UM SONETO A SANCHO PANÇA
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UM SONETO A SANCHO PANÇA
*
Foge-me o pensamento do soneto,
salivo e penso em pão. É mesmo assim,
pois quando a fome aperta não prometo
pugnar pelo soneto até ao fim
*
Embora seja um crime o que cometo
se o frémito ao passar me toca a mim
e, por me achar famélica, o remeto
pra depois de uma sopa e de um pudim...
*
São as coisas mesquinhas que o esqueleto
impõe a todos nós, neste ínterim
da crise que nos faz ver tudo a preto
*
Absurdo, amigos meus, seria, enfim,
esquecer que o corpo cede ao que é concreto
e troca, por um pão, Musa e espadim.
*
Maria João Brito de Sousa
23.06.2015 – 15.01h
***
(Do meu baú das finíssimas ironias)
Chá perfeito.
ResponderEliminar... vou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Início limpinho”
ResponderEliminarPortugal está melhor
Portugueses ainda não
Mas existe grande vigor
P’ra encontrar a solução
Começa-se por mudar
Os políticos da nação
Pois começam a cheirar
A fraldas com presentão
Com o início limpinho
Começa um novo ciclo
Que nos irá representar
Tanto político cheirosinho
De novo no hemiciclo
Farão os tugas melhorar.
Prof Eta
Final Feliz
Eliminar"Vamos, então, combater
As grandes desilgualdades!"
Diz quem se apronta a dizer
Mil mentiras por verdades...
Eu não quero nem saber
Dessas suas ... "qualidades"
Que nunca irei perceber
E só dão contrariedades!
Se me apresto a conhecer,
"Filtro" logo as inverdades,
Já não as deixo crescer
Neste solo onde as vontades
Estão prontas pr`a se colher
Entre o sonhos e saudades!
Maria João
Segue com o abraço de sempre, Poeta!
Final Feliz
Eliminar"Vamos, então, combater
As grandes desilgualdades!"
Diz quem se apronta a dizer
Mil mentiras por verdades...
Eu não quero nem saber
Dessas suas ... "qualidades"
Que nunca irei perceber
E só dão contrariedades!
Se me apresto a conhecer,
"Filtro" logo as inverdades,
Já não as deixo crescer
Neste solo onde as vontades
Estão prontas pr`a se colher
Entre sonhos e saudades!
Maria João
Segue com o abraço de sempre, Poeta!
Chá faz de conta.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Tempo presente”
ResponderEliminarNão há nada no futuro
Ou no passado recente
Mesmo por muito obscuro
Que te roube o presente
Que te afaste o sentido
Dum futuro diferente
Deste agora oferecido
Único e deprimente
Nesse espaço imaginado
Se ousares a imaginação
O presente conquistado
É o que tiveres ousado
Sem cair em contradição
Com o futuro ou passado.
Sem quaisquer contradições,
EliminarSempre houve e sempre hão-de haver,
Saltos, quedas, tropeções,
Na vida de qualquer ser
São as próprias condições
Do que havemos de escolher
Que impõem prémio ou sanções
Conforme o que lá vier,
Mas... se houver contradição
- falo em termos pessoais! -
Uso, além do Coração,
Outra que pensa bem mais
E que se chama Razão
Por tornar-nos racionais...
Maria João
Aqui vai, Poeta, com o meu pedido de desculpas pelo atraso e com o abraço de sempre.
Já agora, para lhe dar uma ideia de como as coisas efectivamente "funcionam" quando estamos doentes e fisicamente diminuídos, vou fazer uma comparação; lembra-se daquele poema do Sérgio Godinho que, às tantas, diz, "muita força pr`a pouco dinheiro"? Pois quando se está como eu estou, pode dizer-se; "muito esforço pr`a pouco trabalho..." (ou quase nenhum rendimento, ao nível do que vai sendo, nos últimos anos, o meu trabalho...)
Soneto que me dá certa tristeza
ResponderEliminarAo buscar o sentido desses versos,
Quando a vejo em talento e com destreza
A nos mostrar seus mundos bem diversos.
Adílio Belmonte
Belém - Pará - BRASIL
Admito que lhe provoque alguma tristeza, poeta amigo, porque, neste caso específico, as dificuldades materiais do sujeito poético, Sancho Pança, coincidem com as dificuldades reais da autora do soneto- eu -, mas é sempre possível alargar a leitura e encontrar a ironia subtil que se desenrola ao longo de toda a mensagem poética.
EliminarMais uma vez, Adílio, lhe envio um grato e fraterno abraço!
permiti-me levar para o FB.
ResponderEliminarespero que não leves a mal...
beijo
Heretico, fico-te muito grata!
EliminarO meu tempo de "poesia de gaveta" foi longo, mas terminou - penso eu... - há uns bons anos!
Forte abraço!
ResponderEliminarVERSOS BRANCOS
Ah! Eu pediria a Deus pra me amar...
