UMA FROTA DE ILUSÕES

 


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(Soneto em decassílabo heróico)





Da frota de ilusões, destaco, ao fundo,


bojuda vela em barca pequenina,


rumando à colisão, rasgando o mundo,


a silhueta frágil da menina





Que, num primeiro olhar, quase confundo


com tantas que encontrei de esquina em esquina


e de cujas memórias quase inundo


o verbo que me embala e me fascina...





Tão firme, a vasta frota de ilusões!


Avança devagar, mas sempre avança


num mar que não lhe aponta obrigações,





Senão a que lhe cumpre; ser criança


e transportar, na barca, as vocações


escondidas em porões que nunca alcança.


 





Maria João Brito de Sousa – 27.07.2015 – 16.25h


 

Comentários

  1. Respostas
    1. ... pois eu, Poeta, estou com uma bela crise de asma... que já não tinha há uns dez anos...

      Vou ver essa descompressão!

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  2. “Raio de luz”

    Nunca morre o amor
    Por morrer um’andorinha
    Apenas nasce um flor
    Quando a hora s’avizinha

    Sendo momentos de dor
    São trilhos de quem caminha
    Como seria de supor
    Já que a natureza sozinha

    Tudo acaba por compor
    Ignorando a multidão
    E nem a lei a seduz

    Pois tem sempre ao dispor
    Desde o poder do tufão
    Ao brilhante raio de luz.

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    1. ... porque a vida é mesmo assim,
      bela e crua ao mesmo tempo,
      mil dramas num só jardim
      há, por cada nascimento

      Da serralha, ou do jasmim,
      da calma ou do pé-de-vento;
      desde o melro ao alecrim,
      que nele encontram sustento

      E tudo morre, por fim,
      tanta vez com sofrimento,
      mas garantindo, ao "capim",

      Seu constante entendimento
      com a Vida que ousa, enfim,
      ter sempre um prolongamento...


      Maria João

      Cá vai, Poeta, com o abraço grande de todos os dias!

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  3. escondidas nos porões?
    pois, digo eu, tuas palavras merecem os varandins ou mastros mais altos.

    beijo

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    1. Obrigada, Heretico!!!

      ... já reparaste que estou sem imagem? Tanto aqui, quanto no Fb, a Cloud recusa-me sistematicamente os uploads... claro que sei que a poesia não morre - nem pouco mais ou menos! - por ser publicada "a cru", sem a imagem que este tipo de suporte pede... mas ainda não digeri bem esta absurda e injustificada proibição...

      Beijo!

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  4. “Open mind”

    Out of the cage you fly
    Beneath shining stars
    Watching the blue sky
    The redness of Mars

    Never makes you die
    In oceans of psychology
    Are the waves you try
    Where boards of fantasy

    Never mistake your eye
    Make your thought clear
    Kill your brain disorder

    Shoot the reason why
    Makes the caos disapear
    Cage is no longer a border.

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    1. Aberta, "ma non tropo"...


      Pr´a matar o caos mental,
      no que a mim me diz respeito,
      precisava de estar mal
      e não o estou, com efeito...

      Mas dizer que sou "normal",
      não o digo! Este "defeito"
      de escrever água e ver sal,
      é poético preceito,

      Não doença e... nunca um mal!
      Eu sou do meu próprio jeito,
      estou contente e, como tal,

      Não vejo "tudo a direito";
      deduzo e sou racional,
      mesmo quando nada aceito...

      Maria João


      Aqui vai, Poeta, com o abraço grande de todos os dias e ainda muito inconformada por não poder trazer imagens às minhas publicações...

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  5. “Fora do círculo”

    Fora do círculo voar
    Sob estrelas em cintilação
    O céu azul observar
    E de Marte a vermelhidão

    Nunca te irás afundar
    Em oceanos de psicologia
    Lá tens ondas p’ra surfar
    Usa pranchas de fantasia

    Nunca enganam o olhar
    Tornam claro o pensamento
    Eliminando alguma barreira

    Não vês razão para falhar
    Caos é votado ao esquecimento
    Círculo deixa de ser a fronteira.

    Prof Eta

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    1. Fora do círculo escrevo,
      Fora dele... posso sonhar,
      Mas não quero, nem me atrevo
      A nunca mais lá voltar

      Pois é por lá que navegam
      Meus castigados irmãos;
      Às mil coisas que nos negam,
      Tento trazer-lhas às mãos!

      Tarefa dura, eu bem sei,
      Mas é minha e gosto dela...
      Nunca, nunca a negarei,

      Pois, sendo dura, é mais bela
      Do que qualquer outra lei,
      Mesmo a mais clara e singela...


      Maria João

      Respondi, como é evidente, segundo a minha imediata leitura/visão deste sonetilho que quse me parece a tradução do anterior... ou melhor, acrescentei qualquer coisa à minha resposta anterior... segue com outro abraço grande!

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  6. “Brilho na escuridão”

    Por vielas de negridão
    Brilharás intensamente
    Onde grassa a devassidão
    Suspensa na alma da gente

    Por becos de servidão
    Da humanidade dormente
    Pensam não ser o que são
    Não sentem o que se sente

    Em estado de negação
    Segue a mentira na frente
    P’ra encontrar solução

    Há que pensar diferente
    Pensando com o coração
    P’ró sentir chegar à mente.

