SONETO DO MAL MENOR
(Em decassílabo heróico)
Dá-me o ramo das rosas perdulárias
comprado na florista já esquecida,
armado no “bouquet” morto e sem vida
das almas condenadas, solitárias...
Dá-me uma – mais serão desnecessárias...-
no ramo em que a chorei, porque, à partida,
lhe condeno a razão de ser colhida,
deixando, na raiz, funções tão várias,
Juro que não protesto... e mais não digo!
Hoje perco a raiz, enfrento o p`rigo
e estou pronta a render-me sem chorar,
Se o derradeiro golpe, esse inimigo
que me arranca do mundo em que me abrigo,
me degolar, de vez, sem me magoar.
Maria João Brito de Sousa – 26.03.2015- 15.08h
Nas asas do caos
ResponderEliminarNas asas da loucura
Humanidade pereceu
No diploma a assinatura
Sangue de quem morreu
A saudável magistratura
Nunca sequer entendeu
Como pode uma criatura
Devastar o que não é seu
Mas a razão não perdura
Se o todo enlouqueceu
Nem existem bons ou maus
Existe realidade impura
Que ao todo se estendeu
Voando nas asas do caos.
Prof Eta
Vamos sendo, com efeito,
EliminarÀ loucura conduzidos,
Empurrados a preceito
Por traidores e por vendidos
Que nos roubam tecto e leito
E nos querem convencidos
Que devemos prestar preito
Aos mais loucos dos bandidos...
Todos merecem, sem dó,
Levar com pedras e paus
Porque um mal nunca vem só
E esses bandidos, tão maus
Hão-de transformar-se em pó
Antes de imporem tal caos!
Maria João
Cá vai muito pouco melodioso, mas conforme me foi ocorrendo, Poeta! Abraço grande!
VIP
ResponderEliminarOs VIP's em Portugal
Estão em vias de extinção
Somos um pequeno quintal
Mais que quatro não serão
Merecem ser preservados
Para a espécie perpetuar
Serão alvo de cuidados
Que lhes iremos dispensar
Uma reserva criaremos
Onde serão alimentados
E ninguém os apoquenta
Em breve resultado veremos
Pois assim tão bem tratados
Serão uns cento e cinquenta.
Prof Eta
Decerto procriarão,
EliminarMuito embora desprezáveis...
Se por ora, quatro são,
Como as oisas fermentáveis
Muito mais de mil serão
Na lista dos miseráveis
Que desprezam seu irmão
Pr`a se ostentarem "notáveis"
A quem nunca falta o pão,
Nem as coisas agradáveis
De que nem se lembrarão
Porque se sentem tão estáveis
Que, mesmo contra a razão,
Se imaginam razoáveis...
Maria João
Muito boa, esta sua "reserva de vips", Poeta! Muito boa, mesmo!
Aqui vai o meu, arrancado à força à minha indisposição. Foi o que me "saiu" e segue com o abraço de sempre!
“Fábula popular”
ResponderEliminarA cigarra já não canta
Formiga já não labuta
Ao povo já nada espanta
Vindo dos filhos da outra
O gafanhoto morreu
Fez-se paz à sua alma
E o povo adormeceu
Embalado na tarde calma.
Zé da Ponte
Labuta, ainda, a formiga
EliminarE a cigarra, trautendo,
Continuará labutando
Na sua eterna cantiga
Porque a tanto a vida obriga...
Nesta história, muito antiga,
Que há-de acabar não sei quando,
Ambas irão trabalhando
Enquanto a espiga for espiga...
Maria João
Cá vai, muito à pressa porque estou de saída, mas com o abraço de sempre!
“Miragens”
ResponderEliminarVou embebedar-me de poesia
Mas não perderei a razão
Da noite far-se-á dia
Já que é essa a missão
Ressacado de versos mil
Cambaleante me levantarei
No deserto o óasis de Abril
É visão em que não acreditarei .
Zé da Ponte
Sim, muito pelo contrário!
EliminarQuem conheça a poesia
e a beba em demasia,
não se sente solitário
e fica, de modo vário,
ciente do que faria
se pudesse, dia a dia,
fazer vingar esse erário
tão vasto, tão solidário
e tão rico em melodia...
Maria João
Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!
“Vertiginosa mente”
ResponderEliminarViajo incessantemente
Não encontrando já
Pedaços de outrora,
Jazém reminiscências
Do presente prometido
Dum futuro comprometido,
Numa viagem alucinante
Por esta mente
Que agora me mente.
Zé da Ponte
Coerente mente
EliminarNem sempre, nem sempre,
essa enganadora
se mostra invasora;
nem sempre te mente...
Se a sabes usar,
não deves temê-la
e serve-te dela
sem dela abusar...
Mas, se estás doente,
se em ti não confias,
por mais que sorrias,
não ficas dif`rente...
(... e então é que a mente,
demente, te mente...)
Maria João
Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!
“Tudo”
ResponderEliminarTudo resulta despido
Na galáxia cintilante
Dada a sua dimensão
Aquilo que é proferido
Não ressoa tão distante
Convidando à reflexão
Cada orgulho ferido
Apenas insignificante
Não justifica a razão.
Zé da Ponte
Sem razão, da massa imensa
EliminarQue hoje vamos conhecendo,
Como pode - se não pensa... -
Saber mais do que está vendo?
Ah, ninguém conhece tudo!
