PUNHAIS

PicassoGuernica.jpg


 



 


Quero contar-vos quanto dói viver


e não desisto mesmo que me calem



que, desta raiva aos monstros do poder,


nascerão versos, quando em raiva estalem!


 


 


Quero mostrar-vos que não sei perder


sempre que as perdas de medos me falem


e que, em vez de vergar, hei-de acender


as chamas destes versos que me valem,


 


 


Que posso e vou falar, porque assim quero,


dos tantos, destes tantos que procuram,


no lixo, e com crescente desespero,


 


 


O pão que vai sobrando aos que o descuram...


e mais não cantarei pois, se me esmero,


aguço os mil punhais que me perfuram!


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 03.03.2015 – 20.07h


 


 


 


 


 




Comentários

  1. “Podíamos”

    Ideologias no armário
    Nesse armário evoluíram
    P’ra linhas do novo ideário
    Que às ideias sucumbiram

    Na preguiça das ideias
    Ficou presa a esperança
    A dançar com a mais feia
    Fica o povo nesta dança

    Dum linguajar eficaz
    Construído p’ra fazer crer
    Preocupação com a gente

    Mas basta ser perspicaz
    Para no fundo entender
    Como é inconsequente.

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    1. Das ideias disfarçadas
      De bonitas, quando feias,
      Estão as gentes enfartadas
      E confusas... sem ideias...

      Por todos são comentadas,
      Vão da cidade às aldeias
      Mas, quando são praticadas,
      Mostram-se, de erros, bem cheias...

      Já nem consigo escutar,
      Mal consigo discutir
      E estou presa por um fio

      Ao dever de aqui ficar
      Quando, ao pensar desistir,
      Descubro, em mim, novo rio...

      Maria João

      Segue com o abraço grande de sempre, Poeta!



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  2. “To be mad Max”

    Humanidade imperfeita
    Associada à incúria
    Viu-se quase desfeita
    Nessa estrada da fúria

    Mad Max apareceu
    Coberto de insanidade
    Mas não sei que lhe deu
    Foi momento de verdade

    E num flash percebeu
    Apesar da incapacidade
    De nada lhes valia fugir

    Para os braços de morfeu
    Só o pesadelo da realidade
    Os impediria de sucumbir.

    Prof Eta

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    1. Eheheheheh...

      "Mad", não sou, nunca serei,
      Nem nunca alguém me lembrou
      Que o nome com que assinei
      Fosse um "Max" quem mo legou

      Portanto, não me verei
      Como "Mad" - que isso não sou... -
      Ou como um "Max" que passou
      Mas que, agora, recordei...

      Uma ideia me ficou;
      Do filme, não desgostei,
      Mas não sei como acabou!

      Será que o "Mad" era um rei,
      Ou será que se esforçou
      Por viver fora da lei?

      Maria João

      Sei que vi o Mad Max há muitos anos mas, para além de uma ou outra imagem do Mel Gibson em cima dum veículo estranhíssimo, não me lembro de nada...

      Abraço grande, Poeta!

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  3. poema-denúncia que que explode em raiva.
    e impotência.

    grato. beijo

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    Respostas
    1. Foi a explosão possível e a inevitável impotência, sim, Heretico... dias há - como o de hoje... - em que a sensação de impotência é esmagadora.
      Tão esmagadora que, a que à nossa própria vidinha respeita, chega a tornar-se visível - e sensível... - entre a de todos os que vão sobrevivendo em tão difíceis condições. Estou amarga, hoje. Peço desculpa.

      Vou ao Relógio de Pêndulo. Não posso comentar, mas posso ler.

      Bjo!

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    2. Confesso, Heretico, que nos dias - felizmente raros! - amargos, me magoa indizivelmente a leitura de textos como O Melro e a Guerra..

      Mal de mim quando me deixo magoar pela beleza e pela qualidade pois, nos dias menos amargos, é exactamente o oposto que me incomoda ao virar de cada página...

      Estúpida forma de elogiar um texto, eu sei... mas tinha de tentar explicar o que senti.

