NOUTRO DIA QUALQUER II
(Soneto em decassílabo heróico)
Noutro dia qualquer talvez vos diga
Das razões de um poema aprisionado
Na trincheira do sonho em que se abriga
Quando se sente vão, velho e cansado...
Mistérios do poema. Quem lhes liga?
Quem pode convencê-lo a ser cantado
Se em silêncio se escapa da cantiga
E teima em se manter distanciado?
Mas, duma fresta aberta em musa antiga,
Sempre posso espreitá-lo e, com cuidado,
Confessar-lhe esta inércia a que me obriga,
Mostrar-lhe que escolheu caminho errado
(neste vislumbre, aquilo que me intriga,
é vê-lo, embora vivo, assim, calado...)
Maria João Brito de Sousa – 03.10.2014 – 21.21h
Imagem - Azenhas, Amadeo de Sousa Cardoso
Mas falará...
ResponderEliminar... baixinho, baixinho, por enquanto...
EliminarChá civilizado.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminarhá poemas assim - cativos! ...
ResponderEliminarbelo teu soneto. e enorme teu talento.
cumpriementos
Obrigada, Heretico!
EliminarIrei agora mesmo ao Relógio de Pêndulo, mas continuo sem poder deixar uma única palavra em qualquer blog que não seja do Sapo...
Forte abraço!
“Procura”
ResponderEliminarProcura nas estrelas
Um arco íris d’amor
P’ra que sejas como elas
Em todo o seu esplendor
Mantem a tonalidade
Desse sorriso com côr
Conserva a tua verdade
Ainda que a queiram depor
Assim mesmo que não chova
Ou as estrelas se apaguem
Num céu escuro como breu
Não haverá quem te demova
Nem fantasmas que estraguem
Esse futuro que é teu.
Procuro e sempre encontrei,
EliminarCoerência e dignidade
Que ao poema acrescentei
Sempre que o verso me invade...
Mais não quero... e mais não sei
Que falar-vos da verdade
Que jamais dispensarei
Mesmo quando se me evade,
Mas não quero procurar
Estrelato facilitista
Nem maneira de "brilhar"
Que me tornasse elitista
Ou me ousasse transformar
Numa "diva"... embora artista...
Maria João
Cá vai, muito, muito "a correr" e "mal-acabado", mas com o abraço grande do costume, Poeta!
Bem inspirado soneto!
ResponderEliminarÉ a poetisa em seu esplendor ,
um verdadeiro concerto
sempre falando de amor.
Adílio Belmonte,
Belém-PARÁ-BRASIL
Obrigada pelas suas simpáticas palavras, Adílio!
EliminarFraterno abraço!
“Pa ciência”
ResponderEliminarA política foi vendida
Ao poder do capital
Sociedade está ferida
Por isso se vive mal
Políticos já não decidem
Aquilo que está p'ra vir
São esses que nos agridem
De tanto nos extorquir
Mas o futuro é ciência
Descobriu um visionário
Ou seria um cientista
Já não temos paciência
P'ra tanto salafrário
Nem tanto malabarista.
Prof Eta
Sem paciência... nem tempo...
EliminarSou grande fã da Ciência
- não da cientologia!!! -
Mas já não tenho paciência
Para tanta teoria,
Para cultos da aparência
Ou pr`á vã filosofia
Que divirja duma essência
A bem de uma minoria...
Aos grandes malabaristas,
Cansei-me de os aturar;
Juram mil coisas previstas,
Não se cansam de jurar
Nem de tentar "dar nas vistas"
Pr`a subirem de lugar...
Maria João
Cá vai, Poeta, com o meu abraço!
Chá transborda.
ResponderEliminarO Chá acordou muito cedinho
EliminarVou vê-lo, Poeta!
É verdade, passei o dia com sono.
Eliminar... também tenho dormido muito pouco... as cãibras não são a mais confortável das camas...
Eliminar“Não ser”
ResponderEliminarTenho plena consciência
Da inconsciência em mim
Vocês tenham paciência
Por me aturarem assim
Quer eu seja ou nem tanto
Ou possa mesmo nem ser
Posso ser no entretanto
Aquilo que eu quiser
Agora vou meditar
Neste estado metafísico
E não enjeito opinião
Se me a quiserem dar
Ser ou não ser é físico
Mas não ser é a questão.
