TRÊS SONETOS DE TRAZER POR CASA...
O ARROZ MALANDRINHO
Cebola, um grão de sal, folhas de louro,
Bem douradinhos num pouco de azeite…
Deixa a colher de pau de ser enfeite
Pr`a tornar-se, no tacho, o meu tesouro!
Depois trago o arroz, limpo e escolhido,
E vou-o alourando na mistura
(vai começando a ser uma aventura
fazer um arrozinho bem estrugido…)
Deito a água a ferver... alguns minutos,
São quanto irá bastar ao meu petisco!
Depois é só tapar, manter quentinho,
E, assim que doseados, os produtos
- muito embora correndo um certo risco -,
Servir-vos-ei arroz ... bem malandrinho!
Maria João Brito de Sousa - 2009
AS ERVILHAS COM OVOS
Hoje vou preparar umas ervilhas
Guizadas, com dois ovos bem escalfados,
Sem deixar de falar dos mil cuidados
Que aqui dedico a estas maravilhas;
Sobre aquilo a que chamo um estrugidinho,
Deito as ervilhas, logo as vou mexendo
Até que cozam bem, sempre fervendo,
Ao ponto de ficar tudo tenrinho,
Depois os ovos, sem esquecer tempero,
Pr`a que fique o pitéu mais apetente,
E rectifico, quase no final...
O único segredo está no esmero
De trazê-las pr`á mesa e servir quente,
Pedindo a Deus que vos não façam mal.
Maria João Brito de Sousa - 2009
O JOGO DE XADREZ COM O PC
Tem uma Excalibur que nunca falha!
Refaz-se essa inocência quase morta
Que tantas vezes vem bater-lhe à porta
E de si faz Cavalo de batalha…
É nos Peões, porém, que é mais fraquinha;
Nos Bispos e nas Torres, vai teimando,
Mesmo que perca - só não sabe quando - ,
Vê que, às duas por três, foi-se a Rainha...
Falta-lhe o tempo... os dias passam lestos,
Mas tudo aceita sem grandes protestos
E prossegue travando o seu combate,
Porque em tudo o que faz põe teimosia
Consciente de que nada a salvaria
Se alguém lhe arquitectasse um xeque-mate.
Maria João Brito de Sousa - 2009
Aos 25 rápidos jogos de xadrez que o 2008 me ganhou em cinco dias... e aos 380 que lhe ganhei eu, em quatro anos e meio :)
Imagens retiradas do Google
Olá Maria João, que bom saber que pensa em comida e em confeciona-la é um bom exercício e faz bem ao stress também Quando se tem inspiração até da comida se faz Poesia. E se pensarmos bem as duas coisas servem para alimentar, uma o corpo e a outra o espírito
ResponderEliminarUm grande abraço, e mais uma vez obrigado pelo tempo que tem dispensado a corrigir as minhas coisas
Foi um prazer para mim, Idalina! Eu lá vou cozinhando umas coisitas simples, mas o meu fogão está tão velho, tão velho que já só um dos bicos é que acende :)) e mal! Há um outro que acendeu até há pouco tempo, mas começou a fazer pequenas explosões e a apagar-se sozinho e eu deixei de o usar... é mais prudente.
EliminarUm grande abraço, minha amiga Idalina!
Saborosissimo !!!A que horas é o almoço????? Bacio.
ResponderEliminar:)) Ficou saboroso, não ficou? Mas confesso que sou bem melhor a "confeccionar" sonetos do que os ditos pratos... :))
EliminarBacini!
Mª. João
ResponderEliminarLindo, apetecível e bem enquadrado, nesse
final do "jogo de xadrez".
Beijos e até quarta-feira.
Mª. Luísa
Olá, minha amiga! Estive com o 2008 durante mais de ano e meio sem ter descoberto que ele tinha xadrez. Nunca tinha jogado um jogo de computador na minha vida,
Eliminarmas descobri-o, por acaso, e não resisti... olha, foi uma vergonha! Bem sei que não jogava há quase quarenta anos, mas foi xeque-mate atrás de xeque-mate, para o 2008, claro...
Um grande abraço, Maria Luísa.
Poetaporkedeusker:
ResponderEliminar... Até sonetos gastronómicos!?... Sonetos de pratos, vale a pena, porque, se já comidos os pratos, portanto alimentado o corpo, alimenta-se então o espírito. E tudo a terminar, qual sobremesa, com um joguinho de xadrez, em que a Maria João perde, ainda assim não ficando mal disposta por lhe terem sabido muito bem os pratos, isto é, os respectivos ... sonetos.
Esse seu filossonetismo não tem, deveras, fronteiras! Até mergulha ... em tachos!
E pronto, desta vez deu para brincar um pouco no comentário, ainda que eu ache que se pode poetar qualquer cena ou ocupação doméstica, pois poesia é poesia, embora estejamos mais habituados a vê-la ou a lê-la tradicionalmente aplicada a outras circunstâncias.
Um abraço.
Mírtilo
:)) É isso mesmo, Poeta Mitrtilo! A Poesia pode nascer de tudo e mais alguma coisa e eu adorei fazer estes sonetozitos gastronómicos!
EliminarJá, em tempos, tinha dedicado um a um fio de esparguete que dançava numa panela com água a ferver... de vez em quando gosto de mostrar que o decassílabo heróico também se pode usar nas coisas mais comezinhas.
Um abraço!
Olá minha amiga! Adorei as receitas em verso está simplesmente espectacular. Quanto ao xadrez...nem vou comentar (ihih). Um grande beijinho.
ResponderEliminar:)) Nem eu sei por que me dão estas maluqueiras, de vez em quando, Sindarin! Saíram tão depressa que mal dei por eles... no xadrez, estava "danada" com o 2008! Eu sei que não jogava há mais de trinta anos, mas o palerma ganhou-me tudo num abrir e fechar de olhos!
EliminarBjo GDE!
Choques com o chá.
ResponderEliminarVou ver se são meros confrontos ou aparatosas electrocussões,, Poeta
Eliminar“Emoções digitais”
ResponderEliminarAs emoções digitais
Chegam ao coração
São como as demais
Plenas de emoção
Entender os sinais
Essa é a nossa função
Desde tempos imemoriais
Suportados p'la evolução
Novas emoções surgirão
Na senda dum caminho
Ainda por desvendar
Na essência dependerão
De não caminhar sozinho
Para os sinais escutar.
Poeta, desculpe este atraso todo! Hoje foi dia de ir ao médico e, quando cheguei, vinha tão estafada e tão cheia de dores de cabeça que nem sequer vim ao computador... pelo menos online. Acabei por vir acabar um soneto e criar outro poema para um concurso, mas acabei por me "revelar" demasiado enquanto tecia as minhas décimas e já não o posso enviar... quanto aos três sonetos desta publicação, estão aqui por "acidente"... estive a fazer-lhes uma revisão"por alto" e como a determinada altura os guardei nos rascunhos, vieram parar ao "lugar do dia"...
EliminarAbraço grande!!!!
Limite do chá.
EliminarPois... o limite físico, esse, vai fazendo das suas... e não estou nada bem, hoje... mas vou ver o Chá!
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