LIBERDADE - Bocage e eu - AVL

Álvaro Cunhal - Desenhos na prisão 01.jpg


 


 


LIBERDADE





Liberdade, onde estás? Quem te demora?
Quem faz que o teu influxo em nós não caia?
Porque (triste de mim!) porque não raia
Já na esfera de Lísia a tua aurora?


 


Da santa redenção é vinda a hora
A esta parte do mundo que desmaia.
Oh! Venha... Oh! Venha, e trêmulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!





Eia! Acode ao mortal, que, frio e mudo,
Oculta o pátrio amor, torce a vontade,
E em fingir, por temor, empenha estudo.





Movam nossos grilhões tua piedade;
Nosso númen tu és, e glória, e tudo,
Mãe do gênio e prazer, ó Liberdade!








Manuel Maria Barbosa du Bocage





LIBERDADE II





"Liberdade, onde estás? Quem te demora?"


Quem te prende e te afrouxa, dominada,


Quando nua nasceste e desnudada


Te ergueste em toda a fauna, em toda a flora?





"Da santa redenção, é vinda a hora"


Pois basta de evocar-te e não ter nada,


E ver-te assim, rendida, envergonhada,


Ou morta, assassinada... igual nos fora!





"Eia! Acode ao mortal que, frio e mudo,"


Cedendo à frustração, perde a vontade,


Pois tendo-te perdido... perde tudo!





"Movam nossos grilhões tua piedade"


Até que irrompa, firme, o brado agudo


Da tua reconquista, ó Liberdade!


 





Maria João Brito de Sousa - 21.09.2015 - 11.34h


 


 


Desenho de Álvaro Cunhal (Desenhos da Prisão)


 


 

Comentários

  1. “Ao vento”

    De palavras não passam
    Soltas assim ao vento
    Vida real ultrapassam
    Vão cair no esquecimento

    Suas boas intenções
    Aqueceriam o inverno
    Mas desfeitas as ilusões
    Vão desaguar no inferno

    É no tabuleiro da vida
    Que se joga o grande jogo
    Sem vislumbre de solução

    Por cada jogada perdida
    Há vidas jogadas ao fogo
    Reverso da boa intenção.

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    1. Pr`a quem saiba articulá-las,
      formam frases com sentido
      e é melhor aproveitá-las
      mesmo que algum desmentido

      Tente já silenciá-las
      sem que eu tenha consentido,
      ou apenas deturpá-las,
      por não ter compreendido...

      Mas vou-as lançando ao vento,
      como sementes selvagens,
      sem qualquer ressentimento,

      Porque os versos, como as vagens,
      abrem sempre e, lá por dentro,
      estão sementes de mensagens...

      Mª João

      Tudo, por aqui, nas "correntes de ar" provocadas pelas altas e baixas pressões da virtualidade, viaja como o vento, Poeta... cá vai com o abraço de sempre!

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  2. “Criança”

    Acarinha essa criança
    Solta, livre e a brincar
    Nunca toldes a esperança
    Dessa alegria a brotar

    Delas será o futuro
    Lugar comum, eu sei
    Mas o diamante mais puro
    É aquele que lapidarei

    Incansável, sem cessar
    Procurarei a perfeição
    Atá ao limite da dor

    O amanhã que brotar
    Trabalhado à exaustão
    Será resultado do amor.

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    Respostas
    1. Por ela lutamos todos,
      Uns melhor, outros pior,
      Mas é dela a esp`rança a rodos
      De que podemos dispor,

      Será só dela o futuro
      Que pudermos construir!
      Que não seja assim tão escuro,
      Que nunca a deixe sorrir...

      Promete, o tempo presente,
      Muita luta e muito empenho
      Pr`a que ela cresça contente

      Sem ter de ir franzindo o cenho
      Sempre que o mundo desmente
      A gibóia em seu desenho...(*)

      Maria João

      (*) Alusão a um episódio da obra "O Princípezinho" de Saint Éxupery


      Cá vai, Poeta, com um abraço! O dia de hoje foi e continua a ser complicado. O de amanhã, também vai ser difícil, com saídas inadiáveis e várias.

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  3. ORA FAZ LÁ CONTAS

    Os que não votam, anota,
    Chama-lhes abstenção
    E a seguir, toma nota,
    De quem engana a votação

    Dizendo, nem sim nem não…
    E, assim, verás que quem vota
    Disso fazendo menção
    É uma pequena quota.

    Divide, esses, então,
    Por todo o concorrente
    À nossa governação…

    Quem governa esta nação,
    Se pensares, em toda a gente…
    É a minoria, ou não?...

    Eduardo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. FEITAS AS CONTAS...

      É verdade, com efeito,
      Nunca o poderei negar...
      Vota um milhão num eleito
      Que o há-de representar

      Mas, pr`a já, digo que aceito!
      Se o não pudesse aceitar,
      Num Portugal tão desfeito
      Por quem o anda a afundar,

      Sentir-me-ia imprudente...
      Não por mim, por todos nós
      Que olhando pr`á coisa "a quente",

      Pensamos; "Que coisa atroz,
      Ver no governo essa gente!"
      (Sem voto, perde-se a voz...)

      Maria João

      Muito obrigada, Eduardo, por mais este excelente sonetilho! Respondi sem grandes cuidados estéticos, porque estou sem tempo e o dia não foi dos mais fáceis, mas respondi de acordo com aquilo que penso neste momento que vivemos.

      Um forte abraço para si e Maria dos Anjos!





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  4. “Lampejos"

    Por entre folhas
    de tempo
    de espaço
    ainda sobeja
    a lucidez
    suficiente
    que despreza
    o presente envenenado
    dum presente maravilhoso.

    Zé da Ponte

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    Respostas
    1. Lucidez?
      Há quanto baste
      sem grandes "ais",
      nem dores de alma,
      pois meu único desgaste
      está nas despesas fatais...
      quanto ao mais, sou muito calma.

      Analiso!
      Objectivando;
      só dói quando a dor chegar,
      antes dela, sobrevivo!
      Quando tudo vai faltando,
      trabalho enquanto aguentar,
      pois, do verbo, não me privo...

      Maria João


      Cá fica, com o abraço de sempre, Poeta!

      Eliminar
  5. “Clara”

    Desenganos na manhã
    Clara feita de espanto
    Nuvens na tempestade
    Clara feita de sorriso
    Relampeja ambiguidade
    Clara feita de emoção
    Vagas vagueiam vagamente
    Clara desfeita.

    Zé da Ponte

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    Respostas
    1. Claramente,
      é curto o tempo
      pr`á obra que tenho em mãos
      e claramente pretendo
      acabá-la, meu irmão...

      Claramente
      de saída
      e claramente
      apressada;

      Abraço de despedida,
      voltarei! Estou atrasada...

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  6. El-rei You

    E El-rei nem ia nu
    Mas de barbicha comprida
    Quando uma niña atrevida
    Se lhe dirigiu «por tu».

    Com semelhante menu,
    Clama a turba, compungida…
    Bem podia a desabrida
    Tê-lo tratado «por you».


    Anda el pueblo esquecido,
    Cá no meu ponto de vista,
    Pois não ficou ofendido

    Quando lhe chamou querido
    Uma outra jornalista
    E ele ficou embevecido.

    Eduardo

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    Respostas
    1. Das notícias, tenho andado,
      muito afastada, estes dias...
      Nada li, pois tenho estado
      com bastantes "avarias"...

      Não esteve o mundo parado
      à espera das melhorias
      e eu sei que tenho falhado
      por ter falta de energias

      Por isso, passa-me ao lado
      o sentido, as ironias,
      do que aqui vejo narrado.

      Peço desculpas, tardias,
      por não ter-lhe comentado
      estas sátiras sadias...

      Mª João

      Muito obrigada, amigo Eduardo! Muito embora tenha a sensação de que este episódio me está a "passar ao lado", o sonetilho é muitíssimo bom!
      Ahhhh, talvez não... tenho ideia de um episódio em que este sonetilho se encaixa muito bem. Passou-se em Évora... será?

      Forte abraço para si e Maria dos Anjos!


      Eliminar
    2. Trata-se de um esfarrapado comentário ao facto de os espanhóis estarem amofinados porque uma jornalista tratou sua alteza real por tu.

      pelo Eduardo

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    3. Obrigada, Poeta, não sabia!

      (espero que "sua alteza real" sobreviva sem grandes traumas , eheheheh...)

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  7. "Alegre e crente"

    É um homem transparente
    Aquele que nos assiste
    Trata da vida da gente
    Com vigor e não desiste

    E vai o povo contente
    Com a caneta em riste
    Muito alegre e crente
    Colocar a cruz e insiste

    No transparente perfeito
    Em mais uma eleição
    P'ra governar Portugal

    E uma vez mais eleito
    Opaca é a governação
    Que nos governa tão mal.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Furiosa, mas esperançada!

      Este que nos desgoverna,
      não é nada transparente,
      põe-nos a desgraça "à perna"
      e sempre que fala... mente,

      Mas só se o povo consente
      que a desgraça seja eterna,
      sendo tolinho, imprudente,
      votará nessa "baderna"!

      Não deixarei de votar
      por muito que essas sondagens
      me tentem desanimar

      Depois verei, nas contagens,
      se esse "veio pr`a ficar",
      ou se votar tem vantagens...

      Mª João

      Cá vai, Poeta, com o abraço do costume!

      Eliminar
  8. Respostas
    1. Também eu, Poeta... fui atingida por um cansaço bem maior do que o habitual, nem sei se vou aguentar muito tempo aqui, ao computador... mas vou ver o Chá!

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  9. “Contra”

    Contra tudo
    Contra todos
    Contra nada
    Contra ninguém
    Contra paredes
    Contra muros
    Contra, contra,
    Contra quem ?

    Zé da Ponte

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Contra toda a injustiça,
      contra todas as formas de humilhação dos seres vivos,
      contra toda a tirania,
      contra a sobrevalorização da emoção em detrimento da racionalidade,
      contra o grande capital,
      contra tudo o que é mesquinho e redutor,
      contra o "Arco da Lambança",
      contra o nauseante oportunismo,
      contra a desumanização do ser humano,
      contra toda a espécie de superstições e crendices,
      contra o AO90,
      contra o suicídio/assassinato da língua portuguesa,
      contra a instrumentalização da comunicação social ao serviço da burguesia,
      contra todas as formas de manipulação da inteligência humana...
      Contra tudo, tudo, tudo isto e mais umas quantas coisas que me não ocorrem, de momento.


      Maria João

      Eliminar
  10. “Aprendizes”

    Sem ser poeta ou atleta
    Sem ser profeta ou rei
    Sem ter que chegar à meta
    Sei que um dia chegarei

    Nem que seja de lambreta
    Ou de rastos, nem sei
    Ou montado num cometa
    Esse que nunca verei

    Só passa de mil em mil
    Para gáudio dos infelizes
    Que aplaudem com aprumo

    Temos que explicar Abril
    Aos feiticeiros aprendizes
    Pra que haja um novo rumo.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Poeta, a febre vai alta
      E eu nem sei se aqui versejo
      Ou se o verso nem se exalta
      Onde nem letras já vejo...

      Vou tentar, mas... tudo falta!
      Inspiração? Voz? Solfejo?
      Só a dúvida me assalta
      E é por isso que fraquejo....

      Nem a cadência me vem
      Neste esforço de o tentar
      E sei que o não faço bem

      Mas... cá estou a versejar!
      Nem a febre me detém
      S` inda puder respirar...

      Mº João

      Cá vai, Poeta... saiu só por sair, para lhe dar uma explicação sobre a minha ausência das leituras e publicações...
      Abraço!!!

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  11. Respostas
    1. .... muito chá ando eu a beber, a ver se me não desidrato... vou vê-lo, Poeta.

      Eliminar
  12. Momentos finitos
    Afastados da realidade
    Pensamentos aflitos
    Não conhecem verdade

    Silenciosos gritos
    Revelam ansiedade
    Despertam conflitos
    Longe da normalidade

    Lá onde atónitos
    Assistem à barbaridade
    Meia dúzia de eruditos

    Senhores da eternidade
    Em momentos infinitos
    Descodificam a humanidade.

