SONETO SEM SAÍDA

0-beco-do-hospital-da-mrinha.jpg


 


(Em decassílabo heróico)


 


Há sempre um beco escuro e sem saída


Na estrada em que esta vida se percorre,


Um espaço onde mais nada se descobre


E aonde, finalmente, é revivida


 


Essa que, então, foi sendo percorrida,


Mas que, em chegando ali, onde não sobre


Nem sombra desse mais que nos socorre


Antes de a descobrirmos, tão traída


 


Que mais nenhum poema nos ocorre


Pois, diante de nós, tudo é tão pobre


E tão dura a parcela percorrida


 


Que sabemos, então; “Nada é mais nobre


Do que acabarmos já, sem que nos dobre


Ninguém, nem coisa alguma, a própria vida”


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 20.02.2015 – 13.24h


 


 


Imagem retirada do Google


 


 


 


 

Comentários

  1. “Dignos”

    E agora a dignidade
    Discutida a preceito
    Não é digna a sociedade
    Que nos aperta o peito

    Nos retira o ganha-pão
    E nos ignora amiúde
    Idolatra-nos em eleição
    Não nos paga a saúde

    Nos centros de decisão
    Decidem a austeridade
    Permitem a corrupção

    Dignificam a vaidade
    Mentem com convicção
    Como quem fala verdade.

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    1. "Como quem fala verdade",
      Vão mascarando a mentira...
      Escondem, nessa atrocidade,
      Todo o pão que ela nos tira

      Mentem, roubam dignidade,
      Fazem dessa "dança" um "vira"
      Que dançamos sem vontade
      Com receio que nos fira...

      Nada tenho e pouco faço,
      Sou mesmo um "caso isolado"
      Mas, num versejar benigno,

      Sempre sinto que o cansaço
      Pode ser posto de lado
      E o versejo é muito digno...


      Maria João


      Cá vai, enquanto vou podendo, Poeta, com o abraço de sempre!

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  2. Caríssima poetisa,

    A vida é luta, milagres, renúncias e decepções, mas acima de tudo isso Deus manda luz a muitos corações. Você é uma dessas almas iluminadas. Que Deus te abençoe e te guarde!

    Veio-me essa reflexão:

    Pelas estradas longas desta vida
    As trilhas nos aprontam as surpresas
    Que deixam luzes nesta alma ferida,
    Em sonhos, decepções e incertezas.

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  3. “De mentes”

    Foi à porta da loucura
    Qu’espreitou a insanidade
    P´lo buraco da fechadura
    Sem revelar ansiedade

    Aguardou o tempo exacto
    Pr’atacar qualquer mente
    Dum incauto em abstracto
    Que de forma displicente

    Sanidade deu de barato
    Julgando ser indiferente
    O ponto de intersecção

    Entre pensamento e acto
    Mas o cérebro já demente
    Tarde verificou que não.

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    1. Tanta demência, em conjunto,
      Mais parece o desgoverno
      Que transforma cada assunto
      Num pedacinho de inferno,

      Que, estando quase defunto,
      Não será, decerto, eterno,
      Mas não nos livra o "bestunto"
      De um descalabro... moderno...

      Tendo siso - até demais... -
      Quem me dera que a demência
      Dos espaços virtuais,

      Pudesse mostrar clemência
      Pelos dons vocacionais
      Que estão pr`além da aparência...

      Maria João

      Aqui vai, Poeta, o que me ocorreu, assim de repente, em cima da hora de mais uma consulta, entre enjoos e muitas dores... de cabeça e não só.
      Abraço grande!

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  4. “Levemente”


    Chamam leve levemente
    É a ponte virtual
    Sem um projecto em mente
    Reactivá-la é brutal
    Não sei se será decente
    Se faço bem ou faço mal
    Será uma escrita diferente
    E de âmbito experimental.

    Zé da ponte ( Ponte Virtual )

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    Respostas
    1. Faz bem, Poeta, faz bem,
      Mas não posso garantir
      Por quanto tempo ela vem
      Cumprir a função de unir...

      Não tarda, já não estarei
      Neste espaço, a navegar,
      Nem sei se conseguirei
      Resistir e respirar...

      Enquanto puder, cá estou!
      Até ao fim, sem falhar,
      Dando o pouco que vos dou

      Enquanto possa falar,
      Mostrarei que esta que sou
      Chega ao fim sem se calar...