Nem o "tudo" parará
Pr`a que eu saiba que me iludo
Ao conceber tudo o que há,
Tudo, crescendo, se expande,
Se move e se reconstrói...
O pequeno, o muito grande,
O que acalma, o que nos dói
E essa beleza crescente
De ir sabendo um pouco mais
Funciona, qual reagente,
Dá vida as questões banais...
Maria João
Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre e com um pedido especial e único ao longo de todos estes anos em que trocamos versos. Defina "tudo", por favor se assim lhe aprouver e se lhe for possível
“Restos funcionais”
ResponderEliminarSomos um deserto
Grãos de areia
Que não se ligam
Faces em redor
Espelho da solidão
Num resto de vida
Plena de consciência
Retrato de ideias
Sedimentadas com dôr
Ideias se partilhadas
Com a sabedoria
Duma vida plena
Ajudam a trilhar
Caminhos novos
Plenos de obstáculos
Amenizados, boleados
Aguardados, ultrapassados
Com a ajuda da força
Que somos todos
Se formos uns para os outros
Na estrada da eternidade.
Zé da Ponte
EliminarSomos grãos de areia,
poeiras no espaço,
molécula, abraço,
fogacho que ateia
se o vento volteia,
pedaço a pedaço,
o mar de sargaço
quando há maré cheia...
Maria João
Abraço grande, Poeta!
Um restinho de bom Domingo de Páscoa!
“Sem cabeça”
ResponderEliminarExiste estado de guerra
Quase sempre ignorado
Desde a origem na terra
Deste ser muito avançado
Não por ser um inimigo
Não por ser uma ameaça
Não por representar perigo
Nem por ser de outra raça
Mero interesse de poder
Mero interesse da finança
Para que uma parte floresça
Alguns têm que perecer
Muitos viver sem esperança
E outros ficar sem cabeça.
SONETO SEM CABEÇA
EliminarOiço-te, humano, e não te vou julgar
Nem condenar-te pelo que não fazes,
Pedir-te que dês mais, sem ter`s pr`a dar
Senão o muito ou pouco que em ti trazes...
Vens, em cintilações quase fugazes,
Dar-te, em coisas de nada, ao revelar
A consciência activa dos audazes
Que, tendo voz, nunca se irão calar...
Oiço-te e sei-te, mas... julgar-te assim,
Como afirmaste que outros te julgaram,
Haveria de ser julgar-me a mim
Segundo mil padrões que sempre erraram
E que sempre errarão até ao fim
Por imporem razões que os condenaram...
Maria João
Poeta, saiu-me este soneto muitíssimo martelado e... sem cabeça. Estou muito cansada e, por muito que isso me custe, terei mesmo de me ir deitar, razão pela qual lho envio mesmo assim.
Abraço grande!
“Restos emocionais”
ResponderEliminarCerto dia ia morrendo
Finalmente não morri
Pensei eu no momento
Provavelmente sobrevivi
Passado o sofrimento
Afinal renasci.
Zé da Ponte
No meu caso, vou podendo
EliminarDiscernir o que é real,
Do que - não sendo por mal... -
Lá nos vamos convencendo,
Noutros casos, não sabendo
Qual a dimensão total,
Registo a versão final
De quanto outros vão dizendo...
Estando, decerto, alterado
O estado de consciência
De quem esteve em "quase-morte"
Fica o relato toldado
Pois, estando o corpo em falência,,
Fica o real sem suporte...
Maria João
Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre, o que me ocorreu da leitura do seu poema!
Chá, café ou laranjada.
ResponderEliminarVou escolher, Poeta!
Eliminar“VIP VIP urra”
ResponderEliminarO interesse do cidadão
Salvaguardado a preceito
Por qualquer bom ladrão
A quem o poder faz o jeito
Manipula-se a decisão
P’ra obter o devido efeito
Embora digam que não
Têm um futuro perfeito
Sempre com sacrifício
Trabalham o bem comum
Mas de qual a comunidade
Vem depois o benefício
Que não é p’ra mais nenhum
Embora nunca seja verdade.
Prof Eta
Só esse absurdo conceito,
EliminarJá me deixa arrepiada...
Vip assim, "não tem defeito",
Mas não presta para nada
Apesar de ser eleito
Para a lista apregoada
Só porque, a alguns, dá mais jeito
Ter a continha "tapada"...
Assim grassa esse elitismo
Da vergonha nacional
Que faz do capitalismo
Coisa que "cai muito mal"
E que destrói, como sismo,
Nosso humano capital...
Maria João
Aqu vai, Poeta, com o abraço de sempre... um bocadinho mais "dorido" do que o costume, mas GRANDE!
Chá cheio.
ResponderEliminarVou dar um golinho, Poeta!
EliminarO beijo da morte
ResponderEliminarQuando escarras a boca dentre a dor
Violenta, macabra, podre e morta,
Porque o amor infernal sempre se importa
A maior podridão no vil horror.
Sangra os lábios vermelhos pelo ardor!
Que tu chores e feches essa porta!
Nunca podes beijar que o efeito corta!?
Vês o triste momento no furor.
A tristeza, o perigo e o germe mau,
Esses vermes brutais entram no pau
Com os dois bichos famintos sobre a fome,
O alimento que afaga e morde a boca,
Que ele é muito funéreo, a morte toca
No desejo de um verme - é quem consome...
Autor: Lucas Munhoz - (15/07/2015)
Grata, Lucas Munhoz, pelo poema que aqui me deixa.
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