JANELAS

Janela2.jpg


 


(Soneto em decassílabo heróico)


 



Ressoam mil palavras que iluminam
Silêncios das janelas apagadas
Que vão mostrando, ainda que caladas,
O tanto que as vidraças nos ensinam




E, sempre que as janelas nos dominam,
Ficam, dentro de nós, perpetuadas,
Palavras – tantas mil! - das que, adiadas,
Não puderam ser ditas, mas fascinam




Como coisas antigas, revividas,
Que, assim que vislumbradas, decididas,
Repetem, sem falhar; - Nós ficaremos!




Janelas, quais palavras repetidas,
Que doem, mas jamais serão traídas,
Abertas sobre quem não mais veremos...


 




Maria João Brito de Sousa – 15.11.2014 – 23.22h


 


 


 


Ao meu camarada e amigo Zé Casanova. Até sempre, Zé!


 

Comentários

  1. “Vem lá merd@”

    Ele é visto, ele é dourado
    Via verde p'rá corrupção
    Enquanto o povo é esfolado
    Sem direito à indignação

    Assim se dirige um estado
    Que não considero nação
    É um sítio mal frequentado
    Ou se é povo ou se é ladrão

    Mergulhados em austeridade
    Muito além do impossível
    Que nos provoca obstipação

    Desaguará em quantidade
    Com o mau cheiro previsível
    Quando se der a evacuação.


    Desculpe, sei que não devia, neste magnífico soneto de homenagem, mas foi o que se arranjou nas actuais circunstâncias deste sítio.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não se preocupe, Poeta!

      Vou tentar responder amanhã, está bem? Ainda não me sinto nada bem e, a esta hora, já mal escrevo duas linhas...
      Abraço grande!

      Eliminar
    2. Já não sei se mansamente,
      Se em explosão de tal furor
      Que nos tome corpo e mente...
      Virá, de que modo for!

      "Limpar" isto é muito urgente,
      De emergência bem maior
      Do que a causa deprimente
      Dos que vão tentando impor

      Corrupção; coisa emergente
      Do que sempre há de pior
      De nós e de toda a gente

      Que há-de levar a melhor
      Sobre o "ricaço indigente"
      Que nem sabe o que é valor!

      M. João

      Cá vai, meio "às três pancadas", mas dizendo o que pensa e levando o abraço de sempre!

      Eliminar
  2. “Felicidade”

    Ser feliz em Nova Iorque
    Ou ser feliz no Alentejo
    Feliz mesmo qu'emborque
    Toda a que não desejo

    Ser feliz em Veneza
    Ou ser feliz na Comporta
    Feliz por estar à mesa
    E ouvir-te bater à porta

    Necessidade assim quis
    Esta feliz ambiguidade
    Pois não sendo infeliz

    Feliz em qualquer cidade
    E mais feliz que ser feliz
    É conseguir dar felicidade.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Acabo de perder o meu sonetilho... copiei-o, mas a ligação caiu de tal forma que não deu para o colar...


      Felicidades...

      F`licidade é, simplesmente,
      Com direitos garantidos,
      Prosseguir, concretamente,
      Nossos sonhos perseguidos

      Mesmo que, indirectamente,
      Sejam sonhos proibidos,
      Prosseguir, ir sempre em frente
      Fazendo moucos ouvidos

      Ao que alguns dizem da gente
      Pois, nos sonhos construídos,
      Reside a flâmula ardente

      Que dá força aos mil sentidos
      Que, afinal, tornam coerente
      Obra e passos prometidos,

      Sonhos ou, tão simplesmente,
      Dias menos conseguidos
      De quem saiba estar consciente...

      M. João

      Penso que o outro era um bocadinho menos mau... pelo menos tinha uma rima menos pobre, mas não posso fazer nada; não o consegui reconstruir...

      Segue com o abraço grande de sempre, Poeta!

      Eliminar
  3. “Está visto”

    Terminou a indignação
    Nesta nossa sociedade
    Ocupada p'la corrupção
    Com toda a popularidade

    Nasce assim a ocasião
    De maior probabilidade
    Para constituir o ladrão
    Em dono da seriedade

    Muito sérios mas a rir
    Pois arrecadam milhões
    Com toda a idoneidade

    O que virá a seguir
    Não tenhamos ilusões
    É o visto da impunidade.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Os crimes foram crescendo,
      Subindo de posição,
      Com esse poder tremendo
      Que lhes deu a corrupção

      E este pequeno remendo
      De terra - a nossa nação -
      Foi-se-lhes sempre of`recendo,
      Sem saber dizer-lhes: -Não!