      Maria João

      Aqui vai, Poeta, muito, muito, muito "feito a martelo", porque eu nem sei como ainda o consegui fazer. .. mas sempre com o abraço grande de todos os dias!



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  5. “Início”


    Processo de mutação
    Processo emocional
    Inicio a paginação
    Do caderno virtual.

    Zé da ponte

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    1. Ficarei, então, a aguardar novas revelações sobre o dito processo de mutação, Poeta. Enquanto me for dado navegar por este espaço, claro.

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    2. ... e estando pior, nem me lembrava do abraço de sempre, que segue agora.

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  6. “Não sei”

    Da vida estou farto
    Da sopa estou farto
    Este nó eu não desato
    É ciência em desacato
    Da imensidão estou farto
    E da pequenez também
    Recolho já ao meu quarto
    Só da morte não sei.

    Zé da Ponte

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    1. É gigantesca, a difr`ença
      Entre a angústia sem razão
      E a da vida que nos "prensa"
      E, de vez, nos diz que não...

      Aquele que a vida dispensa
      Numa plena negação,
      Está doente e já nem pensa
      Numa humana dimensão

      Mas se, bem pelo contrário,
      É a vida que lhe exige
      Aquilo que já nem tem,

      Muda a coisa de cenário
      E toda a angústia que aflige
      É razoável, também...

      Maria João

      Aqui vai, Poeta, enquanto posso e sempre com um abraço grande!

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  7. “Real”

    Realidade corta a direito
    Sem espaço à ficção
    Tu que espreitas dissimulado
    Não esperes a supernova
    Segue o caminho da estrela
    Molda o mar e o coração.

    Zé da Ponte

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    Respostas
    1. Moldo mar e coração
      Mas não moldo "capital",
      Nem o mais que, a bem ou mal,
      Me impõe nova inibição...
      Tenho motivo e razão
      Pr`a estar como estou... tal, qual!

      Maria João


      Com o meu abraço de sempre, Poeta!

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  8. “Da vida”

    Do nada surge a vida
    Esse milagre supremo
    Ao nada se consigna,
    Do mar surge a maré
    Essa força natural
    Envolve a fina areia,
    No universo a estrela
    Luz imensa a galopar
    Produz vida, cintila no mar.

    Zé da ponte

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    Respostas
    1. Amigos, já sem armas me aproximo
      Do culminar do pouco que vos dei
      E, do que me sabia, já nem sei,
      E, por não mais sabê-lo, desanimo...
      Mas, desta força hercúlea a que me arrimo,
      Surge ainda a palavra - o quanto a amei! -
      E por ela me pauto e pautarei
      No nome que me coube e que ora assino;

      Maria João

      Segue com o abraço de sempre, Poeta!

      Eliminar
  9. “Mudanças”

    Mudança não é urgente
    Sabemos qual a razão
    Por esta ser permanente
    Ou não haveria evolução

    Estariamos cristalizados
    Sob a forma octogonal
    Mesmo muito civilizados
    Não passariamos de cristal

    Por isso vamos mudando
    Duma forma incessante
    Como aqui fica provado

    Embora sempre recusando
    Em todo e qualquer instante
    O facto de haver mudado.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Nem sempre o recusaremos,
      Nem sempre a consciência emerge
      Das mil coisas que fazemos,
      Em tudo o que em nós converge...

      Somos mudança e crescemos
      Até no mais, que diverge
      Do que pensamos que temos
      Se a consciência, em nós, asperge

      Farrapos de lucidez,
      Mecanismos que analisam
      Cada instante de "talvez"...

      Mal as razões se divisam,
      Logo ansiamos os porquês
      Que nunca em nós se eternizam...


      Maria João


      Aqui vai o que me ocorreu a partir da leitura do seu sonetilho, Poeta! Forte abraço!






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  10. “Do mundo”

    Era a história do mundo
    Algures foi rejeitada
    Ficou sem história o mundo
    A vida foi enjeitada.

    Zé da Ponte

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    1. História, essa parte integrante
      Desta imensa humanidade,
      Permanece, `inda que`errante,
      Constrói-se, a bem da verdade...


      M. João

      Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!