Não terei mil qualidades
EliminarMas, algumas, sei que tenho;
Não faço grandes maldades,
Tenho jeito pr`a desenho,
Não "embarco" em "caridades",
- mas aos outros não desdenho... -
E se sei das novidades,
Não lembro as coisas de antanho...
Do "não ser", não trago novas,
Mas sei "não ser" coisas tantas
Que me recuso a dar provas
E, se as tuas razões cantas,
Eu prefiro abrir as covas
E enrolar-me em velhas mantas...
M. João
Ai, Poeta, rsrsrsrs... este saiu mesmo à martelada, coitadinho dele...
Abraço grande!
Chá infinito.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
EliminarBuon giorno poetisa , quanto tempo fa che non la trovavo!!!!!
ResponderEliminarQue prazer encontra-la em plena forma!!!!Viva!!!!
Não sei se já viu estamos enfim juntos num livro da Minerva.
Parabens!!!Como não há trabalho em Portugal,vou andando pelo mundo!
Ciao.
Peter!!!
EliminarSei que sim, mas não pude ir ao lançamento e ainda nem sequer finalizei o pagamento... vou ter de entrar rapidamente em contacto com a Minerva e tentar que me enviem, via CTT, a colectânea.
A minha disponibilidade física cada vez deixa mais a desejar, meu amigo...
Vou matar saudades dos seus sonetos, agora mesmo.
Ciao!
ResponderEliminarBuon giorno poetisa , quanto tempo fa che non la trovavo!!!!!
Que prazer encontra-la em plena forma!!!!Viva!!!!
Não sei se já viu estamos enfim juntos num livro da Minerva.
Parabens!!!Como não há trabalho em Portugal,vou andando pelo mundo!
Ciao.
“Desdireitos”
ResponderEliminarUm direito obrigatório
Será uma imposição
Pode parecer irrisório
Mas é a minha opinião
Um direito recusar
É também direito meu
Não se sobrepõe ao sujeito
O que ele não quer usar
Um direito retalhado
Por interesse superior
Que a outro faz proveito
É um direito minado
Seja lá ele qual fôr
Não me impõem o direito.
Prof Eta
Direito é facultativo,
EliminarNão se impõe de forma alguma,
Nem deixa ninguém cativo
Dos caminhos nos quais ruma...
Conquista-se e só se apruma
Se, satisfeito o ser vivo,
Concede, ao que escreve, a pluma...
Eu, dessa, nunca me privo!
Que desdireitos são esses
Que mais parecem deveres
E não dão quaisquer benesses?
Só os conquistas se os queres
E, se em verdade os conheces,
Melhor fora nunca os teres...
M. João
Outro feito à "martelada"... mas é o que há, de momento, Poeta... abraço grande!
“Vôos”
ResponderEliminarConsigo não pensar
Que incrível sensação
E pelo tempo voar
Em modo meditação
Vejo tudo mais distante
Sobrevôo a realidade
P'ra depois num instante
Baixar de novo à cidade
Este vôo regenera
Traz uma visão mais pura
Deste tempo conturbado
Sem ser nada retempera
De volta à realidade dura
Após haver meditado.
Voando baixinho...
EliminarMedite, mas não demais,
Pois nem sempre são normais
Tão vastas meditações
E tornar coisas banais
Em sublimes rituais,
Não traz melhores soluções...
Vá voando com jeitinho,
Sempre atento ao seu caminho,
E sem excessos, por favor!
Pois voar num torvelinho,
Pode tornar-se daninho
Pr`ó pobre meditador
E, negado o pensamento,
Pode perder-se esse alento
Que agora nos faz mais falta,
Por isso... medite atento
Ao tal descontentamento
Que vai dando força à malta!
Maria João
Cá vai, Poeta! Saiu-me em sextilhas...
Abraço grande!
Chá medita.
ResponderEliminarOntem mal pude cá vir, e, hoje, também vou ter de sair... mas vou ver o Chá que medita!
EliminarOlha voltou o poeta, terá sido porke deus Ker !??
ResponderEliminarNão sei se vai dar... estou a aprovar os poemas-comentários e o lyout diz-me sempre que não foi possível aprovar...
EliminarPoeta, vejo o seu comentário na caixa do correio, mas não entra aquiNem o meu deve ficar porque já tentei deixar outros...
EliminarUfa! Finalmente! Tive de mudar a cor dos comentários... lá dei com a personalização intermédia... mas penso que ele só aceita uma moderação de comentários de cada vez... vai ser bonito!
EliminarMas não se assuste, Poeta! Eles estão todos aqui, na moderação de comentários... até os meus! Vou é levar muito tempo a conseguir libertá-los...
