ESTRELATO(S)

Cam000548 (1).JPG


Eu ando a mendigar, literalmente,


O pão de cada dia, a cada hora,


Apenas por estar gasta e estar doente,


Mesmo sendo poeta e produtora...





Se algum dia fui estrela, fui cadente,


Das muitas que dão luz indo-se embora


Pr`a logo se apagarem, num repente,


Negando a própria força propulsora,





E como confessar-vos que o estrelato


Se me afigura pouco apelativo,


Que bem mais ambiciono o são recato





Da pequenina casa em que (me) vivo


Tendo por companheiro um velho gato


Que é - como eu sou... - sensato e combativo?


 





Maria João Brito de Sousa - 21.01.2016 - 11.47h


 


 

Comentários

  1. “Insana mente”

    A insanidade é total
    Neste tempo indolente
    Ser louco é fundamental
    Para a sanidade da mente
    A velocidade abissal
    Da mudança vigente
    Não faz inverter o sinal
    A loucura é permanente.

    Zé da Ponte

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    1. Poeta, estou de saída
      mas subscrevo o que aqui diz
      pois bem noto que, à partida,
      está "na moda" ser feliz...
      "Adquira este detergente,
      este carro, o creme "tal",
      estas meias, este pente...
      e a f`licidade é total!"

      Mª João

      Forte abraço!

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  2. “Rasgar horizontes”

    A membrana da loucura
    É como a da castidade
    Preserva enquanto não fura
    Um estado de sanidade

    Mas uma vez perfurada
    Penetras num mundo diferente
    Onde existe a capacidade
    Duma gestação permanente

    Esta é a fonte da vida
    Só por alguns explorada
    Uma porta indefinida

    A sete chaves fechada
    Se controlas essa ferida
    Loucura foi desvendada.

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    1. Poeta, vou-lhe falar
      do que tenho constatado;
      Julguei que era um pouco "ao lado"
      do que é prudente encontrar,
      mas... depois de analisar
      muito bem analisado
      tudo o que tenho encontrado,
      percebi que tinha errado,
      logo deixei de o pensar...

      Maria João

      Foi o que me saiu, Poeta... e tem alguma razão de ser.. ao fim de uns tempos a navegar pela net, cheguei à conclusão de que tinha uma saúde mental de ferro e um equilíbrio emocional invejável, acredite! Abraço grande!

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  3. Presidenciais – 2016

    E depois das eleições,
    Com um presidente em Belém,
    Como vão ser os serões
    Que, agora, a gente tem?

    Já estávamos habituados
    A ouvir senhores tão cultos
    Cortejarem-se de insultos
    E motejos requintados…

    Escutem lá excelências,
    Já que tudo se reparte,
    Dividam as presidências,
    Cada um com a sua parte…

    Ou prossigam a campanha
    À noite, pela tê vê,
    Doutro modo até se estranha…
    E querem saber porquê?

    Com a fartura de concursos
    Do Malato e outros chatos,
    Fazem-nos falta os discursos
    E a garra dos candidatos.

    Eduardo

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    1. Muito obrigada, amigo Eduardo!

      Hoje, apesar das infecções, escrevi um soneto e glosei outro de Florbela Espanca... adoraria conseguir responder-lhe "à letra", mas sinto que já abusei muito da minha capacidade de concentração, atendendo às circunstâncias e às duas infecções que estão ainda no seu auge...
      A minha vida - agora e cada vez mais... - corre em câmara lenta, contrastando com o que a realidade nos solicita constantemente...

      Um grande e grato abraço!

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