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  11. “Voando”

    Tenho sede de voar
    Nas asas do pensamento
    Sinto a ideia chegar
    Às vezes é o momento

    Se se consegue libertar
    Leva-a de novo o vento
    Só me resta então esperar
    É um desespero se tento

    Sei que se vai acabar
    Mas isso eu não lamento
    Apenas quero aproveitar

    Ao sentir a ideia chegar
    Nas asas do pensamento
    Mato a sede ao voar.

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    Respostas
    1. Voe então, meu caro amigo,
      Mate a sede que o devora
      Que ter sede é sempre um p`rigo,
      Mande a sua sede embora

      Ou procure um sonho antigo,
      Quando a sede se demora,
      Voe nele, encontre abrigo,
      Deixe a amargura lá fora,

      Mas não perca a lucidez
      Que a tantos já vai faltando
      E, sem razão nem porquês,

      Pr`a tão longe vai voando...
      Voe o povo português,
      Mas saiba fazê-lo em bando!

      Maria João

      Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!


      Eliminar
  12. “Voa baixinho”

    Voa o povo em bando
    No território nacional
    Vota de vez em quando
    Pr’alimentar o arraial

    Que depois vai secando
    Nosso imenso pantanal
    E de tanga passeando
    Já se vê o pessoal

    Para outros vai sobrando
    Quase todo o vil metal
    E alguns não se lembrando

    Fizeram saque monumental
    Este povo é tão brando
    Só pode ser em Portugal.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Do manual das instruções de vôo

      Sonetilho de coda


      Se voares, ai, se voares,
      Toma sempre a precaução
      De, ao lançar-te pelos ares
      Não perderes de vista o chão,

      Pois sobre terras e mares
      Planarás qual gavião
      Mas, na mira de voltares,
      Leva contigo a razão

      E, do espaço onde planares,
      Nunca percas a noção
      Do tanto que conquistares

      Nessa tua decisão
      De a ti próprio te encontrares
      Com tal determinação...

      (... depois, assim que aterrares,
      nunca as guardes no porão
      pr`a nunca mais dispensares
      asas, sonho, elevação...)

      Maria João


      Muito a despropósito, ou não, aqui vai o que me ocorreu, Poeta! Abraço grande!

      Eliminar
  13. “Teoria do nada”

    O mundo num parágrafo
    Na palavra o coração
    A letra dá o sentido
    Do nada nasce emoção.

    Zé da Ponte

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Emoção e Razão - Forças motrizes da Criatividade

      Por tudo nasce emoção...
      Cegamente obedecendo,
      Romperá contradição
      Do que dela for nascendo...

      É, portanto, condição
      Que nunca esqueço e defendo,
      Ter em conta que a razão
      Floresce como aloendro

      E até esculpe uma paixão
      Quando à paixão me não rendo,
      Nem se rende a minha mão

      Que nela vai concebendo
      Cada nova dimensão
      Que a razão lhe for trazendo...

      Maria João

      Poeta, aqui vai, com o abraço de sempre, o sonetilho que me nasceu desta leitura.


      Eliminar
  14. “Assombrado”

    Tuas sombras
    Não são cinquenta
    Nem vinte
    Nem dez
    Nem uma
    Tu não tens sombra.

    Zé da Ponte

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    Respostas
    1. À luz do dia,
      Com sombra, ou não,
      Escrevo alegria,
      Solto a paixão
      Sobre a alquimia
      Espanto/Razão...

      Maria João

      Abraço grande, Poeta!

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  15. “Quixotes”

    É completa a loucura
    Mas sem grande precisão
    Por isso a mesma descura
    O processo de decisão

    Comete actos de bravura
    Contra alvos que o não são
    Vê o sucesso que perdura
    Na sua fértil imaginação

    É um moinho d’esperança
    Conquistado por dever
    Simbolizando o dragão

    D.Quixote e a sua lança
    São a fonte do poder
    Muito pr’além da razão.

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    1. Se é loucura, é imprecisa,
      Não pode deixar de o ser,
      Pois nada tem de concisa,
      Sem disso se aperceber...

      Sendo louca, sacraliza
      Tudo quanto lhe aprouver,
      Mas, sem metas, nunca visa
      Vias para percorrer...

      Bendigo o sal da razão
      E a serena lucidez
      De quem cultiva o seu pão

      Reconhecendo os porquês
      Das razões que traz na mão
      Ou no coração, talvez...


      Maria João


      Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!


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