SONETO À RESISTÊNCIA

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(Em decassílabo heróico)


 


Neste meu lugre-escuna – ou só jangada? -


Vou resistindo enquanto vou podendo


E venho-vos dizer que me não vendo


Porque por preço algum serei comprada,


 


 


Nem minha embarcação será tomada,


Pois, enquanto viver, nunca me rendo


E o verso é sempre a força a que me prendo


Enquanto dela sobre um quase nada...


 


 


Venho falar-vos desta força imensa,


Que tremeluz, que tanto mais se adensa,


Quanto mais vai tentando persistir,


 


 


Que me flui no sentir, porque se pensa,


Que mesmo naufragada, exausta e tensa,


Retoma a luta e faz por resistir!


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 09.04.2015 – 14.11h


 

Comentários

  1. gabriel henrique sanzovo10 de abril de 2015 às 02:14

    ola pessoas sou gaby tenho 18 anos estou aqui pq amoooo escrever poesias acho que isso me faz voar ficar mas leve adoraria trabalhar com poesia e acho que seria uma otima experiencia profissional na minha vida bom eu queria deixar aqui um exenplo de uma poesia minha e meu contato caso alguem se interesse bom 011942340382 exenplo: coisas comuns da vida e saber que nao fomos nascidos em vao que nao somos apenas uma pessoa de carne e osso e sim alguem com caracteres e objetivos de amar e viver como pessoas chamadas de normais em vida.. bjs pessoal

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  2. “Mundos”

    E o mundo acabou
    No ano 2000 por suposto
    Logo a festa terminou
    Logo o rei foi deposto

    Tudo quanto sobejou
    Foi um enorme desgosto
    Nunca mais ninguém chorou
    Nunca mais houve Agosto

    Sem mundo vamos vivendo
    Suspensos em pensamentos
    De quem se digna pensar

    Sem pensamento morrendo
    Todos os nossos momentos
    Nos mundos vão terminar.

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    1. Bem recordo a velha história
      Do fim que se aproximava...
      Guardo, ainda, essa memória,
      Mas, confesso, nem ligava..

      Conheço bem, dos humanos,
      As grandes superstições,
      Os medos, os desenganos
      E as fantásticas "visões"...

      Consolei quem precisou,
      Vivendo um dia "normal"
      E o "fim do mundo" passou

      Pois não passava, afinal,
      De treta que se inventou
      E acabou por correr mal...

      Maria João

      Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!
      Lembro-me bem de alguns "receios" que ainda tive de "consolar"... a minha mãe não estava totalmente imune a eles, era bastante sugestionável...

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  3. “Porca”

    Que solteira nunca morra
    Essa culpa que te assalta
    Quem p’la desculpa corra
    Não corra a culpar a malta

    Viúva nunca deve ser
    Estão a ver o resultado
    Seria obrigado a morrer
    Esse que era o culpado

    Deixemo-la rir e cantar
    Vivendo com alegria
    Que tristeza não desculpa

    Este pesadelo da culpa
    P’ra que a desculpa sorria
    Mais vale ninguém culpar.

    Prof Eta

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    1. Nenhuma culpa me assalta...
      Digo; a mim, pessoalmente,
      Nenhuma culpa faz falta,
      Nunca ela me infesta a mente,

      Mas, quando a culpa ressalta
      Duma frustração recente,
      Pode ser, pr`a muita "malta",
      Uma questão pertinente...

      Erros... sempre se cometem
      Pois ninguém será perfeito
      Nas razões que lhe competem,

      Mas quase sempre é defeito
      Dos que à culpa se submetem
      Sem terem razão de jeito...

      Maria João


      Aqui vai uma visão um pouco mais "filosófica" da noção de "culpa", Poeta! Abraço!

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  4. “Hey Jesus”

    Se pareço o que sou
    Sou aquilo que pareço
    Então sem máscara vou
    Em busca do que mereço

    Parto em busca de nada
    P’lo prazer de caminhar
    Sinto merecida a jornada
    Se alguém puder ajudar

    Tenho toda a recompensa
    Se me esboçam um sorriso
    Sinto leve a minha cruz

    Subir ao monte compensa
    À montanha se fôr preciso
    Sinto a ajuda de Jesus.