      Tudo é feito à "descarada",
      Nem precisam de fingir
      Que estão certos! Não são NADA,

      Mas fazem tudo a sorrir
      Como se, em casa roubada,
      Pudessem, depois, subir...

      Maria João

      Está visto que a ligação partilhada já não está a funcionar, Poeta
      Abraço grande!!!

      Eliminar
  4. Janelas só fechadas para o tempo,
    Guardando os ciúmes desse vento,
    Que açoita o mar nas ondas que contemplo
    Ao sentir do criador o intento.

    Seu soneto me inspira.

    Abraço,

    Adílio Belmonte
    Belém-PARÁ - BRASIL

    ResponderEliminar
  5. Respostas
    1. ... e nada de ligação, por aqui... voltei à pen, mas devo estar com a carga mesmo a acabar... não sei o que se anda a passar com as ligações, mas penso que estas "guerrilhas" e competições entre as redes, não devem dar grandes frutos...

      Eliminar
  6. “Sambar e lutar”

    Vida e tu, uma só
    Passam a par e passo
    Com as outras dar o nó
    Ocupar um só espaço

    O espaço da amizade
    Da partilha e do querer
    Alcançar a felicidade
    Mesmo que seja a sofrer

    Dançar se fôr p'ra dançar
    No dias de festividade
    Ajudar se fôr p'ra ajudar

    Dando asas à bondade
    Mas sobretudo lutar
    Por dar asas à vontade.

    ResponderEliminar
  7. Respostas
    1. Desculpe, Poeta. Eu continuo menos bem e a ligação, essa, está tão má, tão má que não encontro palavras (publicáveis...) que a descrevam...

      Vou tentar chegar ao Chá!

      Eliminar
    2. Terei de lhe pedir desculpa, Poeta, à semelhança do que acabo de fazer com o seu pai... estou mesmo numa fase de "pousio" e não me ocorre nada que se assemelhe a poesia, ainda que "manquita".

      Abraço grande!

      Eliminar
  8. CATS and CATS

    Distingo a voz dos gatos,
    Diferencio os seus miados,
    Sei quando estão zangados,
    Sei quando espreitam os ratos,
    Ouço-os se andam nos telhados,
    Escuto-lhes o alaridos,
    Sussurros e sustenidos,
    Os acordes e os vibratos,
    A minha gata se mia,
    A gata da minha tia,
    A gata da minha prima
    Que berra dois tons acima
    E o gatinho da avó
    A mudar de fá p´ra dó,
    Outras vezes para ré
    Quando eleva o banzé…
    Suas vibrações felinas
    São, p´ra mim, tão genuínas
    Que até chego a pensar
    Se são eles a miar,
    Ou eu que estou a falar,
    Ou, se afinal, também mio…
    Mas quando andam com o cio
    Tornam-se outros animais:
    Seus dizeres todos iguais,
    Não distingo o que diz
    Do outro que contradiz…
    São menos originais:
    Todos querem emitir
    O que é bom para se ouvir
    E, só para agradar,
    É igual o seu miar.
    Deixam de ser genuínos
    Em bramidos guturais…
    São tal qual outros felinos
    Em cios eleitorais!

    Eduardo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eheheheheh... acabo de ler o seu Cats and Cats, que está uma delícia, amigo Eduardo!

      Estou a tentar responder-lhe entre tremendas falhas de ligação e nem sequer me passa pela cabeça atrever-me a responder-lhe... até porque ando numa fase de "pousio". Mesmo as quadras - dantes "instantâneas"... - me têm falhado...

      Agradeço-lhe muito a partilha e envio-lhe o forte abraço de sempre!

      Eliminar
  9. “O berro”

    É grito à democracia
    Feita de promiscuidade
    Estará próximo o dia
    Do final desta idade

    Passam a idade de pedra
    Passam a idade do ferro
    Doutos em sua cátedra
    Levam com o nosso berro

    Da minha cátedra furada
    Final bizarro antevejo
    Acaba tudo à pedrada

    Mas tal coisa não desejo
    Nova idade imaginada
    Por maioria eu a elejo.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bússola...

      Por maioria? Talvez,
      Pode bem ser que assim seja
      E que o Povo Português
      Abra os olhos, tudo veja,

      Lance fora o velho arnês
      E, de uma vez, se proteja
      Contra o tirano burguês
      E contra a corja que o "beija"!

