ROSA DE HIROSHIMA

cogumelatomico.jpg


 




(Soneto em decassílabo heróico)





Obscenamente bela, a flor letal


que abrasara a cidade de Hiroshima,


rasga o céu sobre um eixo vertical


ao plano destroçado onde se anima





E vibra e desabrocha e colossal


se expande numa rosa que assassina,


derruba, carboniza e, por igual,


colhe a vida do velho e da menina...





Mas morre-me a palavra à flor dos dedos


que mais vos não dirão, mudos de espanto,


teimando em não falar dos seus segredos,





Depois de vislumbrado o frágil manto


com que o tempo velara antigos medos


Pr`a todo o sempre, espero... ou por enquanto?








Maria João Brito de Sousa – 06.08.2015 – 22.56h



Comentários

  1. Cara amiga
    Como é triste o instinto bélico do homem!
    Só Deus o pode somar.


    RIMAS DA DESTRUIÇÃO

    O povo que lamenta Hiroshima
    É toda a multidão que busca a paz,
    Mas o medo da guerra ainda domina
    Enquanto esse perigo ora se faz.

    Muitos fantasmas já nos atormentam,
    Embora os nossos sonhos sejam puros
    Mesmo havendo o perigo que comentam
    E que isso atesta o mundo intra-muros.

    As falanges de terror têm missão
    Sórdida e desumana para cumprir,
    Fazendo-o por instinto destruição.

    Ah! Tanta gente sem ter coração
    Pronta a exterminar todo o nosso mundo
    Pouco importando qual seja a nação.




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    1. Amiga,

      Esse tema é tétrico e me fez até esquecer de assinar essas Rimas da Destruição.

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    2. Não é o poema que é tétrico, meu amigo Adílio, é a realidade que o é... o poema - soneto, neste caso... - limita-se a reflectir essa realidade... a setenta anos de distância dela... o que a não torna menos assustadora...

      Acredito que o homem caminha - lentamente, é certo... - para um estado de amadurecimento que dispensará - embora nunca totalmente... - esses impulsos belicistas. E é tudo quanto lhe consigo dizer, esperando que a humanidade chegue, num futuro longínquo, a esse estado de maturação .

      Deu para entender bem que são de sua autoria, estas RIMAS DE DESTRUIÇÃO que, desde já, muito lhe agradeço! Fraterno abraço!

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  2. “That river”

    Cry me a river in blue
    Might cry me some drops
    Of your deepest true
    Emotions over the tops

    Emotions broken down
    Whenever you feel apart
    The river’s sometimes brown
    And the drops drop in art

    And the art fulls the heart
    And the heart feels around
    No matter the emotions are

    But mind will never distract
    No matter the emotions found
    That river never been so far.

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    1. A crazy italian sonet, in English words... or something similar...

      I`d cry a river... if I just could cry,
      but I should tell you that I`ve dried my tears
      and though ensuring that I have no fears
      I`ll set them free the moment that I die...

      It´s never easy but I`m gonna try
      to write it down and then to shout out; Cheers!
      before they come like happy volunteers
      and ask me questions... or just ask me why...

      This is so strange... in English you don`t use
      this kind of poems, cause they just don`t fit
      these english sounds... I think it`s an abuse

      To write a sonet, like I`m trying it...
      but if I wrote , it`s just because I chose.
      and if if I chose... I`ll end it bit by bit...


      Maria João


      A estrutura do soneto, em língua inglesa, não é esta, Poeta... isto é apenas uma frustradíssima tentativa de aplicar uma estrutura poética italiana/latina à língua inglesa... e um bocado feito à pressa, heheheh... mas é um soneto, embora muito rudimentarmente delineado e mais do que "desafinado" no jogo sonoro entre sílabas átonas e tónicas... mas cá vai com um abraço grande!

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  3. “Consciências”

    Uma ou duas não eram
    As vozes na consciência
    Nem nos becos da demência
    Onde ideias proliferam

    Onde as regras não imperam
    Mas as regras da vivência
    Superam insuficiência
    Daquilo que não viveram

    Em frestas de subsistência
    Aqueles que dizem não
    A um mundo colorido

    Produto da subserviência
    A promessas de construcção
    Que negam o prometido.

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    1. Haja, dela, quanto baste,
      pois sempre nos conduziu
      a melhorar, sem desgaste,
      quanto já se produziu

      E mesmo quando cansada,
      fica atenta e vigilante,
      não se vende - nem por nada! -,
      fortalece a cada instante...