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    1. SUBIDAS E DESCIDAS
      (compromissos, burocracias e deslocações)

      Poeta, estou de saída...
      Como subir não me custa,
      Deitando contas à vida,
      Só a descida me assusta

      Que, ao descer, fico dorida
      E, sendo a descida injusta,
      Custa bem mais que a subida
      E é coisa bem pouco augusta,

      Mas o certo é que terei
      De fazer mais este esforço
      Descendo uns tantos degraus...

      Quanto custa? Só eu sei
      A dor que trago no dorso
      Nesses momentos tão maus...


      Maria João

      Aqui vai, Poeta, uma realidade pessoal- e iminente... - transportada para um sonetilho apressado. Abraço grande!

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  5. “Sinusoides”

    São novos jogos de guerra
    Da vida que se faz real
    Quando a coisa emperra
    No desafio que foi virtual

    Hoje somos sem terra
    O apelo é grito global
    E a actual política encerra
    Uma cegueira colossal

    Apegada ao seu umbigo
    Sem valores fundamentais
    Não vislumbra a mudança

    De negro vestido o perigo
    Surge com contornos letais
    Para muitos a nova esperança.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Sinusoides são, também,
      Algus vasos capilares,
      Desses que o ser vivo tem
      Às dezenas de milhares

      E que nem sempre estão bem
      Por muito bem que os cuidares...
      Anda o sangue num vaivém
      Até dele não precisares

      E quando a vida acabar,
      Nem os vasos sinusais
      Permanecem pr`a contar

      Dos versos e tanto mais
      Que, em ti, ousaram pulsar
      E nunca foram banais...

      Maria João

      Cá fica, Poeta, muito "martelado" e muito de fugida, mas correspondendo a uma realidade que também me ocorreu.
      Abraço grande!

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  6. Respostas
    1. ... ocorreu-me, assim, de repente, que é muito comum confundir teimosia e persistência, Poeta. Estou de saída para o hospital, mas vou tentar ver o Chá...

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  7. “Sintonias”

    Sintoniza o universo
    Escutas as constelações
    Esse é um modo diverso
    De ouvir lindas canções

    Formas de onda e energia
    Luzes, côr e sedução
    Sem ele nada existiria
    Parte em busca da emoção

    Estas são as sintonias
    Únicas fontes de verdade
    Que ninguém contaminou

    Aproximam-se novos dias
    Em que sentirá saudade
    Quem não o sintonizou.

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    Respostas
    1. Saudáveis sintonias!


      Eu só escrevo "em sintonia"
      Conforme é fácil de ver
      No pulsar da poesia
      Que por cá ando a escrever...

      (Pela "afinação" do verso
      Se deduz, se depreende,
      O ponto a que esse universo
      Ao mesmo verso se prende...)

      Se, porém, desafinando
      Julgasse que a sintonia
      Era outra coisa qualquer,

      Estaria, então, delirando
      Com qualquer patologia
      Que mal posso descrever...

      Maria João

      Aqui vai com o grande abraço de sempre, Poeta!

      Eliminar
  8. “Matarás”

    E Deus criou o mundo
    Com toda a dedicação
    P’ra que o ser no fundo
    Encete a sua destruição

    Em nome Dele matar
    Parece ser a profissão
    A que mais está a dar
    Beneplácito da redenção

    Disse-nos não matarás
    Não terá sido ouvido
    Nesta Sua prelecção

    Devem fazer marcha atrás
    Aqueles que sem sentido
    Matam em nome da religião.

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    Respostas
    1. Já vi muita teoria
      Sobre os fins da "criação";
      Nessta propõe-se a razia
      Pautando a destruição

      E, no fundo, contraria
      Toda a viva condição
      Que se alastra e que procria
      Sonhando a perpetuação...

      Há, decerto, uma avaria
      Nesta insólita versão
      Que jamais permitiria

      Que houvesse uma evolução
      E onde um ser se acabaria
      Sem ter escutado a razão...


