GEADA NEGRA

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(Soneto em verso hendecassilábico)


 


Perdoai-me agora porque mais não posso,


Estou já pele e osso, quanto a poesia,


Do carnudo fruto que antes produzia,


Mal vejo o de outrora pequeno caroço,


 


Qual mero vestígio, qual simples destroço


Do que então criava, do que então escrevia,


Mesmo, em chão negado pela carestia,


Sendo um vago esquiço, sendo um mero esboço.


 


Vibram já machados sobre essa haste nua,


Sem um sol que a aqueça, sem que a esconda a lua,


Pois desta colheita contra-producente,


 


Sem mais flor que a anime, fruto que a alimente,


Fica só memória... quem sabe, a semente


De outra humana história que a tomar por sua?


 


 


Maria João Brito de Sousa – 10.03.2015 -16.21h


 


Nota – O meu primeiríssimo soneto em verso hendecassilábico.


 


 

Comentários

  1. “Sub poema”

    Poema sem sentido
    Sem alegria ou ferido
    Sem rima, alma ou côr
    De tristeza e tanta dôr
    Desprovido de emoção
    Espezinhado sem razão
    Foi poema mal parido
    Antes não fora nascido.

    Zé da Ponte

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    1. Nasceu. Mesmo pobre e feio,
      Mesmo sem sorte e sem esp`rança,
      Que cresça e se faça ouvir
      Sem vergonha e sem receio
      De ser poema em mudança,
      Se poema se sentir...


      Maria João

      Abraço, muito triste, mas grande, como sempre!

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  2. Uma evolução seguramente, gostei.
    E o que é hendecassilábico?

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    1. Olá, Poeta!

      Não, não tem mesmo nada a ver com evolução... é apenas uma nova experiência, uma ligeira mudança na fórmula métrica, dentro do reduzido e delicado universo da métrica aplicável ao soneto...

      Hendecassilábico é o nome que se dá ao verso composto por onze sílabas poéticas ou métricas. É exactamente o número de sílabas, bem como o posicionamento das sílabas átonas e tónicas, que lhe confere o inconfundível ritmo/cadência/melodia. ´É também exactamente por isso que o soneto se chama "soneto", do italiano "pequenina canção".

      Obrigada e um abraço grande!

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    2. O maestro Vitorino de Almeida falava do diabo na música, também o deve haver então no soneto ( pequenina canção ).

      https://www.youtube.com/watch?v=z1XL6PV9p18

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    3. Sim, sim, há mesmo, Poeta! O soneto também é uma verdadeira sinfonia! Pequenina, sem dúvida, mas uma sinfonia!

      O Maestro fala da sua música, a instrumental, e eu falo da "minha", a das palavras... o soneto é um perfeito exemplo da musicalidade da palavra, mas todas - todas, mesmo! - as palavras a têm e todas as línguas foram nascendo suportadas pela sua musicalidade/sonoridade... mas... agora é que reparei nesse pormenor do "diabo", eheheh. Olhe, eu nunca o vi... mas é capaz de haver mesmo um diabrete qualquer nos poemas "desafinados", eheheheh...

      Obrigada pelo link para a quinta do Beethoven, Poeta!!!

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  3. “Ruina moral”

    Não sinto chegar o passado
    Essa ponte para o futuro
    E no abismo do presente
    Vejo a humanidade ruir.

    Záe da Ponte

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    1. Pouco mais vislumbrarei
      De passados, de presentes,
      Dos futuros que lá vêm
      Mas, do que antes vislumbrei,
      Ficam mil votos ardentes
      (votos que ardem porque crêem...)

      Maria João

      Com o abraço de sempre, Poeta!

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  4. bela a tua "arte poética".... enorme talento o teu.

    beijo

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    1. Obrigada, Heretico!

      Como penso já te ter dito, estou impossibilitada de comentar todo e qualquer blog da Blogspot, mas visitarei o Relógio de Pêndulo.

      Forte abraço!

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  5. “Nós cidade”

    Janela da minh’alma
    Ao longe a felicidade

    Não é espelho da cidade
    Lá onde não reina calma
    Nem impera fraternidade

    Entristece-me a situação
    Nós cidade sem coração
    E sem alma na verdade.

    Zé da Ponte

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    1. Auscultemos,
      então,
      debruçando-nos
      do humano
      parapeito da vontade,
      o pulsar
      do coração possível
      na cidade grande...


      Maria João


      Abraço grande, Poeta!

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  6. “Perfeitamente”

    Imperfeição perfeita
    Pela crítica está sujeita
    À perfeita contradição
    Que lhe atribui a perfeição
    Mas de imperfeição não passa
    Por muito qu’a gente faça
    Só o olhar apaixonado
    Pode pôr a imperfeição de lado.

    Zá da ponte

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    1. Perfeccionista...

      Perfeição... conceito vago,
      mas sempre a meta a alcançar,
      tempera os versos que eu trago
      sem, contudo, os contemplar

      Com a beleza de um lago
      numa noite de luar,
      nem com truques de bom mago,
      ou com ceifeira a ceifar,

      Mas, por muito inalcançável
      que eu o saiba e reconheça,
      teimo em torná-lo viável,

      Letra a letra e peça a peça,...
      (como se achando provável
      que isso um dia me aconteça...)

      Maria João

      Cá vai, Poeta, com o abraço grande de sempre!

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  7. “Ruína”

    O orçamento eu lamento
    Não chega para asfalatar
    O orçamento eu lamento
    Não chega para tratar
    O orçamento eu lamento
    Não chega para educar
    O orçamento eu lamento
    Não chega para alimentar
    O orçamento de momento
    Só chega para matar.

