A SINTAXE DO ADRO...
TRAGICOMÉDIA, NUM ÚNICO SONETO EM DECASSÍLABO HERÓICO
(...infelizmente muito real...)
Agora é que começa o vislumbrado
Do acto derradeiro, a apoteose
Que culmina no mais que anunciado
Momento de curvar-me em grata pose,
Na mira de alcançar a parca dose
Dessoutro bem maior que, a chão firmado,
Permitirá que suba... desde que ouse
Negar, da Língua-mãe, génio e legado...
- "E qual das variáveis negarás?",
Indaga-me um leitor, já sonolento...
- "A todas achincalham! Tanto faz
Que a uma ou outra escolha! Ah, desalento,
Que assim me matas, pois não tentarás
Quem da língua (bem) escrita herdou sustento!!!"
Maria João Brito de Sousa - 05.12.2015 -14.23h
PS - Não li o "famoso" romance, nem vi o filme. Nunca.
OS MONSTROS
ResponderEliminarEnormes e maus, também,
Tenho-os visto, ultimamente,
Sempre a arreganhar o dente
e a morder na própria mãe.
Alguns fingem ar decente
Com sorrisos de desdém,
Sempre a pensar que ninguém
Detém razão que os enfrente!
E no seu bazar imundo
a emitir rugidos roucos
pensam que mandam no mundo…
Emproados, os farsantes
Têm pensamentos ocos
E desprezam os semelhantes.
Eduardo
Muito grata pelo seu sonetilho, amigo Eduardo.
EliminarEstou muito longe de me sentir em condições de retomar estas rotinas das publicações, visitas, leituras e partilhas nas diferentes plataformas em que tenho interagido e nem sequer posso prever se alguma vez voltarei a reuni-las, mas... a verdade é que ainda me ocorreu este sonetilho muito ligeiro que aqui lhe deixo;
MONSTROS, MOSTRENGOS, MONSTRINHOS...
Monstros, mostrengos, monstrinhos,
já os vi, mas sempre humanos
com espingardas de chumbinhos
ou escopetas de dois canos
E se alguns são só tolinhos,
outros vão causando danos
pois são palermas-daninhos
que disso vão estando ufanos,
Mas... mostrengos "de verdade",
por muito que imaginá-los
fosse da minha vontade,
Nunca os vi porque, sonhá-los,
se o fiz na mais tenra idade,
logo pude ultrapassá-los...
Maria João
Deixo-lhe o meu sempre grato abraço e peço antecipadamente desculpas caso a situação se agrave - porque vai mesmo agravar-se... - e eu nem sequer um sonetilho conseguir fazer nascer desta negra, negra perspectiva de futuro pessoal.
Cara amiga,
ResponderEliminarSua poesia encanta, contagia e inspira.
Lendo e sentido seus versos sinto-me poeta, como podes ver:
MINHA LÍNGUA
Ó impoluta língua portuguesa,
Alimento forte da minha alma!
Reconheço-te como a baronesa,
Que agora me seduz e sempre acalma.
Guardas em ti os maiores dos tesouros,
Celeiro de alegrias e tristezas,
Que seduziu até o poeta antimouros
Com os teus nobres dotes e belezas.
Como te adoro dádiva divina,
Consolo de todos os trovadores,
Mulher que faz sofrer e a mim encanta!
Instrumento que nunca desafina,
Fonte de alegrias e dissabores,
É no teu tom que toda a pátria canta!
Muito grata, pelo seu soneto, meu amigo Adílio!
EliminarDe momento não estou bem... nem sequer pensei em responder a a lguns dos vossos comentários... talvez nem sequer previsse que iria responder a um único, dadas as circunstâncias em que me encontro, mas... olhe, o tema levou-me até este soneto de tripla coda que aqui lhe deixo. O meu abraço poético!
LÍNGUA-MÃE
(Soneto de tripla coda, ou estrambote, em decassílabo heróico)
Ó Língua-mãe que em versos decantada
te encheste das riquezas e venturas
que fazem, do soneto, a depurada
canção que Camões trouxe das alturas
E que ao mundo legou, porque espalhada
por terras de outros povos; se perduras,
mesmo que por interesses deturpada
e desse "AO" sofrendo as vis torturas,
Vives ainda e, sempre reforçada,
vais resistindo à sordidez de usuras,
pois se és, por cada povo, acrescentada,
Naturalmente, mudarão estruturas;
na sintaxe serás modificada
segundo ambiências de outras conjunturas,
Nunca onde, desde início, estás plantada,
semente, raiz, tronco e mais nervuras,
serás - por estupidez! - violentada,
Nem pela mão de insanas criaturas
terás de ajoelhar-te e ser grafada
segundo as tramas das caricaturas;
Aos outros caberá ter-te moldada!
Português que te imprima outras texturas,
não te ama, nem conhece, mesmo nada!
Maria João Brito de Sousa - 07.12.2015 -14.12h
Chá respira.
ResponderEliminarChá foge.
ResponderEliminar... o Chá foge e eu continuo em estado de "suspensão"... mas vou vê-lo.
Eliminar“Essência”
ResponderEliminarHumanidade acorrentada
Sem possuir visão global
Não pôde ser preservada
O egoísmo foi-lhe letal
Depressa foi esmagada
Pela visão individual
Uma célula foi afastada
Desse destino fatal
Iniciou uma caminhada
De regresso ao essencial
Cedo tomou consciência
Que a essência é o nada
Donde tudo pode afinal
Brotar pleno de essência.
Poeta, não me parece
Eliminarque o mundo vá terminar
só porque agora estremece
e já começa a abanar...
Tudo o que agora acontece,
reconheço, irá mudar
o que agora se conhece
e que pouco irá durar,
Mas não creio que comece,
todo inteiro, a desabar
quando a vida prevalece
Em todo e qualquer lugar
e, em essência, me merece
o esforço de acreditar...
Maria João
Aqui vai , Poeta, com o abraço de sempre!
Chá escapou.
ResponderEliminarPoeta, continuo menos bem, como é natural, uma vez que há limites para tudo e a minha persistência em nadar contra a maré, me tem vindo a exigir um esforço físico e mental que, de momento, deixei de estar em condições de despender.... até porque a "corrente" subitamente cresceu e, ali em frente, a poucos - muito poucos.. - "metros" de distância, desagua numa gigantesca queda-de-água absolutamente impossível de enfrentar.
EliminarClaro está que toda esta linguagem é metfórica, mas traduz perfeitamente a dimensão do que está a ocorrer. .. e tradu-lo sem qualquer tipo de dramatização ou exageros, acredite.
De qualquer forma, vou ainda tentar saudar o Chá.!
“Que natal”
ResponderEliminarQue natal
Se fôr global
Que natal
Ser fôr local
Que natal
Existe o mal
Renascermos
É fundamental.
Zé da Ponte
Que Natal?
EliminarFazendo coro
pergunto de modo igual,
fará do Natal vindouro
um tempo mais fraternal?
Maria João