      Maria João

      Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!




      Eliminar
  9. “Roleta russa”

    E agora a dignidade
    Discutida a preceito
    Não é digna a sociedade
    Que nos aperta o peito

    Nos retira o ganha-pão
    E nos ignora amiúde
    Idolatra-nos em eleição
    Não nos paga a saúde

    Nos penhora a habitação
    E nos atira p’rá sargeta
    Por devermos um tostão

    Do estado somos muleta
    Esta é a nossa condição
    Russa é a nossa roleta.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Sentimos, frequentemente,
      Que essa mesma dignidade
      Nos fica mesmo à tangente
      Ante a nova realidade...

      Sabemos que somos gente
      Mas, ante esta iniquidade,
      Povo pouco competente
      Que aos poucos perde a vontade...

      Assim digo o que sente
      - e, se o digo, é com verdade -
      Se me sinto descontente,

      Se o estatuto de igualdade
      Vai "caindo" e, de repente,
      Só me resta a caridade...


      Maria João

      Estamos a ficar muito "precários", a muitos níveis, é verdade, Poeta.
      Aqui vai com um abraço, um tanto ou quanto "trapalhão", mas com a boa vontade de sempre!


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  10. “Normalidade”

    A bem da normalidade
    Quero que sejas normal
    Pois julga-te a sociedade
    E o seu julgamento é fatal

    Seremos assim normais
    Por essa redutora bitola
    Mas assim somos demais
    Por sermos tão bons da tola

    Maluquinhos indefesos
    Paranóicos e anarquistas
    Pelas ideias são presos

    Presos foram os artistas
    Que os normais são coesos
    Não permitem outras vistas.

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    Respostas
    1. Porque a "crise" faz mudar
      Esse tão simples conceito,
      Passa a ser normal lutar
      E, aceitar, passa a defeito

      Que todos devem expurgar
      E adaptar ao novo jeito
      Que passa por protestar,
      Renegando o preconceito...

      Há que manter, todavia,
      Esse equilíbrio interior
      Que previne uma "avaria"

      Pr`a que não fiques pior
      E o que o sonho prometia
      Nunca perca o seu fulgor...


      Maria João

      Aqui vai, Poeta, com o abraço do costume!

      Eliminar
  11. Respostas
    1. Vou vê-lo muito de corrida, Poeta! Tenho papeladas para tratar e saio já a seguir!

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  12. “Branqueamento”

    As sociedades secretas
    Neste rectângulo natal
    São responsáveis directas
    Pelo que acontece de mal

    Ou será pela demissão
    De quase toda a sociedade
    Que apenas são como são
    Leis que regem a verdade

    Inscritas na constituição
    Revelam toda a bondade
    Necessária ao branqueamento

    Do que vai no coração
    Da gente que na realidade
    Nos redige cada momento.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Concordo, mas não sabendo,
      Na vida do dia a dia,
      Se conheceço alguém que, sendo
      De uma seita, o não dizia,

      Como saberei se entendo,
      Como me precaveria
      Contra o tanto que, não vendo,
      Muito normal julgaria?

      Porque nada - ou quase nada... -,
      Neste mundo virtual,
      Parece ser coisa errada,

      Mesmo não sendo "normal",
      Por cá sou "pata sentada"*
      Que aguarda o tiro fatal...


      Maria João

      * tradução literal do inglês "sitting duck" (alvo, isco)

      Cá vai com o abraço de sempre, Poeta!






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  13. “Lampeduza”

    O fascismo já lá vai
    Holocausto não existiu
    A todos a máscara cai
    Mas depois ninguém viu

    Malefícios do passado
    Mesmo à beira do abismo
    Passo em frente é branqueado
    A quem serve o terrorismo

    Uma questão sem resposta
    Para quem usa e abusa
    Boa cama mesa posta

    E os milhões não recusa
    Carta fechada é proposta
    Mar aberto é Lampeduza.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Mar que se fecha bramindo
      Sobre corpos já sem vida...
      Mar, mais mar, que nunca é findo
      Esse inocente homicida...

