DE OLHOS BAÇOS
(Soneto em decassílabo heróico)
De mim, não esperes “mágicos cansaços”,
pois não me sobra tempo prós sentir,
nem me urge a languidez, nem sonho abraços
e muito menos tento seduzir
Algo que não palavras, gestos, traços...
A quem mos tente impor sem deduzir
que me nascem de dentro e, como laços,
me abraçam, por si só, sem me mentir,
Falarei dos poemas - nunca escassos... -
dos sons, do que me leva a descobrir
as melodias, quanto aos seus compassos,
E de algo que não posso definir
senão voando... E, mesmo de olhos baços,
aguardo e fico atenta ao que surgir.
Maria João Brito de Sousa – 26.07.2015 -22.47h
“Estão gastas”
ResponderEliminarPalavra do outro ouvir
Foi chão que uvas deu
Deixem-me antes dormir
Aqui nas asas de Morfeu
Sempre ouvi a lengalenga
Até que o fusível queimou
Levem daqui a moenga
Discurso e quem o botou
Tragam as palavras novas
Que as imagens releguem
P’ra um plano secundário
Palavras gastas não aprovas
A não ser que elas neguem
A mentira e o seu contrário.
Sou eu quem, neste momento,
EliminarSe encontra gasta e bem gasta...
Tenho o raciocínio é lento
E o melhor é dizer; Basta!
Foi de férias, o talento,
Um só verso me desgasta
E, sempre que forço e tento,
Logo o cansaço me afasta...
Na palavra, se a sustento,
Logo o sentido a desbasta
E já nem encontro alento,
Cada palavra me agasta...
É melhor lançar ao vento
Tudo o que traga na pasta...
Maria João
Cá vai, muito marteladito e parecendo fazer pouco sentido, com o abraço de sempre!
“Sinal vital”
ResponderEliminarEstava vivo e enterrado
Ei-lo morto e renascido
Unanimemente aclamado
Como se não tivesse morrido
Foi génio multifacetado
Renasceu para ser ouvido
Sinal vital escutado
Morte cerebral sem sentido.
Zé da Ponte
Poeta, sei - ou penso saber... - que fala de David Bowie, mas eu, hoje, estou tão cheia de dores e tão desinspirada que nem sequer dá para responder à letra...
EliminarUm abraço grande!
Chá dos chás.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Reinventa”
ResponderEliminarVive-se a contra informação
Dum mundo a desagregar
Ouve-se ao longe a explosão
Algo novo a começar
Big bang do coração
É a fissão nuclear
Resulta da reacção
A capacidade de amar
E o mundo sem ter noção
Acabou de se reinventar.
Zé da Ponte
Vai-se mudando este mundo,
EliminarHoje, a tal velocidade,
Que, agora, até eu confundo
"Mudança" com "ansiedade"
E ora avança, ora recua,
Sacudido em convulsões...
Nem deixa que a vida flua;
Todo ele é contradições!
Maria João
Cá vai, Poeta, com o meu abraço de sempre!
POEMA DO ABRAÇO
ResponderEliminarVi neste vosso poema o cansaço
De uma caminhada bem vivida,
Trilhada por algum tolo percalço
Derivado de dúvida sofrida.
Mas flores no destino são colhidas
E o vosso coração está ferido
Diante das vitórias tolhidas
Ou de algum belo verso preterido.
Mas a tristeza não é vocação
E mesmo com as flores já colhidas
Os bosques ainda são mui produtivos.
Numa estrada de pura e bela bênção
Vossas páginas são bem recebidas
Pelos poetas já idos e vivos.
Caro Adílio,
Eliminareste meu soneto, profundamente marcado por metáforas e metonímias, surgiu-me na sequência de uma expressão usada por Florbela Espanca num dos seus belíssimos sonetos; "mágicos cansaços".
De momento, fortemente pressionada por situações bem concretas, embora não me sinta nada dada a melancolias e angústias existenciais, cheguei a um estado de exaustão que exigindo-me intensa concentração e decisões graves, precisas e irreversíveis, me tornou praticamente impossível a concentração e profunda dedicação que a meta-poesia exige. Claro que é uma situação à qual se veio somar a agudização das situações de infecção que, nos últimos tempos, têm sido recorrentes e consecutivas, mas posso garantir que nada tem a ver com "dúvidas existenciais", mas sim com dividas impagáveis e bem palpáveis. Isto no que toca à minha actual incapacidade de lhe responder poeticamente, claro está, porque o soneto "De Olhos Baços" foi escrito antes do desencadear desta crise financeira e versa, como toda a meta-poesia, a explicação da poesia, em si.
Fico muito grata pelo seu Poema do Abraço e renovo o meu pedido de desculpas por não conseguir, entre tantas e tão duras solicitações da vida real, responder-lhe através de um poema.
Fraterno abraço!
O que me impele a escrever talvez seja uma solidão excêntrica, que me revela todo o mundo e ao mesmo tempo nada tenho na busca do que não se encontra por aqui, o verso conjunto, a mesma linguagem, o mesmo sentir ao ver as flores, o rio e talvez a vida.
