ESTE MEU MAR II
(Soneto em decassílabo heróico)
Ó vagas do meu mar, loucas marés
que ao longo de uma vida me perderam,
ó jangadas de espuma, ó vãs galés
de uns sonhos que em poema aconteceram,
Não sei se ainda estou sobre os meus pés
se vos evoco e lembro que estiveram
ao leme desta barca, ou no convés
de um sonho que bem poucos conheceram
Mas, livre ou brutalmente aprisionada,
o amanhã que o diga. Eu calo agora
por hoje, ou para sempre, a voz magoada
Que me comanda a vida a toda a hora
e a cada instante insiste em ser cantada,
mesmo quando empurrada borda fora...
Maria João Brito de Sousa – 05.06.1015 -16.16h
Imagem retirada do Google
“Xadrez”
ResponderEliminarEstupidez organizada
Pertence a um padrão
Que parece ser uma piada
Mas é como as coisas estão
Governantes e governados
São os peões da situação
Meros entes comandados
Num jogo sem reversão
Onde a rainha e o rei
Torre, bispo e cavalo
São peões como os demais
Acima quem dita a lei
Faz jogadas com regalo
Como se fossem rituais.
Prof Eta
Pobres peças de um xadrez
Eliminarque se joga entre rivais...
Nenhum espera a sua vez,
ninguém tem peças iguais,
Mas há, no jogo uns, porquês
que alguns sabem bem demais;
Jamais se cura, um burguês,
das ganâncias naturais...
Parece um jogo, parece...
e talvez seja, afinal,
o que a burguesia tece
Quando vê que "isto está mal!"
e que tem o que merece
se há xeque-mate ao capital!
Maria João
Muito "marteladito" mas cá vai, Poeta, enquanto vou podendo. Abraço grande!
Chá em extinção.
ResponderEliminarCoitado do Chá! Vou v^-lo!
EliminarBelos versos que bem lembram os mares,
ResponderEliminarVerdes mares bravios de Alencar,
Que traduzem os tantos meus sonhares
Dum amor sempre forte aqui a proclamar.
Poetisa que brilha em mui candentes
Luzes solares, límpidas, de mares
Desde ontem viajados e bem dantes
Vistos, tidos, pisados por luminares.
Obrigada pela visita e pelas estrofes, amigo Adílio!
EliminarFraterno abraço!
“Au Portugal”
ResponderEliminarAqui está um Portugal
Que não anda de feição
Parece estar tudo mal
À roda num turbilhão
Eu resido num mural
Eu sou dono da bandeira
Viva o nosso país natal
Três vivas à bandalheira
Assim a caravana passa
Assim ladra a canzoada
Neste cortejo sem fim
Uns puseram mão na massa
Outros ficaram sem nada
E a história termina assim.
Prof Eta
Nunca esta história termina
EliminarPr`a todos... mas, para mim,
É assim que ela se fina,
Está bem perto do seu fim...
Se dos poemas sou mina
E das quadras sou jardim,
Falta-me o resto... o que "afina"
Pela pauta do... "pilim"...
Em brevei me calarei
- desta vez, sem ter saída. -,
Mas dos versos que deixei
Espero que fiquem pr`á vida
Alguns dos que engendrarei
Em jeitos de despedida...
Maria João
Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!
Além de grande poetisa a amiga emana inspiração e, daí, os versos vêm:
ResponderEliminarPOETISA DOS MARES
Belos versos que bem lembram os mares,
Verdes mares bravios de Alencar,
Que traduzem os tantos meus sonhares
Dum amor sempre forte aqui a proclamar.
Poetisa que brilha em mui candentes
Luzes solares, límpidas, de mares
Desde ontem viajados e bem dantes
Vistos, tidos, pisados por luminares.
Cantas das terras líricas lisboetas,
Onde o amor pelos versos predomina
Em teu estro, nobre filha que és de Erato!
Tua lira lembra sopros de trombetas
No acorde angelical que o ouvido mina,
Traduzindo da lira o amor ingrato!
Adílio Belmonte,
Belém-Pará-BRASIL
Muito, muito grata pelo seu belo soneto, amigo Adílio Belmonte!
EliminarPor cá estarei enquanto me for humanamente possível, meu amigo!
Forte e fraterno abraço!
“Viagens à la carte”
ResponderEliminarNão acordes c’os acordes
Deixa-te estar embalado
Sobrevoa os fiordes
Nessa poltrona deitado
Vais poder vislumbrar
Entre encostas escarpadas
Uma imensidão de mar
Outrora massas geladas
No dó sustenido vibrado
Sentir-te-ás a sobrevoar
E num solo sincopado
Farás parte da massa de ar
Que o acorde bem afinado
Te ofereceu p’ra viajar.
Já poeta me não sinto,
Eliminarnem sei como responder...
não confirmo, nem desminto;
seja o que tiver de ser!