Ah bom, agora parece-me tudo reestabelecido, até a Sra. Ministra,
ResponderEliminar“Vira virou”
O cruel e triste fado
Do nosso querido país
Que parece mergulhado
Dos pés até ao nariz
Conseguindo respirar
Sabe-se lá de que maneira
Evitando assim naufragar
Neste mar, qual estrumeira
Da nossa desilusão
Mas há quem não desista
De prosseguir o caminho
Em busca da satisfação
Vamos com a sra ministra
Exortar o vira do Minho.
Prof Eta
Ahahahah... Poeta, não vejo a sra. ministra a dançar o "vira", por muito que lhe desse jeito
EliminarDe cabéça feita em água
E neurónios desgastados
Terei de ir curar a mágoa
Em sonhos "abenssonhados"...
Não sei como aconteceu!
Sonetilhos invisíveis?
O que será que lhes deu
Pr`a ficarem tão sensíveis?
Enquanto a ministra "vira"
E os sonetilhos se esfumam,
Sou eu quem fica na mira
Com receio que se sumam
E que outro susto me fira
Sem que os neurónios se assumam...
Maria João
Está horrendo, Poeta, mas eu estou mesmo tão exausta que mal o consigo descrever... ou escrever!
Só lhe digo que os sonetilhos ficaram invisíveis à conta dos algoritmos! Eu nem sequer tinha conseguido encontrar a personalização intermédia! Só hoje é que dei com ela... acho que a necessidade - e o susto... - aguçam o engenho, rsrsrsrsrs
Políticas do chá.
ResponderEliminarVou agora mesmo ver o Chá! O dia parece ter encolhido,hoje... não deu para fazer quase nada... ainda por cima fui ao café comer uma sopita e acabei por ficar um bocadinho a conversar...
Eliminar“Espírito sou”
ResponderEliminarJá sem penas mundanas
Mas com as da eternidade
Agora já não te enganas
Espírito sobre a cidade
Observas o quotidiano
Andas livre e a pairar
Sobre o que é humano
E não te pode observar
Ajudas sem ser notado
Um qualquer ente querido
Que de apoio necessita
Pois teu corpo já esgotado
Deixou após ter partido
A tu'alma que se agita.
Chá sem respostas.
ResponderEliminarO Chá, hoje, está como eu...a conjugação da ida ao hospital com uma série de pequenos episódios menos agradáveis, acabou por redundar neste enorme atraso, Poeta...
EliminarSó agora vou ver o Chá...
“Orçamentados”
ResponderEliminarVem o orçamento d'estado
Ao bolso do português
Está farto de ser roubado
Mas assaltam-no outra vez
Anda assim desgovernado
Sem entender o cardápio
Que lhe foi reservado
Por um governo larápio
Promotor da natalidade
De bolinhas de sabão
Que ao subir vão rebentar
Revelando a infertilidade
De ideias que de ante mão
São paridas p'ra enganar.
Prof Eta
Orçamentando o Protesto...
EliminarJá nem sei que responder...
Mas que desgraça, Poeta!
Este orçamento é só treta,
Todos vamos perceber
Que há que lutar e vencer
Até chegarmos à meta...
Não basta a cauda, ao cometa
E há sempre mais por fazer!!!
Desgoverno; afunda já
Porque isto, assim, já não dá!
Das asneiras cometidas,
Lançadas ao Deus-dará,
Só sai coisa muito má
Para mal das nossas vidas...
Maria João
Olhe, Poeta, este foi como um relâmpago e não me saiu mau de todo
Aqui vai ele com um grande abraço!!!
Chá direito.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Sonhos matemáticos”
ResponderEliminarO valor da matemática
É por demais conhecido
E a fórmula quadrática
Potencia o seu sentido
E as rectas paralelas
Encontram-se no infinito
Dá-lhes sentido a elas
Esse feito tão bonito
Então e o número primo
Divisível como sabemos
Por ele e pela unidade
Matemática não reprimo
Quando a ela recorremos
Sonhando a humanidade.
EliminarPoetando a Matemática...
Álgebra e Geometria
Serão sempre coisas vivas
E não mera teoria
De umas mentes mais altivas...
De ambas, bem pouco sabia,
Mas mantenho as perspectivas
Do muito que eu ganharia
Em mantê-las sempre activas!