EliminarHá pessoas de alto nível que cultuam a vossa poesia aqui no Brasil, notadamente em Belém do Pará e Fortaleza-CE , onde há muitos portugueses que por aqui fizeram fortuna e amor.
Conheço um jurista, jornalista e ex-senador da República brasileira que é fã de vossas poesias. Ele é um homem cultíssimo, que buscando a cultura, viu o tempo passar e hoje conta 80 anos. Tanto ele com eu cultuamos o jornalismo, o rádio e as artes.
Por oportuno, esclareço que vossa foto nesta página ostenta ares de poesia.
Meus respeitos, minha poesia e minha admiração. Certamente algum a verei em Portugal.
Adílio Belmonte,
Belém-Pará-Brasil
Compreendo-o e agradeço-lhe as amáveis palavras, amigo Adílio Belmonte!
EliminarFico, também, muito grata ao seu amigo jurista por gostar dos meus poemas! Há lá coisa mais bonita do que saber que somos lidos e apreciados, tanto no nosso próprio país, quanto além-fronteiras?
Seja o que for que desde que me conheço me compeliu a escrever - e, logo nos primeiríssimos anos de vida a criar, na oralidade, quadras que o meu avô registava em papel - , é muito forte, embora, de momento, conforme lhe disse, as circunstâncias se revelem tão adversas que não consigo mesmo escrever nada que tenha um mínimo de qualidade... espero, no entanto, não que os problemas fiquem totalmente resolvidos, o que, pela sua própria complexidade, se me afigura altamente improvável, mas que eu possa vir, com o tempo, a aprender a viver e a conviver com mais este factor gerador de insegurança... nada sei, por enquanto, senão que tanto problema e tanta carência bem concreta, não me estão a ser nada propícios à criatividade e que, infelizmente, toda a minha energia se começou a concentrar no mais básico da própria sobrevivência. Claro está que isso me entristece pois sempre senti a absoluta necessidade de me sentir útil... mas nada mais posso fazer para além de dar tempo ao tempo e esperar que tanto o meu corpo quanto a minha alma consigam responder satisfatoriamente a mais esta verdadeira avalancha de pressões e solicitações...
Um muito grato e fraterno abraço, meu amigo e companheiro de poemas!
Maria João
PS - Quanto à sua vinda a Portugal, espero que possa ter a oportunidade de visitar , junto a Lisboa, a bela e histórica vila de Oeiras, pois todas as minhas deslocações, nos últimos anos, têm sido feitas para hospitais e outras institituições de cuidados de saúde, sendo-me cada vez mais difícil deslocar-me, seja para onde for, em circunstâncias menos imperiosas, infelizmente. Terei, no entanto, muito gosto em recebê-lo na minha modestíssima residência ou num cafézinho muito próximo que tem um excelente ambiente e ao qual ainda me vou conseguindo deslocar.
Chá absoluto.
ResponderEliminar... estou absolutamente engripada, ainda por cima, Poeta... mas vou ver o Chá!
EliminarO FURACÃO
ResponderEliminarCharlas ou imaginação,
A ultrapassar o decoro,
Chegaram ao desaforo
E inventaram o furacão
Nome de gente ou de cão
Com anúncio bem sonoro
Foi divulgado em coro,
Era Alex o figurão.
Dirigido aos Açores,
Violento chegaria
P´ra espalhar seus furores
Na pátria da inverdade
Qualquer reles ventania
Tem foros de tempestade.
Eduardo
... quem me dera sentir-me capaz de dar seguimento poético ao seu sonetilho amigo Eduardo...
EliminarA realidade bem tempestuosa que neste momento enfrento, tem mesmo foros de furacão e a primeira coisa que derrubou foi a minha pobre inspiração. Insfelizmente, no meu caso pessoal, "ainda a procissão vai no adro" e a "tempestade" vai intensificar-se e, segundo tudo indica arrastar-se por um tempo indefinido...
Muito grata por este seu belo Furacão e um fraterno abraço!
Maria João
Chá não encontra.
ResponderEliminar... nem eu, Poeta, nem eu... mas vou ver o Chá!!!
Eliminar“Radical livre”
ResponderEliminarAbana por dentro e fora
Abana p’los lados também
Senão o sistema piora
Devolve-te apenas desdém
Se o sistema não reagir
Radicaliza a tua acção
O sistema há-de ruir
Ou devolver compreensão
Se ainda assim ignorar
Homem bomba serás
Explode a alma de paixão
Com amor a transbordar
O sistema mudarás
Resultado dessa explosão.
Prof Eta
Com tosse e dor de garganta,
Eliminarmal podendo protestar,
tendo voz que já nem canta
por nem conseguir cantar,
Tudo, pr`a mim, se agiganta
e devo-lhe confessar
que esta impotência me espanta
e melhor fora eu calar...
Quase não me reconheço
nas ausências do que digo,
na fraqueza que me mina
E, às vezes, até me esqueço
que, do pouco que consigo,
só vem coisa pequenina...
M. João
Aqui vai, infelizmente muito pessoal e "choradinho", mas foi a única coisa que me ocorreu, Poeta... abraço grande!
Chá com pressa.