Tanto silêncio pressinto
que me começa a doer
saber que em breve vos "finto"
e não mais vos posso ler...
Em breve a negra mordaça
da pobreza insustentável
que me tem sob ameaça
Calará, inexorável,
quanto, em verso, me perpassa
e me torna invulnerável...
Maria João
Poeta, desde muito, muito jovem, considerei que as mais belas viagens são mesmo as que se fazem através dos livros, da nossa própria mente, das associações e da nossa maior ou menor capacidade criativa. Mas tudo, tudo tem um fim. É muito provável que o fim das minhas esteja para breve. Abraço grande!
Chá ignora.
ResponderEliminarPoeta, não estou nada bem, mas vou tentar responder ao Chá.
Eliminar“Enteados”
ResponderEliminarEra um povo muito crente
Tinha um enorme coração
Mas um modo ambivalente
De crer nos que o não são
Por isso era deprimente
Chegada a hora da votação
Quem espremera a gente
Era favorito à reeleição
Não existia alternativa
Neste reino tão peculiar
Mesmo à beira do abismo
Mas ninguém viu qu’a deriva
Construída pr’a nos sangrar
Era a filha do capitalismo.
Prof Eta
Estando sem inspiração,
EliminarLego à vontade possível
A poética função
De uns versos de "baixo nível",
Pelos quais peço perdão
Pois, sendo coisa sofrível,
Espero que entenda a razão
Que há na razão disponível...
Reforce-se a votação!
Torne-se esta voz audivel
Tal qual manifestação
Que tornaram invisível
Apesar da multidão
Que mostrou que era invencível!
Maria João
Cá vai com o abraço de sempre, Poeta!
belo Hino à vida.
ResponderEliminargostei. de verdade
beijo
Obrigada, Heretico!
EliminarForte abraço!
“Cegueira urbana”
ResponderEliminarEra um mito urbano
Dos lados de Massamá
Chupou-nos até ao tutano
É o melhor que temos cá
O seu projecto alinhou
Com os desígnios da troika
Mas até essa ele superou
Ao vender a nação heróica
Fez fraco o forte povo
Nesta terra de ceguinhos
Nunca chegou a ser rei
Pois não trouxe nada novo
Apenas nos fez pobrezinhos
Quantos olhos tinha, não sei.
Prof Eta
“Sê apenas”
ResponderEliminarEle não dorme acordado
Mas o seu povo na terra
Deixa-o atormentado
Só pensa fazer a guerra
Sua receita de paz
Polvilhada por amor
Seu desígnio aqui jaz
Sob o manto do horror
Mais forte o chamamento
De desígnios inferiores
Petróleo, diamantes e ouro
A vida é um momento
Só serás aquilo que fores
Sê tu próprio o tesouro.
Triste, estranha, inusitada,
EliminarA figura que hoje faço
Pois não vendo quase nada,
Engano-me em cada traço,
Fica-me a estrofe engatada
E, se escrevo, é passo a passo,
Porque aponto à letra errada
E me engano até no espaço....
Ser apenas, mas ser "sendo"
Na plena continuidade
Daquilo que em nós crescendo
Nos comanda esta vontade
De fazer quanto, podendo,
Nos concede a liberdade...
Maria João
Desculpe o atraso Poeta, mas estou com muitas dificuldades visuais e uma dor de cabeça coloçal... olhar para o ecrã é, neste momento, um verdadeiro martírio. Abraço grande!
´
Vozes do chá.
ResponderEliminarCada vez menos bem, vou no entanto, tentar ouvir as vozes do Chá, Poeta!
Eliminar“Dissonâncias”
ResponderEliminarUm passado perfeito
Um presente brilhante
Num futuro desfeito
Em esperança distante
Num mundo contrafeito
P’la estupidez galopante
Qual harmonia sem jeito
Parindo a razão dissonante
Donde a seguir nascerá
A ideia mais aberrante
Concorrente dessa razão
Posto isto morrerá
Toda a ideia marcante
Sinónimo de indignação.
Dissonâncias II
EliminarNo presente, ou no futuro,
Não convém que a dissonância
- que dura mais do que eu duro... -
Me imponha a sua arrogância
Porque se ergue como um muro
Que, não medindo a distância,
Se comporta qual esconjuro
E assume enorme importância...
Na prosa ou na poesia,
Comete erro, pela certa
Todo aquele que assim se fia
Na nem sempre descoberta
Disfunção, falha, avaria
Que a dissonância desperta...
Maria João
Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!
EMPREGOS da Dica
ResponderEliminarMinistro, para são Bento,
Estamos a precisar,
Dotado de algum talento,
Com o nono ano escolar.
Para ocupar o assento,
Assim que o desejar,
Pode, a qualquer momento,
Seu curriculum enviar.