      Falo, muito simplesmente,
      de um processo natural
      e bem saudável da mente,

      Não de algo "transcendental"
      e muito menos demente,
      ou sequer "para-normal"...


      Maria João

      Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!


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  4. “100 %”

    Essa forma de pensar
    Que usa o pensamento
    Essa forma de lutar
    Que combate o desalento

    Essa forma de sonhar
    Que sonha cada momento
    Essa forma de amar
    Que ama com sofrimento

    Essa forma de caminhar
    Onde caminhas sedento
    Essa forma de meditar

    Onde meditas isento
    Essas formas de estar
    Onde estás cem por cento.

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    1. Cem por cento de trabalho,
      cem por cento de paixão,
      cem por cento... se não falho
      e se não me falha a mão...

      Cem por cento sentimento,
      cem por cento racional,
      e ainda cem por cento
      de dedicação total...

      A que estranho resultado
      Já cheguei sem perceber
      que estava, decerto errado?

      São quinhentos... que fazer
      se , por tê-lo exagerado,
      nesses "cem" não me couber?

      Maria João

      Cá vai Poeta, com o meu abraço!


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  5. “Shakespeare sem caução”

    Poderia estar ganzado
    Mestre da dramaturgia
    Por isso o resultado
    Deu positivo um dia

    Hamlet estava alucinado
    Romeu a ganza consumia
    Julieta snifou um bocado
    Por becos e vielas se perdia

    Scotland Yard investigou
    Recolheu os fragmentos
    Do cachimbo setecentista

    Donde a ilicitude se provou
    Retiraram-lhe os argumentos
    E destituíram-no de artista.

    Prof Eta

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    1. Eheheheheheh...


      Seja lá que exemplo for,
      decerto o não vou seguir!
      Uso o meu próprio "motor",
      não me deixo "poluir"!

      Só assim sinto o valor
      de quanto esteja a sentir,
      sem nada que possa impor
      o que devo, ou não, excluir...

      Quem precisar de "dopagem",
      que se dope - o que eu lamento... -,
      e... muito boa viagem!

      Quanto ao meu discernimento;
      prefiro ter a vantagem
      de escrever... "sem condimento"...


      Maria João


      Forte abraço, Poeta!


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  6. “Desequilíbrios”

    Equilíbrio se desequilibra
    Ao pressionar um botão
    Tudo à nossa volta vibra
    Com o poder da explosão

    Neste mundo de loucura
    E por loucos governado
    Nem sempre a paz perdura
    Sendo a guerra o resultado

    Dando milhões a ganhar
    Elegendo presidentes
    Não há forma de tapar

    O que se diz entre dentes
    Só vale morrer ou matar
    Não valem nada as gentes.

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    1. Sem comida, nem tabaco
      fugiu-me a Musa a chorar...
      eu, que fiquei sem fumar,
      estou pr`aqui feita num caco...

      Metida a fome no saco,
      tenho agora de pensar
      se hei-de, ou não, aguentar
      enquanto o poema ataco...

      Estou quase a chegar ao fim;
      nada mau, pr`a quem tem fome
      e anseia por cigarrito...

      Quase lá, cumprindo assim
      aquilo que, tendo nome,
      hoje parece esquisito...

      Maria João


      Cá vai com o abraço grande de sempre, Poeta!

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  7. “Nova esperança”

    Desalento pode ser lento
    Mas se entra em erupção
    Transforma-se no fermento
    Que despoleta a revolução

    É o ponto zero do evento
    Início duma construcção
    Contém água e cimento
    Também ferro e betão

    E um novo muro avança
    Punhos, vozes, a marchar
    São gente em contestação

    Em busca de nova esperança
    Que não logram alcançar
    Na sua actual situação.

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    1. Não se sabe o "ponto certo"
      em que se ergue e se transforma,
      pois nunca foi descoberto;
      Revolução não tem norma,

      Deixa tudo em desconcerto
      mal o "caldo se lhe entorna",
      mas, sem um povo desperto,
      perde-se assim que se forma,,,

      Sonho, talvez,,, mas sonhando
      se abarcam realidades
      e também se vão pensando

      Muito importantes verdades
      que assim que se vão formando
      também formam as vontades...


      Mª João


      Cá vai, Poeta, com o devido abraço de todos os dias!


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  8. “Fragrâncias”

    Entre puta e meretriz
    Há uma grande distância
    Perceptível pelo nariz
    Sentida que é a fragrância

    Uma circula no duro
    Entre vielas e barracões
    Outra em estado puro
    Por entre luxuosos salões

    Duma não reza a história
    Por exercer a profissão
    Que é a mais velha do mundo

    A outra merece glória
    Pois tem enorme aceitação
    Nesse ambiente jucundo.