      Depende da perspectiva
      E de a quem sirva o poder
      Que encastra a matéria viva

      De quem não lhe obedecer
      Ou de quem, nadando à deriva,
      Nele encontre o seu escaler...


      Maria João

      Cá vai, como o abraço GRANDE de sempre, Poeta! Não me saiu mau de todo, este... sou bem capaz de o levar ao Face...



      Eliminar
  10. Respostas
    1. ... nada de rede/ligação, também, Poeta... ou quase nada e em muito más condições. Vou ver essa ausência do Chá!

      Eliminar
  11. “Preventivamente”

    Sócrates noite e dia
    Dia e noite e ao revés
    Tanto Sócrates angustia
    Onde estão os outros dez

    Que roubaram Portugal
    E não foram acusados
    Este poder anda mal
    Foi entregue aos mercados

    Romances de pacotilha
    Entretêm os ignrantes
    É sua nobre função

    Está montada a armadilha
    Nada ficará como antes
    Vai-se encher a prisão.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Há peças que nunca "encaixam"...


      Não me sinto sossegada!
      Com prisões ou sem prisões,
      Sei que há qualquer coisa errada
      Nesta "corrida aos milhões"...

      A burguesia é tramada!
      Obra tais contradições
      Que não me sossegam nada,
      Julgamentos, nem prisões!

      Quando a si próprios se prendem,
      Fico em dúvida, não sei,
      Nem entendo o que pretendem...

      Bem calada ficarei,
      Porque nem todos me entendem
      Nas questões que assim expressei...

      Maria João


      Segue com o forte abraço de sempre, Poeta. Digo exactamente o que sinto e penso, sim. E não me sinto nada sossegada.



      Eliminar
  12. “Remédio santo”

    O marquês no labirinto
    Da nossa triste agonia
    Qu'o povo anda faminto
    Anseia p'la democracia

    Quarent'anos estropiada
    Neste nosso lodassal
    Onde já não sobra nada
    Nem justiça social

    P'ra tudo estar terminado
    Só vejo uma solução
    Remédio santo administrar

    Ou usar o apito dourado
    E dar ordem de expulsão
    A quem andou a governar.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Efeitos colaterais ou "under attack"
      (em sonetilho de dupla coda)


      Vão dar connosco em malucos!
      Com tanto comprovativo,
      Vivo num ninho de cucos...
      Ou nem sequer sei se vivo!

      Por causa destes... eunucos,
      Moro num enorme arquivo
      De talões muito caducos,
      E até de escrever me privo!

      Tirana, a burocracia,
      Encheu-me de papelada
      E, em vez de casa vazia,

      Tenho a casa atafulhada
      Dos restos duma anarquia
      Que quase me põe... "chalada"!

      Bem quis fazer-lhes "razia",
      Mas não posso fazer nada
      Senão... entro em avaria,

      Fica-me a casa empenhada,
      Cresce-me uma enorme azia
      E, depois, fico lixada!

      Maria João


      Cá vai, com o abraço de sempre, Poeta!

      Eliminar
  13. Respostas
    1. ... o saldo da pen esgotou-se e a porcaria da ligação não se aguenta 10 segundos seguidos... ... vou ver se lá chego...

      Eliminar
  14. Respostas
    1. Ai, Poeta... detida tenho estado eu! Já consegui entrar, mas foi o cabo dos trabalhos e não me sinto lá muito segura.
      Hoje não estive em casa senão a partir do meio da tarde e, amanhã, é dia de consulta... tenho tudo atrasado...

      Eliminar
  15. Respostas
    1. Vou vê-lo, Poeta... mas estou que não posso com o raio das burocraciazinhas que este sistema arranjou para tentar remediar o irremediável... enfim! Tenho a casa transformada num arquivo de museu e já nem me entendo no meio desta papelada toda...

      Eliminar
  16. Respostas
    1. Entre as dificuldades de aceder a minha conta e a ligação que está maluquinha, como vai sendo habitual, vou ver se consigo chegar ao Chá, Poeta!