Quanto a vencimento,
Com detalhe ajustado
Para um futuro aumento,
Conte, já, ultrapassar
Tanto que é licenciado
E se fartou de estudar!
Coda ou P.S. (post script um)
Motivo de rejeição:
A de ter frequentado
Faculdades de verão.
Eduardo
A minha melhor "dica"
EliminarTenho um gato - um velho sábio! -
que se vai candidatar,
pois já leu muito alfarrábio
e tem "pose" pr`a mandar...
Só lhe recomendo; aldrabe-o,
faça por lhe expr`imentar
essa função de astrolábio
que há-de ouvi-lo - e bem! - bufar!
Nunca esteve em faculdades,
mas sempre fez pela vida
segundo as necessidades
Com que se nasce à partida
neste mundo onde as verdades
vão tendo pouca saída...
Maria João
Muito grata, amigo Eduardo! Este sonetilho ocorreu-me tão prontamente que não tive coragem de o não deixar fluir... nunca submeteria o meu pobre e velhíssimo Sigmund Freud - assim se chama o meu gato - à "violência" de um tal cargo, mas foi exactamente isto o que me ocorreu.
Fraterno abraço!
“Nada somos”
ResponderEliminarSe tu passas pela vida
Ou a vida passa por ti
Poderá dizer, eu vivi
Vida descomprometida
Mas se a ela te agarras
E ela não te deixa fugir
Assim mostras tuas garras
E escutas a vida a rugir
Não será de conforto
Nem nunca poderia ser
Que a vida é p’ra viver
Pois se te fizesses morto
Nunca chegarias a saber
O que seria morrer.
IDENTIDADE
EliminarNada somos, sendo tanto!
Nós, complexos organismos,
Desde o nascimento ao espanto,
Mesmo sem os heroísmos,
Nada sendo, neste canto,
Preenchemos-lhe os abismos
E anulamos desencanto
Sempre que enfrentamos sismos
Ou deixamos, pelo mundo,
Quanta criatividade
Nasce de um sonho rotundo
Entre escolhos de saudade
Que é mar sem fim, tão profundo
Que concede IDENTIDADE...
Maria João
Cá vai, Poeta bastante "marteladito", mas com o abraço de sempre!
Porque somos tanto, Poeta, tanto...
“Envelhecido”
ResponderEliminarFiz cinquentenário jovem
Mas logo depois envelheci
Mesmo assim não me demovem
Pois foi o acto em que renasci
Apenas um pouco mais lento
E com o cérebro mais pesado
Não será do aleitamento
Ou estarei eu enganado
Envelheci num segundo
Após nove meses de gestação
Ao virar do cinquentenário
É meu desejo profundo
Ter a inversa reacção
Ao celebrar o centenário.
Prof Eta
EliminarSeja, pois, um centenário
Bem festivo e remoçante
E que, a cada aniversário,
Lhe fique o fim mais distante!
Se o tempo avança ao contrário,
Pode tornar-se interessante
Vê-lo de volta ao berçário
Com arzinho triunfante...
Quanto a mim... fico contente!
Possa o tempo andar pr`a trás
Em vez de, correndo em frente,
Me tornar numa incapaz
Para um labor mais decente...
(quanto ao resto... tanto faz!)
Maria João
Muito sorri eu ao imaginá-lo de volta ao berçário, Poeta!
Cá vai com o abraço grande de sempre!!!
O SECRETO LABIRINTO
ResponderEliminarNos esconsos do meu ser,
do ser puro e do insano,
do ser ermo e do urbano
estou sempre a esconder
o sagrado e o profano
tudo escondo até ver
com risco de o esquecer
dia a dia, ano a ano
lá guardo tudo o que sinto
de forma bem resguardada
os segredos duma vida,
em secreto labirinto
donde se sai p´la entrada
e se entra p´la saída.
Eduardo
PRIMEIRA APRECIAÇÂO DO LABIRINTO
EliminarMuito são me pareceu,
Isso, que insano diz ser
Sustentáculo desse "eu"
Que - afirma! - o anda a esconder
Mas, se ainda não esqueceu,
Talvez não venha a esquecer
Pois, sabendo onde o escondeu,
Logo o acha, se o quiser...
Se é labirintico, ou não,
Ao entrar pela saída
A cada aproximação,
Talvez, de alma condoída,
Faça alguma confusão
Entre chegada e partida...
Maria João
Muito obrigada, amigo Eduardo por este interessante e introspectivo sonetilho. Tentei responder-lhe colocando em sonetilho o que me foi ocorrendo durante a leitura e estive quase para não colocar um título... mas foi uma apreciação do que me descreveu, o que acabou por me sair...
Fraterno e grato abraço para si e Maria dos Anjos!
Chá poder.
ResponderEliminarSempre quero ver se o Chá é prepotente...
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