ResponderEliminarTambém eu, Poeta... estou com tanta pressa que só consiguirei ir ao Chá quando voltar... abri o computador e nem o deveria ter feito porque tenho de sair já... mas prometo voltar!
Eliminar“Cerco da morte”
ResponderEliminarHá mais mortos que vivos
Na história da humanidade
Mas a metralha e seus silvos
Prosseguem a mortandade
Homens bomba e explosões
Limpam o resto à passagem
Onde não chegam aviões
Existe distinta voragem
Populações sem alimentação
Enclausuradas na cidade
Abandonadas à sua sorte
Em breve restará o cimento
Num novo hino à atrocidade
Chamado o cerco da morte.
Prof Eta
As palavras vão faltando,
EliminarA cabeça, está dorida
E não sei dizer-lhe quando
Deixo de estar combalida,
Mas... ao menos vou tentado,
Embora assim, dividida
Entre o verso manquejando
E a resposta prometida...
Quem dera concentração
Para dar continuidade
À dramática questão
Mas.. Poeta, é bem verdade
Que não está na minha mão
Sentir-me mais à vontade...
M. João
Outro abraço, Poeta!
“Alinhados”
ResponderEliminarMorrer por aquele irmão
É um imperativo de vida
Ir muito além da razão
Mas de forma decidida
O carácter e a coragem
Não se medem aos palmos
Contra actos de vilanagem
Não nos basta ler os salmos
Agir quando é preciso
Dando exemplo ao mundo
Marcado pela indiferença
Sem contas ao prejuízo
Com um desejo profundo
Mesmo morto ser presença.
Poeta, à dor de garganta
EliminarSomou-se a dor de cabeça
E, a febre, essa é já tanta
Que nem sei que rima teça,
Mas, nada disto me espanta
Porque, se vai, recomeça...
Nem a voz se me levanta
Quando a rima me tropeça
E, para além disto tudo,
Os problemas do costume
Sobre os quais já nem me iludo;
Vou mantendo aceso um "lume"
Que já vai ficando mudo
E não tem, sequer, perfume...
Maria João
Cá vai, com o abraço de sempre, Poeta!
“Alinhemos”
ResponderEliminarCerdo ou tarde alinhados
Melhor é que seja já
Que depois de cremados
Por certo não importará
E no dia de finados
Sentidos não haverá
Só veremos os resultados
Se ainda estivermos por cá.
Zé da Ponte
Alinhemos, com certeza,
EliminarEmbora eu, desalinhada,
Esteja para aqui bem presa
A doença prolongada
E, para além disso, "tesa",
Sem poder fazer mais nada...
M. João
Outro abraço, Poeta!
REFLEXÕES ao ESPELHO,
ResponderEliminarDOS SENHORES CANDIDATOS
Sempre que ele os reflecte
Os de uma ou outra muita seita
Muda a esquerda pr´a direita
E nunca se compromete.
E ao fazer a reflexão
O espelho é um falsário
Não fará ele excepção
Pois reflecte ao contrário.
E nisso serão iguais
Espelhos e candidatos
Destas presidenciais...
Delirantes ou com febre
Sempre espalham seus boatos
E vendem gato por lebre.
Eduardo
Creio na luta de classes
EliminarE nalguns dos mil reflexos
Que, em espelhos, me revelasses,
Mas... outros, são desconexos,
E, por muito que tentasses,
Deixar-vos-ia perplexos
Por escolher outros impasses
Que não esses, tão convexos...
Respondi sem reflectir,
Devo-lhe pedir perdão,
Mas saiu, sempre a fluir,
Não pude dizer que não
Ao que aconteceu surgir
Desta minha irreflexão...
Mª João
Muito grata pelo seu sonetilho, amigo Eduardo!
Garanto-lhe que um estranho fenómeno se acabou de dar aqui, porque há muitas e muitas semanas que, melhor ou pior, nem um versozinho me nascia sem que eu tivesse de o "escavar", em vez de deixar fluir.... a resposta pode parecer - e ser... - meio apatetada, mas fiquei sinceramente contente por ter voltado a sentir as palavras a surgirem sem esforço. Fico-lhe, portanto, duplamente grata!
Fraterno abraço!
“BlackRock”
ResponderEliminarAgora a BlackRock
Quer afundar o país
E vão todos a reboque
Do que a BlackRock diz
BlackRock és um amor
Dá-me anel de brilhantes
Fico com ar sedutor
Para afundar os pedantes
Deste país comezinho
Que não quer austeridade
Sem as regras entender
BlackRock eu adivinho
Tua imensa capacidade
Na arte de nos submeter.
Prof Eta
Grandes, grandes companhias
EliminarDas finanças planetárias
São sempre coisas sombrias
Que ostentam razões sumárias,
Representam tiranias
E serão sempre sectárias
Pois vão dando mordomias
De formas muito arbitrárias...
Eu, de cabeça a explodir
E com dores por toda a parte
Pergunto a quem queira ouvir;
- Não há nada que vos farte?
Quanto a mim, vou-me vestir
E mudar-me, já, pr`a Marte!
M. João
Poeta, foi o que me saiu, desculpe! Abraço grande!