SONETO SEM SAÍDA
(Em decassílabo heróico)
Há sempre um beco escuro e sem saída
Na estrada em que esta vida se percorre,
Um espaço onde mais nada se descobre
E aonde, finalmente, é revivida
Essa que, então, foi sendo percorrida,
Mas que, em chegando ali, onde não sobre
Nem sombra desse mais que nos socorre
Antes de a descobrirmos, tão traída
Que mais nenhum poema nos ocorre
Pois, diante de nós, tudo é tão pobre
E tão dura a parcela percorrida
Que sabemos, então; “Nada é mais nobre
Do que acabarmos já, sem que nos dobre
Ninguém, nem coisa alguma, a própria vida”
Maria João Brito de Sousa – 20.02.2015 – 13.24h
Imagem retirada do Google
Chá tem que ser.
ResponderEliminarVou vê-lo enquanto posso, Poeta!
Eliminar“Dignos”
ResponderEliminarE agora a dignidade
Discutida a preceito
Não é digna a sociedade
Que nos aperta o peito
Nos retira o ganha-pão
E nos ignora amiúde
Idolatra-nos em eleição
Não nos paga a saúde
Nos centros de decisão
Decidem a austeridade
Permitem a corrupção
Dignificam a vaidade
Mentem com convicção
Como quem fala verdade.
"Como quem fala verdade",
EliminarVão mascarando a mentira...
Escondem, nessa atrocidade,
Todo o pão que ela nos tira
Mentem, roubam dignidade,
Fazem dessa "dança" um "vira"
Que dançamos sem vontade
Com receio que nos fira...
Nada tenho e pouco faço,
Sou mesmo um "caso isolado"
Mas, num versejar benigno,
Sempre sinto que o cansaço
Pode ser posto de lado
E o versejo é muito digno...
Maria João
Cá vai, enquanto vou podendo, Poeta, com o abraço de sempre!
ResponderEliminarCaríssima poetisa,
A vida é luta, milagres, renúncias e decepções, mas acima de tudo isso Deus manda luz a muitos corações. Você é uma dessas almas iluminadas. Que Deus te abençoe e te guarde!
Veio-me essa reflexão:
Pelas estradas longas desta vida
As trilhas nos aprontam as surpresas
Que deixam luzes nesta alma ferida,
Em sonhos, decepções e incertezas.
Muito grata pelas suas palavras, Adílio Belmonte!
EliminarFraterno abraço!
Chá ilógico.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar“De mentes”
ResponderEliminarFoi à porta da loucura
Qu’espreitou a insanidade
P´lo buraco da fechadura
Sem revelar ansiedade
Aguardou o tempo exacto
Pr’atacar qualquer mente
Dum incauto em abstracto
Que de forma displicente
Sanidade deu de barato
Julgando ser indiferente
O ponto de intersecção
Entre pensamento e acto
Mas o cérebro já demente
Tarde verificou que não.
Tanta demência, em conjunto,
EliminarMais parece o desgoverno
Que transforma cada assunto
Num pedacinho de inferno,
Que, estando quase defunto,
Não será, decerto, eterno,
Mas não nos livra o "bestunto"
De um descalabro... moderno...
Tendo siso - até demais... -
Quem me dera que a demência
Dos espaços virtuais,
Pudesse mostrar clemência
Pelos dons vocacionais
Que estão pr`além da aparência...
Maria João
Aqui vai, Poeta, o que me ocorreu, assim de repente, em cima da hora de mais uma consulta, entre enjoos e muitas dores... de cabeça e não só.
Abraço grande!
“Levemente”
ResponderEliminarChamam leve levemente
É a ponte virtual
Sem um projecto em mente
Reactivá-la é brutal
Não sei se será decente
Se faço bem ou faço mal
Será uma escrita diferente
E de âmbito experimental.
Zé da ponte ( Ponte Virtual )
Faz bem, Poeta, faz bem,
EliminarMas não posso garantir
Por quanto tempo ela vem
Cumprir a função de unir...
Não tarda, já não estarei
Neste espaço, a navegar,
Nem sei se conseguirei
Resistir e respirar...
Enquanto puder, cá estou!
