugal
Triste o fim desta nação
Ao ver-se assim naufragada.
Prof Eta
Já mil vezes naufragou,
EliminarMil mais, irá naufragar
Na dor por que já passou
Nas lonjuras de outro mar,
Mas sempre que soçobrou,
Logo se ousou levantar
Porque, às forças que encontrou,
Nada as pode derrubar!
Da tormenta em que eu naufrago,
Não naufraga Portugal,
Nem se afoga o meu país...
Eu, na Barca, versos trago
E ele é muito mais real
Do que a barca que eu lhe fiz...
Maria João
Cá vai, Poeta, com o meu abraço do costume!