    Prof Eta

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    1. Será mesmo profissão,
      essa forma degradante
      de se garantir o pão...
      ou é sempre... alienante?

      Da mais insignificante
      à que faz mais "sensação",
      Não está, no fundo, distante
      A comum degradação...

      Sempre foi, sempre será
      pura disfunção social
      - ou "função" que a torna má... -

      Beco sem saída ou mal
      de quem anda ao Deus-dará
      no velho "leilão carnal"...


      Mª João


      Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!



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  9. “Nada mais”

    Dobro de nada é nada
    Mas em dobro sabe bem
    Se em dobro te é dada
    A alegria toda de alguém

    Mais que isso não tivesse
    Metade de nada te daria
    E se outro alguém viesse
    A outra metade levaria

    E de tudo o que tivera
    Assim nada me sobraria
    Porque em dobro eu dera

    Para proporcionar alegria
    A quem tudo detivera
    Mas que nunca sorriria.

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    1. "Dobro de nada" elevado
      seja a que número for
      - pode ser mesmo ao quadrado...-
      nada dá... nada a propor!

      Mesmo que multplicado
      pelo quadrado da flor,
      ou dá zero, ou está errado
      e nasceu só pr`a compor...

      Mas se um quase-nada,
      pode então multiplicar-se,
      dar numa "conta calada",

      E mesmo potenciar-se
      até dar soma avultada
      e, em grandeza, acrescentar-se...

      Maria João


      Aí vai , Poeta, meio "às três pancadas" e ao correr das teclas. Leva com ele o abraço de sempre!

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  10. “Reversão”

    Homem deve acreditar
    Naquele que é seu irmão
    Mesmo se atira a matar
    Por certo tem uma razão

    Deve a mesma sondar
    E atirar-lhe ao coração
    Para assim o desarmar
    Mostrando compreensão

    E desta forma alterar
    O estado de evolução
    Que parece imperar

    Levando-nos à extinção
    Ou a um estado larvar
    Acaso não haja reversão.

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    1. Esse "tiro ao coração"
      talvez se possa evitar
      pr`a poupar-se o nosso irmão...
      mesmo sem saber poupar...

      Mas aprenda-se a lição
      antes de assim se atirar,
      sem sombra de compaixão,
      nem tempo pr`á vislumbrar...

      Use-se a velha razão,
      pr`a melhor raciocinar,
      em vez dessa compulsão

      De matar só por matar ...
      e tire a sua ilação
      quem me queira comentar!

      Mº João

      Aqui vai, Poeta, todo em rima pobre... que é, apenas, uma designação e não uma desclassificação

      Abraço grande!

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  11. “Oratórias”

    Sobre tudo digo nada
    E sobre nada também
    Sobretudo à desgarrada
    Afinado como convém

    Eu cá mais nada sei
    Que aquilo que vos disse
    Outros que não nomearei
    Só vos contam intrujice

    Acreditar é proveitoso
    Mas com filtro afinado
    E não fiques ansioso

    Não faz mal ficar calado
    Que o discurso faccioso
    Não leva a nenhum lado.

    Prof Eta

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    1. Oratória(s)

      Venha esse filtro apertado
      a bem de alguma verdade!
      Fica um povo baralhado,
      perde a sua sanidade,

      Nem distingue se enganado,
      se, com tanta oralidade,
      o melhor é estar parado
      crendo que isto é liberdade...

      Faccioso, falacioso;
      eis discursos recorrentes
      do "paleio" duvidoso

      Que enche os ouvidos das gentes
      e, sendo vago e moroso,
      deixa os cérebros dormentes...


      Maria João

      Estava a ver que não conseguia... não estou mesmo nada bem, hoje, mas lá saiu qualquer coisa...
      Segue com o abraço de sempre, Poeta!




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  12. “Transcendências”

    Transcendente serei
    Se a minh’alma crescer
    Sem que seja mago ou rei
    Mais disposto a aprender

    O pensamento elevarei
    Além desta realidade
    Direito que conquistei
    De acesso à criatividade

    Consciência não limitarei
    No caminho a percorrer
    Ainda que possa perder

    O que nunca possuirei
    Se a minh’alma morrer
    Sem sequer se transcender.