Até ao fim, sem falhar,
Dando o pouco que vos dou
Enquanto possa falar,
Mostrarei que esta que sou
Chega ao fim sem se calar...
Maria João
Aqui vai, Poeta, muito, muito, muito "feito a martelo", porque eu nem sei como ainda o consegui fazer. .. mas sempre com o abraço grande de todos os dias!
“Início”
ResponderEliminarProcesso de mutação
Processo emocional
Inicio a paginação
Do caderno virtual.
Zé da ponte
Ficarei, então, a aguardar novas revelações sobre o dito processo de mutação, Poeta. Enquanto me for dado navegar por este espaço, claro.
Eliminar... e estando pior, nem me lembrava do abraço de sempre, que segue agora.
Eliminar“Não sei”
ResponderEliminarDa vida estou farto
Da sopa estou farto
Este nó eu não desato
É ciência em desacato
Da imensidão estou farto
E da pequenez também
Recolho já ao meu quarto
Só da morte não sei.
Zé da Ponte
É gigantesca, a difr`ença
EliminarEntre a angústia sem razão
E a da vida que nos "prensa"
E, de vez, nos diz que não...
Aquele que a vida dispensa
Numa plena negação,
Está doente e já nem pensa
Numa humana dimensão
Mas se, bem pelo contrário,
É a vida que lhe exige
Aquilo que já nem tem,
Muda a coisa de cenário
E toda a angústia que aflige
É razoável, também...
Maria João
Aqui vai, Poeta, enquanto posso e sempre com um abraço grande!
“Real”
ResponderEliminarRealidade corta a direito
Sem espaço à ficção
Tu que espreitas dissimulado
Não esperes a supernova
Segue o caminho da estrela
Molda o mar e o coração.
Zé da Ponte
Moldo mar e coração
EliminarMas não moldo "capital",
Nem o mais que, a bem ou mal,
Me impõe nova inibição...
Tenho motivo e razão
Pr`a estar como estou... tal, qual!
Maria João
Com o meu abraço de sempre, Poeta!
“Da vida”
ResponderEliminarDo nada surge a vida
Esse milagre supremo
Ao nada se consigna,
Do mar surge a maré
Essa força natural
Envolve a fina areia,
No universo a estrela
Luz imensa a galopar
Produz vida, cintila no mar.
Zé da ponte
Amigos, já sem armas me aproximo
EliminarDo culminar do pouco que vos dei
E, do que me sabia, já nem sei,
E, por não mais sabê-lo, desanimo...
Mas, desta força hercúlea a que me arrimo,
Surge ainda a palavra - o quanto a amei! -
E por ela me pauto e pautarei
No nome que me coube e que ora assino;
Maria João
Segue com o abraço de sempre, Poeta!
Chá cerebral.
ResponderEliminarVou ve-lo, Poeta!
Eliminar“Mudanças”
ResponderEliminarMudança não é urgente
Sabemos qual a razão
Por esta ser permanente
Ou não haveria evolução
Estariamos cristalizados
Sob a forma octogonal
Mesmo muito civilizados
Não passariamos de cristal
Por isso vamos mudando
Duma forma incessante
Como aqui fica provado
Embora sempre recusando
Em todo e qualquer instante
O facto de haver mudado.
Prof Eta
Nem sempre o recusaremos,
EliminarNem sempre a consciência emerge
Das mil coisas que fazemos,
Em tudo o que em nós converge...
Somos mudança e crescemos
Até no mais, que diverge
Do que pensamos que temos
Se a consciência, em nós, asperge
Farrapos de lucidez,
Mecanismos que analisam
Cada instante de "talvez"...
Mal as razões se divisam,
Logo ansiamos os porquês
Que nunca em nós se eternizam...
Maria João
Aqui vai o que me ocorreu a partir da leitura do seu sonetilho, Poeta! Forte abraço!
Olha o chá.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
EliminarChá do vígaro.
ResponderEliminarIrei vê-lo, Poeta!
Eliminar“Do mundo”
ResponderEliminarEra a história do mundo
Algures foi rejeitada
Ficou sem história o mundo
A vida foi enjeitada.
Zé da Ponte
História, essa parte integrante
EliminarDesta imensa humanidade,
Permanece, `inda que`errante,
Constrói-se, a bem da verdade...