      Eliminar
  17. “Cavalo cansado”

    Não se janguem comadres
    Deste nosso Portugal
    Não se saibam verdades
    Pois nem tudo anda mal

    Mas melhor é que não está
    Anda o povo espremidinho
    Passeia-se a fome por cá
    Sobeja-nos ainda o vinho

    Um pedacinho de chão
    O saber para o cultivar
    E também o velho arado

    Semeia-se trigo faz-se pão
    Que no vinho há-de boiar
    Regressa o cavalo cansado.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
  18. “Dependentes”

    Restaurar a independência
    Neste nosso Portugal
    Só pode ser por demência
    Ou aumento da carga fiscal

    Pois se a dívida aumenta
    A cada novo orçamento
    Com um povo que aguenta
    Sem que exista momento

    Nem espaço para lamentar
    Só no dia em que paguemos
    Esta dívida acumulada

    Poderemos então festejar
    Pois até lá não teremos
    Independência p'ra nada.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. De independência se trata
      Pois já basta de ir andando
      Ao mando de quem nos mata
      E de quem nos vai "lixando"!

      Do que a corja nos relata,
      Nada vejo e vou estranhando
      Pois, nem vendo, não retrata
      Quanto alguns vão protestando...

      Vamos todos "de arreata",
      Uns cantando, outros chorando,
      Dependendo da "cantata"

      Que os "do alto" vão lançando
      Sob a bênção - grande "lata"!!! -
      Dos poucos que vão ganhando!


      Maria João


      Atrasado e meio coxo, mas com muito boa vontade, segue com o abraço de sempre!

      Eliminar
  19. “Sub-homens”

    Homem é sub produto
    Duma vida acelerada
    No futuro seu substituto
    Não será homem nem nada

    Mas apenas um tributo
    Perdido numa enseada
    Pois não soube ser astuto
    Ao ver-se na encruzilhada

    Seguindo a pior opção
    Esgotou sua capacidade
    Viu seu ego assaltado

    Envolto num turbilhão
    Vida adquiriu velocidade
    E o ser foi ultrapassado.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Gente explorada...

      Quanta vez mal entendido,
      Quanta e quanta vez explorado,
      O pobre homem referido
      Foi, somente, abandonado,

      Seu valor, foi preterido,
      De alguma forma, roubado,
      E até lhe chamam "bandido"
      Del`fazendo um desgraçado...

      Quanta vez terá sonhado,
      Sendo-lhe o sonho "engolido",
      Sendo-lhe o valor negado?

      Ele ou ela... o desmentido
      Aqui fica assinalado...
      E, assim, faz bem mais sentido!


      M. João

      Cá vai, meio às três pancadas porque a pen deve estar mesmo a acabar... abraço grande!





      Eliminar
  20. Respostas
    1. ... estou eu, cheia de fronteiras, Poeta! A "fronteira da ligação" tem-me feito "das boas", hoje... só agora consigo ir ao Chá...

      Eliminar
  21. Respostas
    1. Estou na pen, Poeta! A desgraçada da ligação deve estar a ser vítima da crise...

      Eliminar
  22. Respostas
    1. Estou, de novo, na pen... espero que ela ainda tenha "carga" para me deixar ir ver essas gotas de chá...

      Eliminar
  23. Respostas
    1. Ahhhh, Poeta... isto, na minha família, já vem de há pelo menos três gerações

      A minha avó materna, sempre agarrada à sua canecazinha de chá, já contava que a sua mãe fazia o mesmo! A minha mãe, idem aspas, e eu... é como lhe digo; passo o dia de canecazinha de chá na mão...

      Curiosamente, todas nós preferimos uma bela duma caneca de cerâmica a uma tradicionalíssima chávena de porcelana

      Rebeldias

      Eliminar
  24. “Ventania”

    Palavras leva-as o vento
    E o vento também as traz
    Sob o céu muito cinzento
    Pode ser crítica mordaz

    Pode ser brisa d'esperança
    Pode bem ser um furacão
    Ou são ventos de mudança
    Esses que não mudam não

    Mil maneiras de ventar
    Mil e uma de bacalhau
    Quando é p'ra cozinhar

    Mas o vento a assobiar
    Não tem um discurso mau
    Na prática é p'ra enganar.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Palavras ao vento!


      ... algumas fazem barulho,
      Outras, de melodiosas,
      São, quais pétalas de rosas,
      Filhas do mais puro orgulho...

      De lixo, monturo, entulho,
      Se cobrem quando, vaidosas,
      Julgarem que ser formosas
      Lhes enche o fértil "bandulho"...

      Dou, a algumas, atenção,
      E, a outras, nem oiço, não...
      Cuido mais das que são minhas

      E caminham, direitinhas,
      Do fundo do coração
      Aos dedos da minha mão...


      Maria João


      Cá vai, com os votos de uma boa noite e de um excelente feriado! Abraço!!!