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    1. Sonetilho de Coda

      Nós não somos transcendentes
      mas podemos transcender
      tudo o que as horas urgentes
      nos pedem para fazer

      Se em gestos surprendentes
      nos propomos a vencer
      quanto alguns, mais emergentes,
      afirmaram não poder...

      Com consciência e vontade
      - mesmo se a fome atormenta... -,
      lutamos pela Verdade,

      A tal que só se contenta
      quando, em plena liberdade,
      ou arriscando a tormenta,

      Diz, com franca honestidade
      que, mesmo que fraca e lenta,
      não perde a tenacidade...

      Mª João

      Poeta, cheguei à pouco e pensei pôr mãos à obra, mas não me sinto bem e vou ter de me deitar um pouco.
      O sonetilho segue com o abraço de todos os dias!




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  13. “Ground zero”

    I believe I can fly
    Over my dreams
    And so real it seams
    Beneath the sky

    I believe no matter why
    Dreams are my destiny
    Cause the dreams I see
    With eyes open, never lie

    You may say I’m a dreamer
    But I’m not the only one
    When I fly the highest bound

    Never listen any screamer
    Neither the sound of a gun
    And my soul flies around.

    Prof Eta

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    1. I fly! Whenever a sonet
      takes me far, so far away
      that I blink and I forget
      before I Know what to say...

      I fly, but I´d rather crawl
      if I knew I could say more...
      For the moment, this is all,
      All this? I wrote it before...

      Maybe dreamer maybe writer...
      I`m just everything I do,
      and, If I do, I`m a fighter...

      Would you be a fighter too,
      or just care for being brighter?
      Fly me while I write for you...

      Mª João

      Poeta, vou ter de sair já. Confesso que estes sonetilhos em inglês, feitos à pressa, me saem muito malzinho, coitados... estes é que vão mesmo feitos à martelada, rsrsrsrs

      Abraço grande!

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  14. “Conhecer a ilha”

    Rema p’ra fora de ti
    Duma forma decidida
    Vê a ilha que eu não vi
    Quando s’está de partida

    Navega em alto mar
    Sem o corpo e a mente
    Busca forma de navegar
    Só com a alma presente

    Regressa à existência
    Agora mais consciente
    Dessa face desconhecida

    Vive nova experiência
    Numa ilha diferente
    E enceta nova partida.

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    1. É e sempre foi só dela,
      dess` Ilha de simbolismos
      que a nascente jorra bela
      dentre vulcões, dentre abismos...

      Selvagem... talvez singela,
      sacudida por mil sismos,
      gentil para quem vem vê-la
      pouco dada a formalismos;

      Eis-me enquanto ilha deserta
      deste mar que não tem fim,
      pr`a quem venha à descoberta

      Deste pequeno jardim
      que tem sempre a porta aberta,
      mas que criei só pr`a mim!


      Mª João

      Poeta, nem sei como me saiu este sonetilho "às três pancadas", porque o meu estado de saúde é grave, neste momento e surgiu um episódio tremendamente doloroso... vai conforme o senti, sem pensar muito... um grande abraço!

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  15. “Campanha”

    Vem campanha eleitoral
    Vem cantar-nos ao ouvido
    Vem convencer Portugal
    A votar no teu partido

    Uma vez mais prometer
    Um país maravilhoso
    P’ra logo a seguir fazer
    O que te der maior gozo

    Disto prometo um milhar
    E daquilo um milhão
    Tudo p’ra te fazer feliz

    Acabei por me enganar
    Terminada a eleição
    Essa promessa não fiz.

    Prof Eta

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    1. Da campanha enganadora,
      estou farta e mais que cansada
      mas com esp`rança de que agora
      não se repita a jogada;

      "Meu amigo, salta fora!
      quero a cadeira emprestada
      p`ra repetir, hora a hora,
      a mesma velha "chachada..."

      Vou apoiá-la, porém,
      tendo uma outra ideia em mente
      pois, Poeta, espero bem

      Que, pr`a bem de toda a gente,
      se reforce a esquerda - e bem! -,
      mas esquerda coerente!!!


      Maria João

      Poeta, ainda estou febril e muito doente e com dores, o que me impede de estar mais do que uns instantes concentrada, mas ... mas ou menos martelado, ainda consegui que me saísse este sonetilho-resposta...
      Aqui vai com o abraço de sempre!

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  16. “Análise sináptica”

    Sinapse extraordinária
    Estabeleceu a ligação
    E duma forma sumária
    Ligou cérebro ao coração

    Formou ligação binária
    Onde flui informação
    E numa base paritária
    Juntou amor e razão

    Uma análise realizou
    Baseada no que sentia
    Outra em racionalização

    Resultado a que chegou
    P’ra salvar a economia
    Destrói-se a civilização.