Clamaria a Ele pra me perdoar
Oraria muito a Deus pra não me abandonar
Diria, porém, a Ele que aqui na terra vim pra te amar.
Deixa a alma falar
poeta pobre e arrogante
que tem o sentimento delirante
e desconhece o sentir amar.
Duas estradas
Dois caminhos
Duas almas,
Muitos destinos.
Mesmo assim
Tenho o teu carinho
Do começo
Ao fim
E muito desatino.
RELICÁRIO
Numa noite escura minha alma te procura
A tatear as marcas dos dias vividos
E recordo essa noite ainda mais escura,
Voltando a sentir os nossos males convividos.
Ando triste pela estrada da poesia,
Buscando tua saudade sempre amada
Em vias tortuosas de grande nostalgia
Ainda sonhado com a ternura esperada.
Vai-se o tempo em escalada e vem a saudade
Dos momentos de festa e de amor profundo,
Onde as emoções tinham odor de flores.
Que amor de bela e larga densidade!
Como foi colorido aquele nosso mundo,
Onde vivemos dos amores os melhores!
DESATINO
Seria triste e inócua a minha lira
Se não fosse afinada pelo amor
Que sai dessa alma pura que delira
Quando toca o teu corpo em tremor.
Mulher de sentimento afinado,
Por cuja formosura sou levado
A ter o coração desafinado,
Presa de um sofrimento bem malvado.
Vem! Alimenta a forte e vã paixão,
Angústia e furor que alucina
Meu espírito fraco e o coração.
Nessa minha loucura ou sortilégio
Espero que a tua alma me entenda,
Sabendo que tudo isso é privilégio.
Muito grata pelos belos poemas que partilhou neste meu blog, Adílio!
EliminarEsperando que esteja de boa saúde, envio-lhe o meu fraterno abraço!
Chá maravilha.
ResponderEliminarEstou exausta, Poeta, mas vou ver esse Chá maravilha!
Eliminar“Rações”
ResponderEliminarNão estou para aí virado
Não me virem do avesso
Deixem-m’estar sossegado
Isso é tudo o que vos peço
Pensativo e bem disposto
A pensar morreu um burro
Não chorei com o desgosto
Que eu saiba ainda não zurro
Embora animal da criação
Eu nunca fui malcriado
Outros conheço que o são
Aos quais foi descurado
Todo o proveito da ração,
Não estou para aí virado.
Prof Eta
Poemas? Foram demais...
Eliminarou melhor, em demasia,
roçando os gestos letais
dos "senhores da poesia"...
Situada entre os normais,
fujo à temível razia
que vão fazendo os leais
serviçais da burguesia
Aos que, sendo serviçais
por compulsiva avaria,
vão escrevendo um pouco mais
Só pr`a terem serventia
nestes "paços" virtuais
que não geram mais-valia...
Maria João
Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!
“Exit now”
ResponderEliminarSão faces de satisfação
Sorrisos de optimismo
Embora a sua missão
Seja de perfeito cinismo
Submeter qualquer nação
Ao nacional-socialismo
Mas numa nova versão
Sob a capa do austerismo
Deste clube saiamos
Que ele já não s’importa
Com a vida enquanto tal
Antes que aí morramos
Entalados pela porta
Da casa raiz do mal.
Prof Eta
Assim é pois, disfarçado
EliminarDe austera Democrocia,
Tem seu plano bem traçado,
Completa a sua razia
Mas a povo organizado
Na sua soberania,
Nunca o teria enganado,
Nem, decerto, o esmagaria!
Seja o povo, então, vingado,
Mora a velha oligarquia
Que tanto o quer escravizado
Pr`a sugar-lhe a mais-valia
Roubando, em cada ordenado,
Quanto ninguém lhe devia!!!
Mª João
Aí vão, Poeta, o sonetilho e o meu abraço!
Chá do coração.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Assinaturas europeias”
ResponderEliminarMutação da assinatura
Pode sempre acontecer
Esta a realidade pura
Que é preciso conhecer
Numa europa em mutação
Tudo muda rapidamente
Finanças não é excepção
Assina de forma diferente
Uma assinatura criativa
Deu origem à discussão
Que entusiasma comentadores
Revela que se anda à deriva
E a assinatura em questão
Tem pormenores reveladores.
Prof Eta
Numa Europa que declina,
EliminarQue oscila e se desagrega,
Tudo aquilo que se assina
Diz respeito à causa grega,
Mas vendo, na Grécia, a mina,
Bem no centro da refrega,
"Gula" europeia assassina
País que não se lhe entrega...
Quanto à dita assinatura,
Confesso que estou "por fora"
E atrasada na leitura,
Mas fico a sabê-lo agora
Que encontro, em fonte segura,
Notícia de última hora...
Maria João
Cá vai, Poeta, com o abraço de todos os dias!