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    Respostas
    1. Eruditos incapazes
      de fazer, de construir,
      vi uns tantos... "mui loquazes",
      mas só me fizeram rir

      Pois nunca foram audazes,
      sempre prontos a fugir
      como fumaças fugazes,
      de quem comece a ... rugir.

      Senhores da Eternidade
      são os povos que constroem
      quanto houver de identidade

      E quem esses só moem
      com falta de liberdade
      e as correntes que, a nós, doem...

      Mª João

      Fui um bocadinho mazinha para os tais sennhores daquilo que ninguém sabe exactamente se existe - a eternidade - , Poeta, mas... só hoje descobri que mudaram a minha mesa de voto para um local onde já não chego sem transporte... e confesso que estou furiosa. Estava convencida que nenhuma das cinco assembleias de voto "deslocadas" - aqui, no meu Concelho - era a minha, mas ... foi, também.

      Abraço!

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  13. “Assim votará”

    Portugal à frente
    Não esteve ou estará
    Apenas quem mente
    Tem andado por cá

    O povo descontente
    Anda ao Deus dará
    Apenas é crente
    E assim votará

    Faz fraca a forte gente
    Quem se governou
    Sem ter governado

    Por demais contente
    Quem assim sugou
    O pobre coitado.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Portugal está mesmo a frente
      No que toca a roubalheira,
      Quanto a povo descontente
      E a burla charlataneira!

      Tem, à frente, um presidente
      Com tendência para a asneira,
      Mais um punhado de gente
      Desonesta e "lambareira",

      Diga-me, Poeta, então,
      Se não está muito bem vista
      A pequenina exressão

      Com que o PAF "catrapisca",
      Toda essa devastação
      Que arrasou que nem faísca?

      Maria João


      Poeta, fui fazer análises. Não estou nada bem, isto foi o que se pôde arranjar.... segue com o abraço de sempre!

      Eliminar
  14. "Não manipularás"

    Não houve manipulação
    Geneticamente falando
    Mas foi grande a explosão
    Pareciam bancos rebentando

    Foi o BPN em estilhaços
    E o BES aos bocadinhos
    Só ficaram os palhaços
    Os que pagam coitadinhos

    O governo foi magistral
    Na arte de governar
    Sem usar o populismo

    Assim salva Portugal
    Que estava a balançar
    Mesmo à beira do abismo.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. ... a um passo do abismo,
      fê-lo dar um passo em frente...
      Foi pior que haver um sismo
      que abanasse toda a gente

      Pois se fosse "salvação",
      qual há-de ser o conceito
      que se adapte a "perdição"
      quando tudo está desfeito?

      Mas, magistral terá sido,
      nessa arte de bem mentir,
      porque muito tem mentido;

      Sempre que quer destruir,
      afirma ter construído,
      nada faz pr`ó corrigir...

      Mª João


      Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!

      Eliminar
  15. “Sondagem”

    Sondagem fresquinha
    Acabada de realizar
    Não muito certinha
    É o que se pode arranjar

    Tu na tua, eu na minha
    Lá iremos votar
    Ninguém adivinha
    Quem irá ficar

    No alto do poleiro
    Para assim esbanjar
    O nosso dinheiro

    Pois para governar
    O nosso atoleiro
    Só precisa enganar.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Sondando...

      Bem sei, Poeta, bem sei
      como o ideal seria,
      do "poder", fazer razia
      e dá-lo, inteirinho, à "grei",
      mas o certo é que auscultei
      esta metodologia
      e vi quanto mal faria
      ao país que amo e que amei,
      ver-se "sem roque nem rei"
      p`rante a crua tirania
      em que a astuta economia
      mergulhou, fazendo lei...
      Eu, Poeta, votarei!
      Votarei com ousadia
      nessoutra Democracia
      Avançada e aguardarei
      pelos frutos que plantei
      enquanto amadurecia,
      a luta que cresceria
      das sementes que lancei...


      Maria João

      Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!

      (O sujeito poético destas redondilhas não sou necessariamente eu, Poeta... tomo, aqui, uma das liberdades que a escrita poética me dá de falar em nome de um sujeito colectivo)

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