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    1. ... e se estoutra ligação
      me permitir responder,
      direi que há que renascer
      nesta civilização

      Pois, de tanta confusão,
      de tanto por aprender,
      há que voltar a escolher
      e a saber dizer que não...

      Mas lamento a disfunção
      da ligação que, a tremer,
      mais parece a negação

      Do que o seu nome diz ser!
      Por ela, peço eu perdão...
      mas nunca do que eu escrever...


      Maria João

      Cá vai - se for... - Poeta... nunca vi a ligação tão louca quanto está hoje, é praticamente impossível responder ou mesmo ler... abraço grande e , "nem tanto ao mar, nem tanto à terra", no que toca a civilização...

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  17. BERÇO DOIRADO (ainda que desconchavado)

    A escumalha que mastigue os chicharros
    Para mim tragam um cherne escalado
    A canalha que inspire os cigarros
    Que eu prefiro um charuto perfumado

    P´ra gentalha, um tintol avinagrado,
    Entornado do tonel p´ro tosco jarro
    Que eu mereço um néctar mais bizarro
    De reserva, envelhecido e engarrafado

    Se adoeço, quero um médico afamado
    Para eles, um qualquer joão semana…
    Quero um serviço de saúde no privado,

    No mesmo dia quero ficar curado
    E os outros que esperneiem numa cama
    Que nem todos nascem em berço doirado.

    Eduardo

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    1. BERÇO DIGNO (ainda que muito desconhavado... o soneto)

      Em berço abençoado eu fui nascida,
      mas doirado não era, com certeza...
      Nunca tive honrarias de princesa,
      mas de outra forma fui bem recebida

      Pois nada me faltava e senti querida
      cada presença minha à velha mesa,
      cada dia a crescer na chama acesa,
      cada noite em sossego e bem dormida...

      Nunca, em momento algum, me senti presa,
      mas era já poeta... e portuguesa,
      porque em tudo me vi comprometida

      Com quanto há que crescer pr`a ter, coesa,
      a sede de justiça... eu que, indefesa,
      tão cedo a vi esmagada... e não vencida!


      Maria João


      Muito lhe agradeço o seu belo soneto, Eduardo! Respondo-lhe "à letra", mas um pouco "marteladamente", assumo. Precisaria de umas horas para rever devidamente este soneto, mas... a mensagem é mais do que verdadeira e segue assim mesmo, com o fraterno abraço do costume!



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    2. Perdão! Leia-se "desconchavado", no título...

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    3. Aqui lho reenvio, ligeiramente melhorado, Eduardo! Muito obrigada!!!

      Em berço abençoado eu fui nascida,
      mas doirado não era, com certeza...
      Nunca tive honrarias de princesa,
      mas de outra forma fui bem recebida

      Pois nada me faltava e senti querida
      cada presença na saudosa mesa,
      cada dia a crescer na chama acesa
      duma noite em sossego e bem dormida...

      Nunca, em momento algum, me senti presa,
      mas era já poeta... e portuguesa,
      porque em tudo me vi comprometida

      Com quanto há que crescer pr`a ter, coesa,
      a sede de Justiça... eu que, indefesa,
      tão cedo a vi esmagada... e não vencida!


      Maria João Brito de Sousa - 29.08.2015 - 12.15h

      (Em resposta ao soneto BERÇO DOIRADO de Eduardo Maximino)

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  18. “Migrantes”

    Vem aí mais um migrante
    Tenta ser um refugiado
    Chega todo ofegante
    Rasga-se no arame farpado

    São os espinhos em riste
    Da europa desenvolvida
    P’ra cá vem quem não desiste
    Mas cá tiram-lhe a vida

    É um império de vaidade
    Onde reina a hipocrisia
    Quase à beira da falência

    Luta-se pela liberdade
    Ou então lutou-se um dia
    Hoje está em decadência.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Neste império de vaidade,
      Cada migrante procura
      Ter alguma dignidade
      Onde a ganância perdura...

      Logo essa ganância invade
      Quem tendo uma vida dura,
      Vê, na fuga, a liberdade
      E encontra, apenas... tortura...

      Quando estoutra realidade
      Já só parece loucura
      E perfeita insanidade,

      Logo vê que não tem cura
      Esta louca sociedade
      Onde impera a ditadura...

      Maria João

      Cá vai, muito "martelado", mas com o abraço de sempre, Poeta!



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