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    1. Quase sempre em simultâneo,
      Uso mente e coração,
      Nunca nenhum sucedâneo
      Desta emotiva razão

      E, sempre neste sentido,
      Rasgo atalhos, cubro espaços,
      Recolhendo o que é devido
      À compreensão dos traços

      Com que construo os meus versos
      Nesse arroubo da paixão
      De onde me fluem dispersos,

      Da nascente - o coração... -
      E, um a um, vão sendo imersos
      Numa "ratio" em solução...

      Maria João

      Segue com o abraço de sempre, Poeta!

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  7. Os ventos d'além mar mostram-nos a musicalidade de versos fecundos, sofridos, mas bem vividos.
    Sua arte, poetisa, nos encanta e faz viver. Sofrer por sofrer todo poeta sofre, seja vendo os ares, os mares ou a própria vida que nos fará morrer.
    Um grande abraço!




    SONHOS

    Que seria da alma sem noções
    De mundos coloridos dessa vida,
    Onde o meu coração sente emoções
    Da nossa caminhada bem sofrida?

    Vejo os mares e flores coloridas,
    Estas sempre por mim oferecidas
    Às pessoas nem sempre a mim queridas,
    Muitas com dor e face emudecidas.

    Talvez as nuvens brancas do meu Deus
    Lembrem-me desses versos coloridos
    Nesses muitos mistérios a sondar.

    Tudo faz-me já viver sonhos teus,
    Frutos de nossos dias bem sofridos,
    Coisas que o tempo vão faz -me recordar.

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    1. ERRATA: 1. Leia-se no terceiro verso do primeiro terceto:
      Nesses muitos mistérios de amar.
      2. No terceiro verso do segundo terceto deve ser lido:
      Coisas que ao tempo vão faz-me voltar.

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    2. Muito grata pelo seu belo poema e pelas suas palavras amigas, Adílio!

      Fraterno abraço!

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  8. “Adormecimento”

    Em esquecimento profundo
    Anda a nossa consciência
    Sempre descendo mais fundo
    Muito além da decência

    Parece suportar este mundo
    No seu estado de demência
    A cada passo mais imundo
    Sem um pingo de clemência

    É nesta constante fobia
    Que o ser anda perdido
    E é tratado com desdém

    E quem nunca dormiria
    Terá mesmo adormecido
    Ou esqueceu-se também.

    Prof Eta

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    1. O(s) despertador(es)

      Adormecidos de todo,
      Ou mesmo condicionados,
      Ficam bem presos no lodo
      E, muito em breve, afogados

      Esses que, muito a seu modo,
      Possam estar alienados
      E repelem, com denodo,
      Outros, bem mais acordados.,

      Porém, não perdendo a esp`rança
      De alguns poder acordar
      Anda quem nunca se cansa

      De falar e de abanar
      Adulto, velho ou criança
      Que possa, ainda,`acordar...


      Maria João

      Aqui vai, Poeta, com um abraço grande!

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  9. “Trevas”

    Todos seremos poucos
    A remar contra a maré
    Pois meia dúzia de loucos
    Conseguem pôr-se de pé

    Ocupando a linha da frente
    Com a suprema verdade
    Asfixiando tão somente
    O resto da humanidade

    A outra parte sucumbiu
    Triturada por artimanhas
    Que não lembram a satã

    A luz mais ninguém viu
    Trevas nas suas entranhas
    Roubaram-nos o amanhã.

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    1. A "verdade" que apregoam,
      digo-lhe; é pura mentira,
      dentre as tantas que ressoam
      à espera que o mundo adira...

      Nesta "era da dinheirama"
      falta o bom discernimento
      que a razão sempre proclama
      e que sempre em mim sustento...

      De futuro hipotecado
      anda,pelo mundo inteiro
      tanta gente sem passado,

      Sem presente e sem dinheiro,
      sempre de "cinto apertado"
      quais formigas num carreiro...

      Mª João


      Aí vai com o abraço de sempre, Poeta!

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  10. “Porque não vos Calais”

    Estradas não são de oiro
    Mas as tampas das sanitas
    Onde alguns sentam o coiro
    São doiradas e bonitas

    Assim se desenha o futuro
    Como esboço da solução
    A construção doutro muro
    Neste mundo em construção

    E nesta europa de esperança
    A construção não emperra
    Como fruto da perseverança

    Lançam os cães de guerra
    Para acelerar a matança
    Dos que deixam sua terra.

    Prof Eta

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    1. Sonhos de algibeira...

      Assim se prepara um tempo
      onde alguns, muito pouquinhos,
      "florescem" do sofrimento
      de uns milhões de "pobrezinhos"...

      Quantos, sem darem por nada,
      na mais "santa estupidez"
      concedem, de mão-beijada,
      que isto se instale de vez?

      Não lhes falatando a novela,
      nem a bela escandaleira,
      que adorna a pequena tela,

      Que bonita pasmaceira!
      Raspadinha ou só cautela?
      Sonhos? Todos "de algibeira!

      Maria João


      Segue com outro abraço, Poeta!

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