      Mar que se acalma e, sorrindo,
      Ofrece a esp`rança à partida,
      Mas que em mil ondas subindno,
      A rouba assim que rendida...

      Mar das grandes tiranias,
      Mar que tanta gente acusa
      Das mais loucas rebeldias,

      Mas que a ninguém se recusa...
      Deixasse, esse mar, vazias
      As campas de Lampedusa...

      Maria João

      Aqui vai, Poeta, com um abraço grande como sempre!

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  14. “Mente vazia”

    Dores de parto mental
    Se a mente me recusa
    Aquilo que é fundamental
    A quem da mente abusa

    Fico pois em sobressalto
    Procurando o que é meu
    Não encontro valor mais alto
    Parece que o mundo morreu

    Retrato de pura ilusão
    Silêncio tudo envolveu
    Já não tomo a decisão

    Está escuro como breu
    Tempo é uma imensidão
    Pois quem morrera fui eu.

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    1. RESPOSTA - Sonetilho de Coda

      Virá, mais tarde ou mais cedo,
      Mas, enquanto aqui escrever,
      Poeta, não tenha medo,
      Está bem longe de morrer!

      Bem longe desse degredo
      Que há-de vir a acontecer,
      Partilhamos o brinquedo
      De um poema por nascer...

      Se sente a mente vazia,
      Talvez seja algum cansaço,
      O que faça tal razia,

      Ou faça, tal como eu faço;
      Dar descanso à Poesia
      Não fará de si "madraço"!

      Mais bela virá no dia
      Em que, escolhendo o seu espaço,
      Cresça em força e melodia!


      Maria João

      Aqui vai, Poeta, muito apressado, mas sincero e, como sempre, levando o meu abraço!

      Eliminar
  15. “Navegar”

    No mar de dúvidas navega
    Quem se propõe navegar
    A bom porto nunca chega
    O que não se faz ao mar

    Anda irmão navegador
    Empresta o teu coração
    Onde embarca tanta dor
    Da tu’alma e desse irmão

    E quando avistarem a luz
    Mais a embarcação balança
    Que a vaga não se reduz

    Ao navegar na esperança
    Mas por certo com Jesus
    É no amor que se avança.

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    1. Tenho em mente não esquecer
      Que, se é belo, um coração,
      Perde todo o seu poder
      Quando despreza a razão...

      Veja os crimes passionais;
      Não são poucos, nem pequenos,
      E nunca será demiais
      Desejar que sejam menos

      Se o coração der ouvidos
      À razão que o contradiz
      Em tão diversos sentidos;

      - Coração, faz como eu fiz,
      Ou, estaremos tão perdidos,
      Que nem tu serás feliz...

      Maria João

      Não parece muito a propósito... mas é. Há mares e mares...
      Um abraço grande, Poeta!

      Eliminar
  16. “Desafinados”

    Foi enorme a disputa
    P’la nova lei do pensar
    Queriam os filhos da put@
    Nossa mente formatar

    Uma forma pouco astuta
    De inteligência mostrar
    De quem seria a batuta
    Qu’esta música quis tocar

    Em tod’a pauta desafinou
    Esta orquestra do cinismo
    Que não representa a nação

    Felizmente triunfou
    A antiga lei do civismo
    Por maioria de razão.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Fossem Ética e Razão
      Princípio de toda a lei,
      Não esquecendo o Coração
      Que também faz falta, eu sei,

      E haveria "afinação"!
      Pelo pouco que eu escutei,
      Fala mais alto a ambição
      Do que fala a voz da grei...

      Esta minha afirmação
      Não faz rimar "ão" com "ei",
      Mas tem alguma razão

      Pois, se às rimas não faltei,
      Não me falhando escansão,
      Nem as sílabas contei...


      Maria João


      Agora é que parece não ter nada a ver com o seu sonetilho, Poeta... mas alguma coisa terá pois foi o que me ocorreu durante a leitura...

      Outro abraço grande!

