SÓ PARA NÃO DEIXAR QUE AS RIMAS GANHEM PÓ...
(Soneto em decassílabo heróico)
Se assim escrevo, será por não saber
Viver de outra maneira e ser quem sou
Ou dar de forma estranha à que me dou
E ser de alheia forma ao que sei ser
E se isto, amigos meus, não for escrever,
Não saberá escrever quem me ensinou,
Nem saberei dizer quem me enganou
Quando tanto deixou por aprender,
Mas se triste me sinto ou triste estou,
Já vos não sei dizer quem me afastou
Desta força de, sendo, me dizer,
Nem se, acaso, houve alguém que se lembrou
De lembrar-me de quanto me negou
E, depois, se esqueceu de me esquecer.
MariaJoão Brito de Sousa – 22.10.2014 – 16.44h
“Três éfes”
ResponderEliminarTrês éfes nós aprendemos
São eixos fundamentais
P'los quais nos movemos
E não nos detêm mais
O primeiro fidelidade
Traçado na vertical
Junta honra à humildade
O segundo força vital
Equilíbrio representa
O terceiro fraternidade
Faz-se num único traço
Nele muita coisa assenta
Do grupo à individualidade
Representa o nosso abraço.
Diz-me essa Fraternidade
EliminarQue devemos, por igual,
Dar uso à fidelidade
Bem como à força vital
Pr`a gritar por liberdade
Neste nosso Portugal
Onde nos falta equidade,
De uma maneira geral,
Por isso, segue este abraço,
Dado a correr, mas sentido,
Como o é tudo o que faço...
Que não seja desmentido
O sentido deste laço
Tão fraterno e desmedido
Maria João
Chá esqueceu.
ResponderEliminarEsqueci-me, Poeta! Foi este seu aviso que me fez lembrar que me esqueci de atrasar o relógio... vou tratar disso agora, antes que me esqueça outra vez mas, ainda vou ver o Chá!
Eliminar“O povo é sereno”
ResponderEliminarFaçamos o teste de stress
Ao bom povo português
E se mais baixo não desse
Dá fome de quando em vez
Mas como o povo é sereno
Aguenta como já se disse
Ser burro carregado a pleno
Sem se aperceber da burrice
Mas agora há a cenoura
Que muito burro faz correr
À espera do ano seguinte
Vazia está a manjedoura
Mas há esperança de comer
P'ró ano com todo o requinte.
Prof Eta
Sereno... ma non troppo!
Eliminar..." envenenada", a cenoura!
E "minada", com certeza!
Parece bela mas "estoura",
Essa cenoura burguesa!
Todo aquel`que esse "isco" doura
Quer manter-nos na pobreza
E deixar-nos em "salmoura"
Pr`a tornar-nos fácil presa!
Eu, sobre a nova linguagem,
Tenho a minha opinião...
Poeta, há que ter coragem
E minar-lhe a disfunção;
Se "acalmou" foi porque a "vagem"
Lhe deu toda a produção!
Maria João
Cá vai, meio "martelado", com o abraço de sempre!
A minha cidade
ResponderEliminarChamam-te farta e fria
Outros dizem forte e feia,
Mas eu penso, todavia,
Que se és farta, fria e forte,
Apesar do ar tão leve,
De formosura estás cheia
Meu floco de lã e neve
Trazido p´lo vento norte.
Tens a serra e o pastor
Que faz o queijo de ovelha
E tens o rei povoador,
A quem deves o que és,
No centro da Praça Velha
Que é a braseira dos pobres,
Mas onde aquecem os pés
Mendigos, ricos e nobres.
Vives perto da Estrela,
Tens saber da muita idade,
És a cidade mais alta,
Tua Sé é a mais bela,
Tens riso da mocidade,
Tens um amor que me tarda
Não sei o que mais te falta
Velha cidade da Guarda
Eduardo
Belíssimas oitavas à Guarda, amigo Edurado!
EliminarDe Oeiras disse Ramalho,
Ortigão, de nome inteiro,
Ser só terra de trabalho,
Muito feia, uma desgraça
Sem praia que jeito tenha,
- um susto pr`ó caminheiro... -
Sem beleza que detenha
Cada turista que passa
Mas, na minha opinião
- que não deve ser suspeita... -
Esse Ramalho Ortigão
Nem sequer a soube olhar!
Uma terra tão bonita
Não merece essa desfeita,
Nem aceita tal desdita
Sem ousar contrariar;
Nela o Tejo desagua
E abraça o mar selvagem
Junto desta vila nua
Que os contempla deleitada
E que, filha desse abraço,
Se estende tal qual miragem,
Palmo a palmo, passo a passo,
Ao longo dessa enseada...
Maria João
Aqui vão umas oitavas - feitas à pressa - à minha Oeiras!
Um fraterno abraço para si e Maria dos Anjos!
Chá da verdade.
ResponderEliminarVerdade, verdadinha; ontem tive de tratar de uns assuntos inadiáveis, cheguei tarde e cheia de dores de cabeça... para não mencionar as outras... já nem sequer cá consegui vir, Poeta...
EliminarVou ao Chá!
“War end”
ResponderEliminarArma está apontada
O alvo já selecionou
A bala foi disparada
Teu cérebro trespassou
Essa vida foi ceifada
E nada na guerra mudou
Sobe de tom a escalada
Que mui cedo a motivou
São mil razões p'ra matar
Suportadas em decisões
Da humana malvadez
Mas para a guerra acabar
Há que matar multidões
Toda a humanidade talvez.
Peace
EliminarEu só quero é estar "armada"
De razão, discernimento,
Não ficando alvoroçada
Nem entrando em sofrimento
Por ter um`arma apontada
Às razões do meu sustento;
Dou meu melhor e mais nada
Cala o sopro deste vento
Ou constrói a minha estrada
Sobre as pedras de um lamento...
Estando assim, determinada,
Quem nega aquilo que eu tento?
Quem me quer desesperada
E me derruba este alento?
Maria João
Cá vai, Poeta, com o abraço grande do costume!
Chá alcançou.
ResponderEliminarVou ver o que poderá o Chá ter alcançado, Poeta!
Eliminar“Quase nada”
ResponderEliminarO teatro da minha vida
Não se liga a milhões
Mas de forma decidida
Vou contando os tostões
A austeridade conhecida
Pauta todas as decisões
Duma vida desprendida
Mas sem grandes aflições
O circo vamos vivendo
Palhaços na vida real
Soltando a gargalhada
Neste palco eu entendo
Que muito pouco é normal
E que quase tudo é nada.
Construção
EliminarQuase tudo é quase nada
Se não traz a dimensão
Que, à coisa já conquistada,
Junte a força da paixão
E que, ainda que afastada,
Junte a estranha imensidão
Da justiça antecipada
Que move a revolução...
Palhaços ou funcionários,
Tanto faz quando, lutando,
Pedem pão, pedem salários,
Noite e dia recrutando,
Mais lutadores temerários,
Que aos outros se vão juntando!
Maria João
Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!
MUDAM-SE OS TEMPOS…
ResponderEliminarO bobo da corte é bem insolente,
Foi ele amestrado p´ro rei divertir,
Mas, agora, ao vê-lo prestes a partir
Cruza-se com ele assaz indiferente
Dantes rastejava, com ar reverente,
P´los passos perdidos, guizos a tinir,
Dançava-lhe à volta, atrás e à frente
Em mil volteados, só para o ver rir.
Até sua alteza parecia um momo,
De tanto imitar o seu servidor…
Agora, irado, e sem saber como
Vê sempre o seu bobo, lesto, num assomo
Cortejar, servil, o seu sucessor
Pensando, em breve, ser o seu mordomo.
Eduardo
Muito grata por mais este seu soneto, amigo Eduardo.
EliminarNão estou mesmo num dos meus melhores dias... o dia de ontem foi extremamente cansativo e o habitual descanso nocturno mostrou-se claramente insuficiente para repor algumas das energias que gastei... para além dos limites que, hoje em dia, o meu corpo reconhece como razoáveis...
Forte abraço para si e Maria dos Anjos!
Maria João
Chá decide.
ResponderEliminarNão estou muito bem, mas... vou já ver o Chá!
EliminarORÇAMENTO CONDENSADO
ResponderEliminarNão é nenhum calhamaço
O Orçamento de Estado,
Numa pene condensado,
Quase não ocupa espaço.
Quem o fez, fez como eu faço
Quando já estou cansado;
Avanço apenas um passo
E fica o passeio dado.
Mas a esse orçamento,
Outra regra lhe aplico:
Ele é um ornamento
Onde cedo se descobre
Que quer o rico mais rico
E o pobre, ainda mais pobre.
Eduardo
CONSPIRAÇÃO...
EliminarNão há "plano elaborado"
Que seja preciso, não,
Se um Orçamento de Estado
Cumpre tão bem a função
De engendrar povo explorado
Em tão vasta dimensão
Que, ao rico, traga abastado
E, ao mais pobre, humilhação...
Fica, decerto, acordado
Que a dura concertação
Produz o "bom" resultado
De aumentar "separação"
E o ricaço, reforçado,
Nem pensa em "conspiração"...
Maria João
Muito grata, amigo Eduardo! Forte abraço!
“Sorridente”
ResponderEliminarEstar morto é o contrário
De estar vivo boa gente
Existindo muito armário
Com esqueletos certamente
Estar morto é um jeito
De poder escapar à vida
Como nem tudo é perfeito
Voltas à casa da partida
Onde o pó sempre existiu
Te olham com desconfiança
Por te ver assim sorridente
Quem de lá nunca partiu
Não sentiu sequer mudança
Por ter estado sempre ausente.
Sorriso... cansado, mas pronto!
EliminarTenho os roupeiros tão cheios
Que nem lá me caberiam
Esses esqueletos feios
Que às vezes nos arrepiam
E que lançam tais receios,
Coisas tão más que deviam
Pertencer aos devaneios
Dos muitos que só variam
Mas que, afinal, não criando,
Não produzem, só desviam,
Quanto nos lhes vamos dando
E sempre nos contrariam
Porquanto nos vão roubando
E é sempre assim que se aviam...
Maria João
Cá vai, muito à martelada, mas... com o abraço de sempre!
Chá demo crata.
ResponderEliminarPoeta, estou de saída... vou ao Chá num instantinho!
Eliminar“Tanga premiada”
ResponderEliminarA grande condecoração
O grande condecorado
Esforço de uma nação
Que não luta a seu lado
Luta para sobreviver
Anda de calças de ganga
Mas não esquece o dizer
Este povo anda de tanga
Numa europa bem vestida,
Em Bruxelas há lagosta
Para os poucos que lá estão
No continente há feijão
Com couve, p'ra quem gosta
E andam de alma despida.
Prof Eta
Tanngas!!!
Eliminar... premeiam tudo... ao contrário!
Com vénias e "tagatés",
Roubam, ao pobre, o salário
E, ao rico, lambem-lhe os pés!
Penso que, de modo vário,
Prémio dado de "viés",
É roubado ao proletário
Que tem fome ao fim do mês!
Haja, enfim, gente "acordada"
Que perceba que a nossa luta,
Longe de estar acabada,
Justifica esta conduta
Que mostra não gostar nada
De louvar filhos da... fruta!
Maria João
Cá vai, Poeta, com o abraço grande de cada dia!
Grande chá da ordem.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Zé sai de fininho”
ResponderEliminarRealidade são os pés
Conduzem o caminhar
Tu és cego se não vês
Onde te querem levar
Anda tudo a pontapé
Ao murro e à canelada
Saco de pancada é o Zé
Mesmo sem culpa de nada
Mas que triste situação
Invadiu nossa existência
Mete os pés ao caminho
Abraçaste a revolução
Símbolo da resistência
Não resistes Zé Povinho.
Resiste, Zé Povinho!
EliminarResiste e resiste bem,
Porque a resistência é tudo
E já basta o que não tem,
Não precisa de ser mudo!
Resiste como ninguém,
Alerta-me, onde eu me iludo,
E outra coisa não convém
A um Zé, forte e barbudo...
E, afinal, como dizer
Que o Zé, comendo, não fala
Enquanto puder comer?
Se não come "pão de rala",
Come aquilo que puder
Mas... calar, nunca se cala!
M. João
Cá vai, muito mal amanhadito, mas dizendo exactamente o que quer e levando o meu abraço!
Chá em equipa.
ResponderEliminarVou ver o Chá, Poeta!
Eliminar“Canoas”
ResponderEliminarSão os donos do poder
São os donos disto tudo
Desde o nascer ao morrer
Desde o Natal ao entrudo
Vão os três dias da vida
Gastos numa luta funesta
Será uma vida perdida
Ou a vida é que não presta
Algumas valem milhões
Têm canoas douradas
Para o além alcançar
Mas as vidas de tostões
Têm as canoas furadas
Nem chegam a navegar.
Prof Eta
Canoas II
EliminarCanoas... barcas airosas
De pequeno e frágil porte,
Tantas vezes caprichosas,
Outras vezes, tão sem sorte,
Quando as vagas alterosas,
Batendo em seu casco forte,
Criam situações p`rigosas
Que conduzem, sempre, à morte...
Pequena barca, a canoa
Feita de carne e de sonhos...
Bela barca, barca boa
Que enfrenta riscos medonhos,
Mas nunca desiste à toa,
Nem nos dias mais tristonhos...
Maria João
Cá vai, apressadito, mas levando o abraço de sempre!
Chá real.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
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