    Zé da Ponte

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    1. Mata... e mata devagar,
      sem ter comiseração!
      Não tem pressa de matar,
      mas prepara de antemão
      cova pr`a nos enterrar...

      (estou já pronta pr`acabar,
      mas não me falta a razão...)


      Maria João

      Cá vai com o meu abraço de sempre, Poeta!

      Eliminar
  8. RETRATO-ÉVORA-2015.03.14

    PRAÇA do GERALDO sem pavor

    A esfregar as mãos frias,
    Pela porta giratória,
    Entra a história sem nobreza
    E a nobreza sem história.
    Sentam-se à mesma mesa,
    Soam as avé-Marias
    Na igreja, ali do lado
    Pela mesma giratória
    Sai a história com a nobreza
    E conversam sobre a estória
    Lida no editorial
    Dum pasquim amarrotado
    Com pretensões a jornal.
    Em cima da mesma mesa,
    Duas chávenas vazias
    Que verteram o seu calor
    Nos Geraldes sem pavor.

    Eduardo

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    1. "Prendeu-me", este seu poema aos Geraldos sem Pavor... quase, quase pude visualizar os homens lendo o seu jornal, bebendo o seu café, trocando impressões e saindo depois pela porta giratória... muito obrigada, amigo Eduardo!

      O meu fraterno abraço!

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  9. “Notícia fresca”

    Toda a notícia é ruído
    E todo o ruído é notíca
    Toda a verdade é verdade
    E toda a mentira também
    Toda a mentira é mentira
    E verdade só se convém.

    Zé da Ponte

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    1. Todo o ruído é notícia?
      Não o é... vai ser filtrado
      mas, de forma subreptícia,
      mesmo ao ser posto de lado,
      vai deixando, com malícia,
      o leitor gasto e cansado...

      Maria João

      Com o abraço de todos os dias Poeta!

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  10. “Revelação”

    Pôr do sol ao fim do dia
    Na manhã o recomeçar

    Dias há que ao terminar
    Com a vontade desfeita

    Só a longa noite espreita
    Parecendo não terminar

    Vontade ao regressar
    Revela a manhã perfeita.

    Zé da Ponte

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    1. Se perfeitas as manhãs,
      na conquista de outros dias,
      nunca, nunca, hão-de ser vãs,
      nem trazer monotonias...

      Quando imperfeitas, malsãs,
      trazem tais melancolias
      que nos prendem nos divãs
      das mais tristes agonias...

      Mas pior, pior que o resto,
      são as faltas da pobreza
      que gritam; "será que eu presto?

      Ou não ter nada na mesa,
      nem côdea no velho cesto,
      não são razão pr`a tristeza?"


      Maria João


      Foi o que me ocorreu, Poeta por isso segue com um abraço grande!

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  11. “Mundo Salgado”

    Peço desculpa ao mundo
    Porque não tenho razão

    Peço desculpa ao mundo
    Pela falta de compreensão

    Peço desculpa ao mundo
    Pelas faltas doutro irmão

    Espero que o mundo me desculpe
    Do fundo do seu coração.

    Zé da Ponte

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    Respostas
    1. Esse coração do mundo
      - que o mundo também o tem.... -
      Julga segundo eu lhe infundo
      E tu lhe infundes, também

      E, nisto, não me confundo
      Porque entendo muito bem
      Que se o crime ´mesmo imundo,
      Já nenhum perdão lhe vem...

      Não pude ouvir tal pedido,
      Mas terei por bem provável
      Que tenha sido emitido

      Nesse ponto inevitável
      Em que,, por estar dividido,
      Não se torna inimputável...

      Maria João

      Cá vai, Poeta, com um abraço grande!

      Eliminar
  12. À janela

    Dar-te-ei todo este poder
    Se o teu povo vergar
    Poderás sempre dizer
    Teres vindo p'ra nos enganar

    Podes alterar a mensagem
    Dourar o discurso final
    Mas que prestem vassalagem
    Não ao bem, mas sim ao mal

    Encarnação de satanás
    Que domina as relações
    Duma união apodrecida

    Onde a esperança de vida
    Dos povos destas nações
    Ainda não está decidida.

    Prof Eta

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    1. Que dizer-lhe se não vergo,
      Mas me calam não vergando?
      Se ainda protesto e me ergo,
      Mas vou parar, nem sei quando?

      Que dizer-lhe se há razões
      Bem mais fortes que a razão
      E que há brutais convenções
      Que em breve me calarão?

      Talvez não coisas do mal,
      Talvez não coisas do bem..
      Coisas de humano mortal

      Que, afinal, tão pouco tem
      E, em postura desigual,
      Esgota o pouco que o sustém...

      Maria João


      Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre

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  13. Cofre cheio

    Agora de cofre cheio
    Não de oiro do Brasil
    Mas o povo de permeio
    Sente as agruras mil

    Dívida tem que baixar
    Mas pura contradição
    Não pára de aumentar
    Como se fôra maldição

    E ao povo baralhado
    Parte-se e dá-se de novo
    Este jogo viciado

    E quem governa o povo
    Sente-se todo empolgado
    Pois apregoa algo novo.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. De paciência mais que cheia
      E a ponto de não escrever,
      Não porque me falte ideia,
      Mas por já não mais poder,

      Registo, ainda em "volteia",
      Quanto esta corja disser
      Mas meu castelo é de areia,
      Está-se quase a dissolver

      Sobre um solo em que rareia
      Nunca o que o faça crescer,
      Mas o tempo de odisseia

      Que há-de deitá-lo a perder
      Depois desta longa estreia
      Que o foi dando a conhecer...


      Maria João

      Muito feito à pressa (terei de sair de novo...), mas cá vai, com o abraço de sempre!

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