Ao quadrado dos catetos,
Somando este entusiasmo,
Junto a pureza dos netos,
E onde houver ângulos rectos,
Não morro de tédio e pasmo
Olhando arestas de tectos...
Maria João
Cá vai com o grande abraço de sempre, Poeta!!!
Chá morto.
ResponderEliminar... estou mesmo sem tempo, mas vou vê-lo!
Eliminar“Convergir”
ResponderEliminarOlhando arestas de tectos...
Sem tectos no horizonte
Mesmo sem ângulos rectos
Qu'a sede não amedronte
Quem no meio de projectos
Bebeu a água da fonte
Da nascente dos afectos
E que um dia se confronte
Com a sã necessidade
Da origem procurar
Para expulsar o vazio
De viver anos a fio
Sempre sempre a caminhar
Sem alcançar a verdade.
Convergindo...
EliminarA verdade, meu amigo,
Vem morar dentro de nós,
Quando lhe dermos abrigo,
Quando lhe ouvirmos a voz...
Vai-se o medo... o medo antigo,
O velho "mostrengo" atroz
Que julgámos inimigo
E, afinal, nem era f`roz...
Quando inda somos meninos
Surge o tal conhecimento
Que nos vem de pequeninos;
Vai da alegria ao tormento,
Mas não nos traça destinos,
Nem nos lança em desalento...
Maria João
Cá vai com o abraço de sempre, Poeta. Teve de ser refeito porque a ligação falhou...
Chá sentido.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta.
EliminarChá vivo.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta.
Eliminar“Novos cálculos”
ResponderEliminarCalcular com o coração
E amar com a cabeça
Nova forma de emoção
Nada há que o impeça
Sentimento com sentido
Nunca antes explorado
Mas que a ser reprimido
Não pode ser comprovado
Tirar a prova dos nove
A uma ideia diferente
Assim se vai comprovando
Que a nós nada demove
Porque o coração sente
A cabeça calculando.
Resolvendo o cálculo...
Eliminar... porque não equilibrados
Na balança de uma vida?
Ou, na arte, ambos usados;
"Razão, mas razão ´sentida`?"
Porque não, se tais cuidados
Produzem, logo à partida,
Poemas "mais acordados",
Criação mais decidida?
Porque não se, misturados,
Dão da, "palavra vivida",
Tão perfeitos resultados
Que a criação, já rendida,
Cede aos versos mais ousados
Sem sentir-se dividida?
Maria João
Cá vai com o abraço de sempre, Poeta!
“Leilões”
ResponderEliminarBrincavam aos pobrezinhos
Num local à beira mar
Vêm aí os chinezinhos
Para a herdade comprar
Melhor preço ou em saldo
É negócio para chineses
Surge agora no rescaldo
Duma falência faz meses
A nação está a colapsar
Dizem por estar tudo ligado
Sob o manto da corrupção
A mim dá-me que pensar
P’ra que servirá um estado
Que tudo vende em leilão.
Prof Eta
Serve pr´a consolidar
EliminarUma crise nacional,
Ou mesmo pr` atraiçoar
E fazer-nos muito mal
Ao tentar consolidar
Um império colossal
Que só pode alimentar
Todo o grande capital...
Disso, iremos nós tirar
Algumas grandes lições
Pr`a, mais tarde, os derrotar;
Essa coisa dos leilões
Ir-nos-á tentar trocar
Por quaisquer cinco tostões...
Maria João
Segue com o abraço de sempre, Poeta!
Chá viu.
ResponderEliminarVou tentar ver o que viu o Chá, Poeta!
Eliminar“Acordai”
ResponderEliminarO futuro foi lá atrás
Cheio de desilusões mil
Procura e encontrarás
Novas razões para Abril
Razões de humanidade
E de respeito pelo ser
Sentido p'rá fraternidade
Que acabámos por esquecer
Uma nação solidária
Com o sentido na vida
Parece não ser opção
Seria uma razão primária
Que terá sido esquecida
Por esta infeliz nação.
Acordai!
EliminarViva então, na dignidade,
A razão que Abril criou
E essa sede de igualdade
Que em quase todos brotou!
Acordai que, a liberdade,
Que tanta gente provou,
Já de todos nós se evade
E ainda nem governou!
Solidário e comunista,
Assim quero um Portugal
Que, acordado, não desista
De enfrentar quem lhe faz mal,
De expulsar quem sempre invista
Nos senhores do capital!
Maria João
Segue com o abraço grande de sempre, Poeta!
Chá da coisa.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar