MEU PINHEIRO MANSO, MEU FIGUINHO-LAMPO...

FIGUEIRA.jpg


 


(Soneto em verso hendecassilábico)


 


 


Meu celeiro farto, meu pinheiro manso


Que choras se parto, calo ou me desdigo,


Meu pinheiro amigo, meu seguro abrigo


Onde, havendo p`rigo, me escondo e descanso


 


De um bulício antigo que nem sempre alcanço;


Porta sem postigo, falta sem castigo,


Figueira onde o figo sabe que o bendigo


Por ser só comigo que dança, se eu danço


 


Doce figo lampo que uma mãe-figueira


Me of`receu trigueira, lesta, rotineira


E que ao dar-se inteira se me foi tornando


 


Materno alimento, carne, irmã ceifeira


De espiga engendrada nesta fértil leira


Tão mais derradeira quão mais vai faltando.


 


 


Maria João Brito de Sousa - 12.03.2015


 


 


 


(Soneto em reedição, ligeiramente modificado - À minha morada)


 


 

Comentários

  1. “Geringonças”

    Volta ao mundo em 80 dias
    É do Centeno por suposto
    Está a causar sérias arrelias
    Ao primeiro-ministro deposto

    Nesta que é era do reviralho
    Um trio de amigos da onça
    Tendo à cabeça um paspalho
    Está ao volante da geringonça

    PREC do século vinte e um
    Aos sete ventos apregoado
    Após quarenta anos de jejum

    Aqui d’el rei, poder foi tomado
    E a geringonça catrapum, pum
    Pàf, pàf, pàf, pàf, estou desolado.

    Prof Eta

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    1. Sonetilho "geringonçado"

      Tão falha de inspiração,
      Nem sei se irei conseguir
      Findar a composição...
      A rima está-se a sumir,

      Não tenho concentração,
      Apetece-me ir dormir,
      E procuro um alçapão
      Pelo qual possa fugir...

      Martelado, por inteiro:
      PAF, PAF e catrapaz,
      Nasce, enfim, um trauliteiro

      Sonetilho "de cabaz"
      Que, envergonhado e rasteiro,
      Não ficou nada capaz...

      Maria João

      Cá vai este sonetilho "geringonçado" Poeta, em mais um dia de total "desinspiração". Abraço grande!

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  2. “Desumanidade”

    Liberdade para a guerra
    Igualdade para alguns
    Fraternidade encerra
    Alguns desejos comuns

    De os ver na sua terra
    Onde praticam jejuns
    A gente vai lá e ferra
    Não queremos cá nenhuns

    Esta é a lei da bala
    Que devolve explosões
    Apocalípse e ansiedade

    Só a mão que embala
    Pode educar corações
    P’ra mudar a humanidade.

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    1. Ah, Poeta, os corações
      São passíveis de mil erros;
      Quando reféns das paixões
      Ficam duros como ferros

      E entregam-se a compulsões
      Que produzem mais enterros
      Pois não "filtram" comoções;
      Galgam estradas, sobem cerros,

      Ficam cegos de ódio infindo,
      E, às vezes, vendo "demais",
      Vêem feio o que for lindo,

      Deixam de ser racionais
      E vão sempre produzindo
      Mil e um crimes passionais...

      Maria João

      Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!



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  3. “Nascimento do mal”

    Tudo já não existe
    Pois tudo desmoronou
    Apenas um grão resiste
    E foi dele que resultou

    O nascimento do mal
    Que por não existir o bem
    Nunca pôde ser fatal
    Pois não teve contra quem

    Foram anos a metralhar
    Num desespero imenso
    Contra um inimigo virtual

    Como não conseguiu matar
    Esse metralhar intenso
    Deixou de ser essencial.

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    1. Teoria "arrevezada",
      Nada fácil de entender,
      Esta do "mal" contra um "nada"
      Que o nem soube receber

      E da "metralha" lançada;
      Contra quem? Nem sei dizer...
      Eu fiquei petrificada
      Ao ver tudo acontecer...

      Diz não ser essencial,
      Que deixou de ter sentido,
      Que o mal deixou de ser... mal?

      Pouco tendo percebido,
      Respondo de sorte tal
      Que espero é ter respondido...


      Maria João

      Aqui vai o sonetilho possível, Poeta. Não consegui entender exactamente o que queria dizer, embora suponha que se refere à génese dos recentes atentados em Paris. Abraço grande!

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  4. “Noite escura”

    Desequilíbrios possíveis
    Duma potência mordaz
    Equilíbrios impossíveis
    Por isso tudo aqui jaz

    Homem contra si próprio
    Em actos de valentia
    Criou algo de impróprio
    Como apenas ele previa

    Difícil o entendimento
    Mas possível entender
    À luz de alguma escritura

    Olhamos o firmamento
    Sem estrelas a nascer
    Chega agora a noite escura.

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    1. Não há escrito, nem escritura
      Que o possa justificar
      Pois foi mais do que loucura
      Tanto matar por matar!

      Por detrás da trama obscura
      Quanta intriga a comandar
      A tremendamente dura
      Mão que insiste em perpetrar

      Crimes disformes... que impura
      A voz desse metralhar
      Que parece não ter cura

      E que não sabe parar
      Senão quando a sepultura
      Chega, enfim, para o calar...


      Maria João

      Segue muito "martelado", como de costume, a fazer eco com a minha indisposição perante tudo isto e não só, Poeta.
      Abraço grande!

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  5. “Impactos”

    Início da tempestade
    Foi essa a reivindicação
    Não tem início na verdade
    Nem terá fim a situação

    Assim é a humanidade
    Desde a sua criação
    Concebida em maldade
    Até ao dia da extinção

    Polvilha-se com bondade
    E toda a boa intenção
    Disfarce de circunstância

    Não esconde a barbaridade
    Do impacto da explosão
    Nos corpos a curta distância.

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    1. Neste lamentável estado,
      Estou muito mais vulnerável
      E tento "passar ao lado"
      Do que seja inominável

      Mas, quando isso me é negado,
      Fico quase inconsolável;
      Tudo me parece errado
      E, por vezes, execrável...

      Não nego, nem negarei,
      Que anda muita hipocrisia
      A pautar certas acções,..

      De mim mesma, o que direi,
      Se transformo em poesia
      As mais vãs contradições?

      Maria João

      Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!

      Eliminar
  6. “Radicalizado”

    Demo foi radicalizado
    Permitindo atrocidades
    Sob a forma de atentado
    Ceifa vida nas cidades

    Promessa do paraíso
    Foi um negócio interno
    Se atingido o objectivo
    Poderá deixar o inferno

    Poderá viver entre nós
    Patrocinando explosões
    Da primavera ao inverno

    Esta realidade atroz
    Fará parte das contradições
    Tendência no mundo moderno.

    Prof Eta

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    1. "Demo"... é só como quem diz,
      Que o conceito é muito antigo
      E traz bem funda a raiz
      Que o prende ao medo do p`rigo...

      Mais penso, poeta amigo,
      Que o verá qualquer petiz
      Que traga a questão consigo,
      Mesmo que seja aprendiz...

      Da ganância se alimenta
      Muito bem alimentado
      E só nela se sustenta

      Pr´a, nela, ter seu legado
      Que se alastra e sempre aumenta,
      Sem cuidar de ter matado...

      Maria João

      Poeta, vai muitíssimo "martelado", atendendo ao "período de pousio" em que me encontro, mas segue com o abraço de sempre!

      Eliminar
  7. “Always ride”

    Sometimes we live
    Sometimes we die
    Sometimes we achieve
    Sometimes we try

    Sometimes we standup
    Sometimes we bend
    Sometimes we rise-up
    Sometimes we’re a trend.

    Important is sometimes
    When life is stand still
    We do not step aside

    We feel others all the times
    And forever and ever we feel
    Our souls that always ride.

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    1. To achieve, we`ll have to try,
      Or, my friend, we`ll never start...
      Just never start with a lie
      That will tear us apart...

      Ai, Poeta, o sonetilho - forma poética - adapta-se tão malzinho à língua inglesa... se eu já estou em "período de pousio", se tento poetar segundo a musicalidade desta forma, ainda fico mais "desarmada"...
      Vai só uma quadrazinha... acredite que não estou nada bem.

      Abraço grande!

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  8. “Brisa das estrelas”

    Se a brisa das estrelas
    Ilumina o teu saber
    Se através de janelas
    Lá longe consegues ver

    Então será a sabedoria
    Que de ti se aproxima
    Podes crer, nesse dia
    Não estarás lá em cima

    Nem quererias estar
    Pois assim as coisas são
    A arte de contemplar

    Chega e enche o coração
    E a alma de par em par
    Abre-se a toda a imensidão.

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    1. São metáforas, tão só,
      Que uso para descrever
      Tudo o que desate o nó
      Que as palavras quer prender...

      Alguma sabedoria
      Qualquer um de nós a tem...
      Eu, dela, não estou vazia,
      Mas não sou mais que ninguém

      E, chego a pensar, por vezes;
      Que falta fazia agora
      Saber mais um poucochinho

      Pr`a saber, sem mais revezes,
      Quanto aconteça lá fora
      Ou neste nosso cantinho...

      Poeta, vai um "desastre", mas confesso que estou mesmo quase, quase a dormir... e não me sinto muito bem, desculpe.

      Abraço grande!

      Eliminar
  9. “Tempestade estelar”

    Se essa brisa acabou
    Ou estiver a terminar
    E se acaso trovejou
    Vem tempestade estelar

    Luzes de rara beleza
    Tu verás no firmamento
    Mas podes ter a certeza
    Que é só por um momento

    É espectáculo divinal
    Ou dirá um leigo qualquer
    Que a ciência explicará

    Para mim é natural
    E se a natureza quiser
    Tudo isso te mostrará.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. A natureza não "quer",
      Nem sequer deixa de qu`rer;
      Mostra aquilo que vier
      E o que esteja a acontecer

      E é por vezes muito belo,
      Sob o nosso humano olhar,
      O espectáculo singelo
      Que se irá desenrolar...

      Se, porém, estamos doentes,
      Quase no nosso limite,
      Ficaremos indif`rentes;

      Não há estrela que suscite
      Tais encantos emergentes
      A quem, de outros, necessite...


      Maria João

      Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre, este versejar que muito pouco, ou nada, tem de poético... é apenas versejo e, as mais das vezes, muito "marteladito" , uma vez que só ao nível da quadra encadeada eu consigo funcionar como "repentista"...

      Eliminar
  10. “Carrasqueira”

    Agora vou dissidir
    Deste mundo de loucura
    Se assim me permitir
    Tempo que ainda perdura

    Procurar uma cabana
    Sem cabo nem ligação
    Sei que por vezes abana
    Mas não será da explosão

    Num cantinho sem ruído
    Onde batata doce existir
    Farei uma salada porreira

    Parece estar decidido
    Só não sei quando partir
    Mas será prá Carrasqueira.

    Prof Eta

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    1. Se vai ver as palafitas,
      Lá no Estuário do Sado,
      Faz bem pois são bem bonitas
      E há-de ficar regalado!

      Fui lá quando pequenina,
      Mas recordo vagamente
      Que era paisagem divina
      O que tinha à minha frente...

      Tenho a ideia de ir andando
      Num roteiro de turismo
      E, quanto mais caminhando,

      Mais eu penso, mais eu cismo
      Se lá estive - nem sei quando... -
      Ou se a visita é "baptismo"...


      Maria João


      De fugida, de fugida, Poeta, aqui vai com o abraço de sempre!

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  11. “Au Bataclan”

    À Paris au Bataclan
    Il faut trouver la raison
    Si n’arrive pas demain
    Ni finisse la chanson

    Si un jour c’est pas égale
    Si la mort vient d’arriver
    Ça c´ést une chose brutale
    Personne ne peut l’expliquer

    La seule vertige d’un soir
    Produit le plus noire des adieux
    Où toute la loi à été violé

    Quelle espóir on peut avoir
    On promettra a quel dieu
    Si la vie nous est volé.

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    1. Le lendemain en danger...
      Et partout, je le sais bien!
      Il nous faudra en penser
      Pour sauver ce lendemain...

      Poeta, estou a responder à pressa porque tenho consulta daqui a pouco e ainda nem sequer estou vestida. Fica só uma quadrazinha, desculpe-me.
      Abraço grande!

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  12. “Na crista da bala”

    É nas teias do acaso
    E por medida forjado
    Ainda dentro do prazo
    Que surge o atentado

    A morte vale milhões
    Para o negócio urdido
    Assim sobem cotações
    A bala dá-lhes sentido

    Num sentido convergente
    Todos clamam vingança
    Sem que saibam o segredo

    Na vulnerabilidade vigente
    Vendem-nos a segurança
    Após espalharem o medo.

    Prof Eta

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    1. Na crista de cada bala,
      Na explosão de cada bomba
      Há sempre alguém que se cala,
      Sempre uma vida que tomba...

      A mortandade orquestrada
      Sempre a alguns aproveitou,
      Mesmo quando condenada
      Por toda a mão que orquestrou

      Mas se o monstro desembesta
      E, ganhando autonomia,
      Destrói também quem lhe empresta

      Armas, móbil, garantia...
      Meu amigo, só nos resta
      Resistir no dia a dia...

      Mª João


      Aqui vai, Poeta, com muita dificuldade, mas com o abraço de sempre!

      Eliminar
  13. BIG BANG

    O Mundo não acabou,
    Começou a acabar…
    Novo sistema estelar
    Big bang o ocasionou.

    Estrelas que originou,
    De grandeza similar,
    No mundo que começou,
    P´ra todos hão-de brilhar.

    Falsas estrelas, agora,
    A partir deste momento,
    Terminaram sua hora.

    E o sol, resplandecente,
    Neste novo firmamento,
    Nascerá p´ra toda a gente.

    Eduardo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tudo o que nasça, mal nasce,
      Logo começa a acabar;
      Cresce e morre, pois refaz-se
      Nesse vaivém milenar

      E assim que uma maré baixe,
      Outra se há-de levantar
      Noutra que nela se encaixe,
      Mas que a possa melhorar...

      Novas se levantarão
      Mil estrelas no firmamento
      De um mundo muito mais são,

      Mas não sei de quanto tempo
      Essoutras precisarão
      Pr` acabar c`o sofrimento...

      Maria João

      Muito obrigada por este belo Big-Bang, amigo Eduardo, ao qual me permito reponder mesmo estando em "maré de pousio" para a poesia. Forte abraço!!!

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  14. “Perfeição”

    São as mentiras maiores
    Duma verdade absoluta
    Que salvam os delatores
    Revelam a face impoluta

    Dos outrora infractores
    Agora numa mesma luta
    Onde merecem louvores
    Já não são filhos da bruta

    Mas a brutalidade impera
    Fruto da verdade produzida
    Muito acima da suspeita

    E só o bruto prospera
    Carrega fundo na ferida
    Pois a verdade é perfeita.

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    1. Poucas, muito poucas, são
      As absolutas verdades,
      Todas filhas da razão
      Que filtra as realidades

      Conforme a sua função
      Dentro das possib`lidades
      Desta humana dimensão
      Com suas dificuldades...

      Mas que a verdade é perfeita,
      Isso é-o! Sempre o será
      Porquanto a mentira a espreita

      Pr`a deturpá-la, ou - sei lá... -
      Dizer-se muito escorreita,
      Pr`anular quanto ela dá...

      Maria João

      Cá vai, Poeta com outro abraço grande!