      Eliminar
  17. “Em alegria”

    Povo na boca dos ministros
    Ministros na boca do povo
    Todos são muito sinistros
    Não se vê nada de novo

    Cada qual é bem melhor
    Que qualquer outro seria
    Ouvimos sem desprimor
    No discurso em cada dia

    Todos juntos é que não
    Pois isso é uma utopia
    Fomentando a divisão

    Unidos na demagogia
    Enganados de antemão
    Somos povo em alegria.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Reflectindo...

      Tenho, por vezes, pensado
      Que é excessiva, essa alegria,
      Perante o facto consumado
      De quem pena, dia a dia

      E de quem já está cansado
      Da louca desarmonia
      De se ver pobre e roubado
      De quanto lhe caberia...

      Reconheço haver um excesso
      De riso e de confiança
      Neste penoso processo

      Onde só não falta a esp`rança...
      (nunca, a essa, desmereço,
      mas... onde pára a bonança?)

      Maria João


      Cá vai, com o abraço de sempre, Poeta!

      Nota - Nem sempre sou eu própria o sujeito poético destes sonetilhos-resposta, Poeta. É frequente eu ter a veleidade de tentar"falar" pelo povo a que pertenço...

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  18. “Adoração”

    Não se vê a mortandade
    Não se lhe sente o cheiro
    Procura-se a santidade
    Aos pés do deus dinheiro

    E as mentiras repetidas
    Passam a ser verdades
    Normalmente proferidas
    P’ra branquear atrocidades

    E na verdade esgotados
    Já não temos salvação
    A toda a hora enganados

    P’la mentira em profusão
    Cremo-nos injustiçados
    Esta é a humana condição.

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    Respostas
    1. Pois eu digo que, em verdade,
      Lhe sinto cheiro e sabor
      Porque a crua mortandade
      Espalha, ainda, o seu terror,

      Despreza a fraternidade,
      Recrudesce em seu furor
      E, sem mostrar piedade,
      Tudo arrasa em seu redor,

      Porque o dito deus dinheiro
      Sempre teve adoradores
      Desses tais que, a tempo inteiro,

      Lhe tecem grandes louvores,
      Vendo, no pobre, o cordeiro
      Que aguenta as mais duras dores...


      Maria João


      Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!

      Eliminar
  19. Respostas
    1. Também eu estou meia "improvisada", Poeta... tive uma maratona de hospital que só agora me permite vir ao Chá....

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  20. “Insignificantes”

    Tudo não se vai acabar
    Como fermento a crescer
    O futuro poderá continuar
    Assim que o presente morrer

    Insignificância não determina
    Mas torna-se preponderante
    Perante o passado que mina
    Ao querer tornar-se gigante

    Grãos de areia no deserto
    Gotículas em grande mar
    Não nos façamos rogados

    Ao ver o futuro assim perto
    Nunca por nunca abdicar
    Sempre sempre determinados.

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    Respostas
    1. Insignificâncias

      Sempre a vida finca o pé,
      Teima, batalha e persiste
      Em manter-se viva até
      Ao momento em que desiste...

      Se na vida tenho fé
      Desde que entendo que existe,
      Sou, do tanto qu`ela é,
      Um nada de punho em riste,

      Mas, também, da espécie inteira,
      Representante fugaz
      Que tenta, à sua maneira,

      Dar o melhor que em si traz
      Dando, em rebeldia ordeira,
      Tanto - ou mais... - do que é capaz...


      Maria João

      Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre e os meus votos de um bom fim de semana!



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  21. Mentir ( Verbo triste)

    Mentir é a coisa errada sem amor,
    Em vil pancada, grito intenso e obsceno...
    Ó mau palor da tua pura dor!...
    No agravo horrível, feio e nada ameno.

    Mentir é o lado impuro com horror,
    Constata o mal amargo e o teu veneno
    Que dás assim no gole ao grande ardor?!
    Perdeste o peito amante e até sereno.

    Que nunca chores, musa amada e impura!
    Esquece a culpa feia e má que enleias,
    Paixão perdida, caso e briga dura.

    Tu sentes mui traída, injusta e imunda...
    Serás mandada embora às coisas feias,
    Na perda extrema, intensa e bem profunda.

    Autor: Lucas Munhoz - (10/08/2015)

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