“Palavra de honra”
ResponderEliminarDo país das maravilhas
Um coelho desbloqueou
O acordo para a ilhas
Que o grego aproveitou
São estas raras ideias
Duma lucidez sem igual
Que aqui paredes meias
Teimam em não surgir afinal
Somos exportadores também
Destes cliques de inteligência
Que salvaram uma nação
Mas cá dentro com desdém
Pratica-se a negligência
Com tempêro de corrupção.
Prof Eta
Da negligente indif`rença
EliminarDeste governo "agachado"
À sua inumana crença,
Nasce um povo resignado
Que, afinal, é já pertença,
Aqui, no "protectorado",
Desta ambiguidade densa
Pr`á qual foi sendo empurrado...
Porque fruto do sistema,
Nem me espanta a corrupção
Engendrada pelo esquema
Que, alimentando o ladrão,
Tanto descura o problema
De um povo que nem tem pão!
Maria João
Dentro do sistema, Poeta, as poucas cabeças que rolarem, rolarão apenas "para entreter as hostes" e será por pura conveniência do próprio sistema.
Outro abraço!
“Soluções”
ResponderEliminarSolução está no amor
Ou num pedaço de leitão
Mastigado com fulgor
No prato, na cama, no chão
Com espumoso de Anadia
Borbulhante de prazer
Prato assim não se adia
Anda cá, vou-te comer
Não chores o resultado
Deste ou doutro devaneio
Consequência desta acção
Verás o ventre inchado
Perguntarás donde veio
Resultou da degustação.
Eheheheh...
EliminarDesse amor, dessa paixão,
Fala enquanto, num banquete,
Equaciona a solução
Pr`a quem sente um torniquete
A apertá-lo... olhe que são
Muitas vozes em falsete
Que gritam numa aflição
Por bem mais que um beberete...
Guarde lá esse leitão,
O champanhe e o babete
Porque a muitos falta o pão
E este acordo - uma retrete! -
Exige revolução
Que vá muito além da net...
Mª João
Aí vai, com outro abraço, Poeta!
“Mentes flutuantes”
ResponderEliminarSistemática confusão
Criatividade promove
Dali lançou a alusão
E já nada o demove
Contradição gera vida
Dali complementou
E na casa da partida
Onde tudo começou
Dali foi o que se viu
Mente aberta flutua
Cresce apressadamente
Novo estado surgiu
E ao caos se adequa
Essa criativa mente.
EliminarDali, como tantos mais,
Deu asas à voz latente
Das visões não racionais
Que há em cada inconsciente
Pois, confuso - não demais...-,
Nada encontro de inocente
Nos traços originais
Que confundem tanta gente...
Pr`a mim, tem fácil leitura,..
Reconheço, no entanto,
Que se lançou na aventura
De causar-nos grande espanto,
Quando, na tela, mistura
Ilusão com desencanto...
Maria João
"Passou-me" a ligação do Surrealismo com o actual momento sócio-político... mas ela subentende-se neste sonetilho-resposta, Poeta. Abraço grande!
“Armadilhados”
ResponderEliminarArmadilham-nos a mente
Com a poluição difundida
E muito frequentemente
Armadilham-nos a vida
Pão e circo doutras eras
Está ao nível da escravidão
Já não nos atiram às feras
Dão às feras o nosso pão
E as migalhas sobrantes
Aos povos, que armadilhados
Já não distinguem o bem do mal
Veneram os beligerantes
Parece que estão siderados
Tal foi a lavagem cerebral.
Já está mais que armadilhado
Eliminaro meu magro dia-a-dia
muito embora eu, com cuidado,
"fltrasse" tudo o que ouvia...
Basta o cidadão, coitado,
ter por certa a garantia
de que ouvir, estando calado,
mais sossêgo lhe traria
E fica "o caldo entornado"
pois, cidadão que "nem pia"
é já cidadão lixado
Pela abjecta oligarquia
que lhe vai "cantando o fado"
na mais vil desarmonia...
Mª João
Cá vai, com outro abraço grande!
“Austeridades”
ResponderEliminarAusteridade com ética
Servida a quem de direito
Austeridade poética
E isenta de defeito
Austeridade musical
Tocada em ré menor
Austeridade sensacional
Quando vista em pormenor
Austeridade querida
Dos anais da economia
Nascida p’ra nos brindar
Com o melhor desta vida
Só assim se poderia
À austeridade brindar.
Prof Eta
Ética é que não será
Eliminaresta insana austeridade
que tanto cá, quanto lá,
nos mina corpo e vontade
E que, um dia, nos fará
gritar: - "Basta! Liberdade!",
mas, por enquanto, nos dá
migalhas de dignidade...
Brindar? Nunca brindarei
a tão sujo estratagema
de um sistema que execrei!
Mude-se, inteiro, o sistema
e, garanto, pensarei
num brinde... mesmo em poema!
Mª João
Segue com o abraço de todos os dias, Poeta!
(...agora, cada dia vai sendo uma conquista...)