M. João
Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!
“Voando”
ResponderEliminarTenho sede de voar
Nas asas do pensamento
Sinto a ideia chegar
Às vezes é o momento
Se se consegue libertar
Leva-a de novo o vento
Só me resta então esperar
É um desespero se tento
Sei que se vai acabar
Mas isso eu não lamento
Apenas quero aproveitar
Ao sentir a ideia chegar
Nas asas do pensamento
Mato a sede ao voar.
Voe então, meu caro amigo,
EliminarMate a sede que o devora
Que ter sede é sempre um p`rigo,
Mande a sua sede embora
Ou procure um sonho antigo,
Quando a sede se demora,
Voe nele, encontre abrigo,
Deixe a amargura lá fora,
Mas não perca a lucidez
Que a tantos já vai faltando
E, sem razão nem porquês,
Pr`a tão longe vai voando...
Voe o povo português,
Mas saiba fazê-lo em bando!
Maria João
Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!
Chá moral.
ResponderEliminarIrei vê-lo, Poeta!
Eliminar“Voa baixinho”
ResponderEliminarVoa o povo em bando
No território nacional
Vota de vez em quando
Pr’alimentar o arraial
Que depois vai secando
Nosso imenso pantanal
E de tanga passeando
Já se vê o pessoal
Para outros vai sobrando
Quase todo o vil metal
E alguns não se lembrando
Fizeram saque monumental
Este povo é tão brando
Só pode ser em Portugal.
Prof Eta
Do manual das instruções de vôo
EliminarSonetilho de coda
Se voares, ai, se voares,
Toma sempre a precaução
De, ao lançar-te pelos ares
Não perderes de vista o chão,
Pois sobre terras e mares
Planarás qual gavião
Mas, na mira de voltares,
Leva contigo a razão
E, do espaço onde planares,
Nunca percas a noção
Do tanto que conquistares
Nessa tua decisão
De a ti próprio te encontrares
Com tal determinação...
(... depois, assim que aterrares,
nunca as guardes no porão
pr`a nunca mais dispensares
asas, sonho, elevação...)
Maria João
Muito a despropósito, ou não, aqui vai o que me ocorreu, Poeta! Abraço grande!
“Teoria do nada”
ResponderEliminarO mundo num parágrafo
Na palavra o coração
A letra dá o sentido
Do nada nasce emoção.
Zé da Ponte
Emoção e Razão - Forças motrizes da Criatividade
EliminarPor tudo nasce emoção...
Cegamente obedecendo,
Romperá contradição
Do que dela for nascendo...
É, portanto, condição
Que nunca esqueço e defendo,
Ter em conta que a razão
Floresce como aloendro
E até esculpe uma paixão
Quando à paixão me não rendo,
Nem se rende a minha mão
Que nela vai concebendo
Cada nova dimensão
Que a razão lhe for trazendo...
Maria João
Poeta, aqui vai, com o abraço de sempre, o sonetilho que me nasceu desta leitura.
“Assombrado”
ResponderEliminarTuas sombras
Não são cinquenta
Nem vinte
Nem dez
Nem uma
Tu não tens sombra.
Zé da Ponte
À luz do dia,
EliminarCom sombra, ou não,
Escrevo alegria,
Solto a paixão
Sobre a alquimia
Espanto/Razão...
Maria João
Abraço grande, Poeta!
“Quixotes”
ResponderEliminarÉ completa a loucura
Mas sem grande precisão
Por isso a mesma descura
O processo de decisão
Comete actos de bravura
Contra alvos que o não são
Vê o sucesso que perdura
Na sua fértil imaginação
É um moinho d’esperança
Conquistado por dever
Simbolizando o dragão
D.Quixote e a sua lança
São a fonte do poder
Muito pr’além da razão.
Se é loucura, é imprecisa,
EliminarNão pode deixar de o ser,
Pois nada tem de concisa,
Sem disso se aperceber...
Sendo louca, sacraliza
Tudo quanto lhe aprouver,
Mas, sem metas, nunca visa
Vias para percorrer...
Bendigo o sal da razão
E a serena lucidez
De quem cultiva o seu pão
Reconhecendo os porquês
Das razões que traz na mão
Ou no coração, talvez...
Maria João
Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!