      Eliminar
  15. “Inversamente”

    Inversamente proporcional
    À mentira no poder
    É a verdade emocional
    Que o povo quer conhecer

    Podemos ou não podemos
    Esta realidade inverter
    Por aquilo que nós vemos
    Não é fácil acontecer

    Enquanto fôr o dinheiro
    O nosso doce patrão
    Só escutamos o bandido

    Com o semelhante em primeiro
    Com o poder do coração
    Inverteremos este sentido.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Não é só "emocional"
      O protesto popular,
      Nem um povo é, afinal,
      Incapaz de bem pensar,

      Porque há muito irracional
      Sempre pronto pr`ó lixar
      E, na confusão geral,
      Há muito que analisar...

      Que não fique, no entanto,
      Arredado o "coração"
      Da "razão"! Mesmo em quebranto,

      Mantenha-se essa união
      Ou a "cena" acaba em pranto
      E morre a revolução...

      Maria João


      Cá vai, Poeta, com o abraço do costume!

      Eliminar
  16. “Monstros”

    Até para o inexplicável
    Existe uma explicação
    Até para o improvável
    Há uma provável solução

    Dentro de mim existe
    Um monstro de estimação
    E o seu discurso insiste
    Em provocar distorção

    Entre factos mundanos
    Observados com estranheza
    E desprovidos de sentido

    Entre monstros humanos
    Existe algum com certeza
    De explicação desprovido.

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    1. Com certeza que há-de haver
      Uma humana explicação
      Pr`a tudo o que acontecer,
      Esteja descoberta, ou não,

      Pois se podemos dizer
      Estarmos em evolução,
      Como haveria de o ser
      Se isso fosse uma invenção?

      Mas bem pode acontecer
      Parecer que há regressão
      Sempre que nos suceder

      Entrar em contradição
      C`os monstrengos do poder
      De toda e qualquer nação...


      Maria João


      Cá vai, marteladido quanto baste pela desisnspiração induzida pelas circunstâncias. Forte abraço, Poeta.

      Eliminar
  17. “Entre bruxas”

    Em busca do sucesso
    Pelas ruas d’amargura
    Conheço bem o processo
    Gosto amargo que perdura

    Não fui um predestinado
    P’ra esses vôos dourados
    O sucesso desejado
    Teve contornos frustrados

    Mas a estrela que me guia
    Ainda um dia mudará
    E para surpresa minha

    Pode ser que me sorria
    Não apenas a bruxa má
    Mas a boa fada madrinha.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Nunca procuro o sucesso;
      Apenas a qualidade
      Faz parte do meu processo
      De vida e de identidade

      E, quanto ao resto, confesso;
      Não há "bruxas" de verdade,
      Pois sempre houve algum progresso
      Nesta nossa humanidade...

      Mas, entre gatos, amigo,
      Não me importo de viver
      Pois dão-se tão bem comigo

      Que as "relações de poder"
      São regras de um tempo antigo
      Sem razões pr`acontecer...


      Maria João


      Poeta, "no creo en brujas, ni creo que las haiga", rsrsrsrsrs... mas acredito - porque desde sempre os conheci... - em gatos.
      Aqui vai com o abraço de sempre!


      Eliminar
  18. NO RESCALDO do 25 de NOVEMBRO

    26 de Novembro de 2015

    RIO MAIOR

    Cidade de Rio Maior,
    Tu não tens a praia amena,
    Tens, contudo, areias finas
    E, mistério de pasmar…
    Pois se não te banha o mar
    Tens tempero do melhor
    Nas marinhas de sal-gema
    Que extrais das tuas minas.

    Tanta gente que aí passa
    Nessa terra que é fortuna,
    Não há mortal que não faça
    Esta pergunta oportuna:
    O teu Povo hospitaleiro
    Terá sido consultado
    Por quem, em gesto matreiro,
    Procedeu àquela troca
    De te mostrar retratado
    Na agressão de uma moca?!

    Eduardo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito bom poema, amigo Eduardo!

      Recordo-me bem da temível "moca de Rio Maior", mas não me sinto capaz de corresponder poeticamente.
      Estou numa daquelas "fases de pousio" que são muito naturais... mas esta tem a agravante de ser induzida por uma abrupta acentuação dos problemas pessoais.

      O meu grato e fraterno abraço!

      Eliminar

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