      Eliminar
  25. “E o povo...”

    Novo dono disto tudo
    É o povo do meu país
    Se não há nada de novo
    Fala bem quem assim diz

    Seus dignos representantes
    Habitam num hemiciclo
    Fica tudo como dantes
    Se não chega o fim do ciclo

    E o povo segue votando
    E o povo segue gozando
    E o povo segue mirando

    E o povo segue comentando
    E o povo nada mudando
    É um povo muito brando.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Palavras do "bom" Salgado,
      Arremedando a doçura
      Antes de ver-se tramado,
      A ver sorte lhe dura...

      Pouco sei do revelado
      Porque, hoje, andava à procura
      Do que há no supermercado,
      Pr`a que houvesse mais fartura,

      Não ouvi falar Salgado,
      Esqueci-me da serradura,
      Ficou-me o caldo entornado

      E, com tão grande aventura,
      Toquei no fogão ligado,
      Fiz enorme queimadura*...


      Maria João

      * mentira! Não me queimei nada, foi só para rimar

      Cá vai com o abraço de sempre, Poeta!

      Eliminar
  26. “Contabilidade do reino”

    Está preso o motorista
    Que diz não se vai calar
    Apareceu o contabilista
    E está disposto a falar

    Vamos saber a verdade
    Àcerca da governação
    Conhecer a contabilidade
    Pertença do bom ladrão

    Sem lugar a ingenuidade
    Sem espaço p'ra um sermão
    Aos peixes deste aquário

    Onde reina a inequidade
    Onde por menos de tostão
    Se faz rei um salafrário.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
  27. Respostas
    1. é o que me vai restando, Poeta... vou lá vê-lo, se a ligação mo permitir...

      Eliminar
  28. “Arena fantástica”

    As irmãs fazem bolos
    Vendidos em restaurantes
    O irmão faz de nós tolos
    Fica tudo como dantes

    Está o circo montado
    P'ra gaúdio da sociedade
    Anda o povo enganado
    Com os arautos da verdade

    Bilhete caro vai pagar
    Pr'ocupar os corredores
    Ver na arena os leões

    O circo vai começar
    Entram os gladiadores
    Encerram-se já os portões.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Encerrem portas, portões,
      Tudo aquilo que quiserem,
      Mas deixem lá os leões
      Que estão em paz... se comerem

      E entre tantas libações,
      Dêem paz aos que entenderem
      Derrubar os dos milhões
      E os demais que os precederem!

      Deixem bolos e balões
      Pr`a todos quantos quiserem
      Grandes condecorações

      E, entretanto, se puderem,
      Pensem nas revoluções
      E nos frutos que elas derem...


      Maria João


      Cá vai com o abraço de sempre, Poeta!

      Eliminar
  29. Respostas
    1. Bolsista de... bolsa? Aquela coisa atroz onde se "jogam"os resultados das relações de causa efeito entre os "chiliques" e as megalomanias dos grandes mercados???

      Bem... vou lá vê-lo!

      Eliminar
  30. “Escuridão”

    Tenho pena desse irmão
    Que crianças assassina
    É desprovido de coração
    Tem a mente pequenina

    Apresentou justificação
    Nada o pode justificar
    Não pode obter perdão
    Não se pode vangloriar

    Em face desta escalada
    Às profundezas do inferno
    Não sobra nenhuma opção

    Humanidade está condenada
    À dureza dum inverno
    Em que as trevas voltarão.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tom-sobre-tom...

      Não creio em trevas eternas,
      Mas sei que há falhas tremendas
      Abertas, como as cavernas,
      Tão negras quanto as contendas...

      Sei que as soluções fraternas
      Nunca virão como as prendas
      E que, nas eras modernas,
      É melhor que o compreendas

      Mas que entendas, finalmente,
      Que pregar tanta desgraça
      É pior, pr` a muita gente,

      Do que acreditar que a "raça"
      Vai "passar" tão simplesmente
      Quanto a nuvem que além passa...

      Maria João


      Cá vai, muito mauzito e apressado, mas sabendo o que diz, o meu "Tom-sobre-tom" que leva o abraço grande de sempre e os meus votos de feliz Natal.