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  4. “Ex-flor”

    Esta era uma flor
    Só a podes imaginar
    Essa que sentes é dor
    Tu a poderás superar

    Sobretudo no amor
    Que possas ter para dar
    Alguém lhe dará o valor
    Para em dobro retornar

    Da ex-flor com fulgor
    Outra irá desabrochar
    Envolta em emoção

    Como seria de supor
    Após o acto de plantar
    Semente no coração.

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    Respostas
    1. Estava a "escapar-me", esta Ex-Flor...

      Flor que murcha, já murchou,
      Não pode voltar atrás,
      Sabe que o tempo passou,
      Mas fez quanto foi capaz...

      Do que fez, muito ficou
      Dando lastro ao que se faz;
      Do que sabia, legou,
      Muito cheio, um bom cabaz

      De razões do coração
      E razões dessa vontade
      Que nos nasce da razão...

      Mesmo que fique a saudade,
      A flor já não volta, não,
      Se da vida a flor se evade...

      Maria João

      Cá vai, Poeta, com o abraço grande de todos os dias!

      Eliminar
  5. “Nó cego”

    Um engenheiro poeta
    Não é poeta engenheiro
    Pois o segundo afecta
    O que nasceu primeiro

    O ovo ou a galinha
    Uma discussão secular
    Um ponto ou uma linha
    Discussão subliminar

    Uma chama que se apaga
    Um traço no horizonte
    Uma festa a terminar

    Uma mão que afaga
    Um nó cego que afronte
    Uma montanha a chorar.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Porque não? Engenharia
      Não põe de lado o poema,
      Quando existe essa harmonia,
      Sempe que há vontade, tema

      E lhe ocorra a melodia
      Que engendre, sem mais problema,
      Tudo o que é da poesia
      E passe pelo fonema...

      Poesia tanto é arte
      Quanto é ciência rigorosa
      Do que flui por toda a parte

      E nos chega, feito em glosa,
      Com tendência pr`a levar-te
      Muito além da simples prosa...


      Maria João

      Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!

      Eliminar
  6. “Animais”

    Basta-me aquilo que basta
    Tudo mais não faz sentido
    Pois do muito que se gasta
    Pouco vale o que é sofrido

    Qu’a vida mesmo madrasta
    Não te transforma em detido
    Nem tão pouco te devasta
    Quanto muito és reprimido

    P’ra terminar tenho dito
    Abaixo a repressão
    Nesta vida e nas demais

    Bastonadas não admito
    Venha de lá compreensão
    Por nós lindos animais.

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    Respostas
    1. Bem... que somos animais,
      Sempre o soube e nem duvido,
      Pois não somos vegetais,
      Nem cristais de rocha ou vidro

      E que somos racionais,
      Também não é desmentido,
      Mas... temos de pensar mais
      Pr`a que isso faça sentido...

      Subjugados por paixões
      Por crenças, por tiranias,
      Seremos só projecções

      Dessas tais filosofias,
      Ou bando de "paspalhões"
      Entre o riso e as agonias...

      Maria João

      Ai, Poeta... esta resposta está um desastre em termos poéticos e linguísticos, mas... olhe tenho mesmo de sair para mais uma consulta. Fica assim mesmo...
      Abraço grande!


      Eliminar
  7. “Nós e eles”

    Nem todos estamos cá
    Uns não chegam a nascer
    E outros sempre haverá
    Que acabarão por morrer

    Uma minoria existirá
    Que se dispõe a viver
    E que sempre sorrirá
    Mesmo tendo que sofrer

    Quantos sorrisos sorrires
    Sorri com essa alegria
    Sempre plena de emoção

    Tempo para descobrires
    Que só essa contagia
    Pois brota do coração.

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    Respostas
    1. Uns não chegam a nascer,
      Outros vivem curtas vidas
      Que, nem podendo escolher,
      Pressupunham mais compridas,

      Mas sei se estão cumpridas
      As mil causas pr`a dizer
      Que as durações são escolhidas
      Conforme "o que deva ser"

      E, num sorriso, escondidas,
      Estão-se, às vezes, a esconder
      As formas mais divididas

      De ir tentando responder
      Às sentenças proferidas
      Que jamais se hão-de entender...

      Maria joão


      Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!

      PS - Enviei-lhe dois mails que vieram devolvidos sem terem sido lidos... algum problema com o seu correio?

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