      Eliminar
  31. “Aclamação”

    Na baía dos porcos acabou
    Toda a anterior porcaria
    Obama a Castro falou
    Tudo terminou nesse dia

    O povo então aclamou
    Mas enganado não sabia
    Guantanamo lá continuou
    Tortura assim prosseguia

    São os povos enganados
    Por mil e um malabarismos
    Em que a verdade é roubada

    Nos festejos engalanados
    Iludem-nos com eufemismos
    Vemos a porcaria aclamada.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ovação aos patriotas cubanos

      Talvez seja... ou talvez não!
      Teve "a luta" o seu papel
      E, a par da contradição,
      Falou... o prémio Nobel

      Presidindo à locução,
      Com palavras a granel,
      Dizendo ter solução
      Pr´a tanto mal, tanto fel...

      Aos que foram libertados,
      Deixo o calor deste abraço...
      Venham já mais resultados!

      Se digo que o faço... faço;
      Sejam sempre ovacionados
      Os que lutam sem cansaço!


      Maria João

      Vai muito desafinadito, mas é a ovação possível, neste momento. Forte abraço, Poeta.

      Eliminar
  32. MINISTRA DA ESCURIDÃO

    Uma ministra com cristas
    Julgando-se em assunção
    Quis assumir funções mistas
    E em todas foi decepção.

    Se farejasse outras pistas
    Podia, até, ter razão
    E ser, com largas vistas,
    Ministra da escuridão…

    Agricultura, não temos
    Pescas e outras, também não
    Ordenamento, ainda menos

    Perdoe-me estes dislates
    Ministra Dona Assunção
    Mas nós nem temos tomates!...

    Eduardo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Foi fraca, mas "deu nas vistas"
      Essa tal dissertação
      Que ministra Assunção Cristas
      Foi fazer à T`levisão

      E estas senhoras ministras
      Dão-nos cabo da razão
      Tentando ser socorristas
      Dos despojos da nação...

      D`Agricultura, o que vemos
      É sempre a grande aflição
      Que todos nós já sabemos

      E, ouvindo tais disparates,
      Já mal fujo à tentação
      De atirar-lhe os tais... tomates!


      Maria João

      Cá vai, amigo Eduardo, muito "manquejante", mas jorrando com prontidão, o sonetilho que me foi sugerido pela leitura do seu

      Os meus votos de um muito Feliz Natal e o fraterno abraço de sempre!

      Eliminar
  33. “Vós sabeis”

    É Natal e vós sabeis
    O menino há-de nascer
    E para guiar os reis
    A estrela há-de aparecer

    Trinta e três anos volvidos
    Um outro rei surgirá
    A ninguém dará ouvidos
    E o menino matará

    Toda a voz dissonante
    Tende a ser distorcida
    Desde tempo ancestral

    De todas a mais importante
    Foi prova de amor e vida
    E vós sabeis é Natal.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bem sei!


      Bem sei, mas... quem mataria
      Uma espécie toda inteira?
      Quem, tão louco, o tentaria
      E, afinal... de que maneira?

      Quem fará tanta razia,
      Tão grande e tão tola asneira?
      Ganha, a Vida, a "lotaria",
      Sofre, a morte, uma rasteira...

      Viva a vida sobre a Terra!
      Possa a vida eternizar-se
      Contra a fome e contra a guerra!

      Possa a "maldição" lixar-se
      No terror em que nos ferra
      E, o vivente, organizar-se!


      Maria João

      Cá vai com o abraço de sempre, Poeta!
      Não nasceu exactamente à martelada, mas foi um bocadinho à paulada... e acabo de descobrir uma ou outra dissonância no soneto que publiquei hoje no Fb, mas acho melhor esperar um pouco antes de ir fazer a revisão. As pressas dão sempre mau resultado.

      Que o vosso Natal seja muito, muito bom!


      Eliminar
  34. “Reencontro”

    Ao ano que vem
    Ele trará esperança
    Nascido em Belém
    Sob estrela que dança

    Pregado na cruz
    Mas não derrotado
    Seu nome é Jesus
    Hoje reencontrado

    Enumera a doença
    Do poder instalado
    Que se julga imortal

    Mas cairá em descrença
    Se não vir renovado
    O seu voto ancestral.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não consigo responder,
      A conexão já falhou,
      Não sei o que hei-de fazer
      Nem se o que escrevi ficou...

      Sei que consegui escrever,
      Mas que a tarefa custou!
      Se o verso desaparecer,
      Não fui eu quem não tentou...

      Desse inteligente amor
      Muito eu teria a dizer,
      Mas falha o computador

      E o verso parece flor
      Que nunca chega a crescer
      E acaba sem ter valor...


      M. João




      Feliz Natal, Poeta!!!

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

NAS TUAS MÃOS

MULHER

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas