GLOSANDO FLORBELA ESPANCA

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CONTO DE FADAS





Eu trago-te nas mãos o esquecimento


Das horas más que tens vivido, Amor!


E para as tuas chagas o ungüento


Com que sarei a minha própria dor.





Os meus gestos são ondas de Sorrento... ~


Trago no nome as letras duma flor...


Foi dos meus olhos garços que um pintor


Tirou a luz para pintar o vento...





Dou-te o que tenho: o astro que dormita,


O manto dos crepúsculos da tarde,


O sol que é de oiro, a onda que palpita.





Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!


– Eu sou Aquela de quem tens saudade,


A Princesa do conto: “Era uma vez...”





Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"


 


CONTO SEM FADAS





"Eu trago-te nas mãos o esquecimento"


Que aqui te deixo como um bem maior;


Sai demasiado caro, o seu sustento,


Mas raramente achei coisa melhor...





"Os meus gestos são ondas de Sorrento"


Perdidas no meu Tejo, irei supor,


Pois só desse me brota o estranho alento


Que, às vezes, me faz alga, em vez de flor...





"Dou-te o que tenho; o astro que dormita",


Bom-senso - quanto baste -, um gato manso


E a profunda paixão que me une à escrita;





"Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!"


- Posso ser essa a quem não dás descanso,


Mas jamais tentarei saber quem és!








Maria João Brito de Sousa - 23.01.2016 - 18.33h


 

Comentários

  1. “Presidente”

    Marcelo é presidente
    Que presida muito bem
    Esse é o desejo da gente
    P’ró inquilino de Belém

    Cuide bem deste povo
    Que nele decidiu votar
    Como ele não me demovo
    Do presidente interpelar

    Que honre o seu país
    Que engrandeça a função
    Que nos saiba enaltecer

    Que se ouça o que ele diz
    Que seja a voz da razão
    Que faça por nos merecer.

    Prof Eta

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    1. Já sei, Poeta, já sei...
      Ou melhor, já o sabia,
      Mesmo sem muito pensar,
      Que uma imagem dita a lei,
      Mesmo sabendo a "razia"
      Em que esta eleição vai dar...

      Cá vai o que me saiu, Poeta, com o abraço de sempre!

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  2. “Allways smile”

    Não me apraz ser sério
    Rio-me mesmo de mim
    Para muitos um mistério
    Mas que querem sou assim

    E só sei que nada sei
    Mesmo pouco sabendo
    Em terra de cegos é rei
    Quem tem um olho vendo

    Não aspiro a tal posição
    Serei servo até morrer
    Esta é a minha missão

    Rir até sem perceber
    Muitas vezes a razão
    Muitas vezes sem saber.

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    Respostas
    1. Ah, Poeta, eu sei explicar
      - e até literariamente... -
      Isto de me comparar
      C`uma lesma incompetente;

      Quem consegue extrapolar,
      Em si próprio, o decadente,
      Vai, decerto, ultrapassar
      O choque de estar doente...

      Foi recurso muito usado
      Por "grandes" do Modernismo
      Que, não ficava calado,

      "Matava" o decadentismo
      Porque, auto-direccionado,
      Foi usado com estoicismo...

      Maria João

      ... mas eu sei, Poeta, eu sei explicar esta extrapolação toda, tanto enquanto recurso literário, quanto como uma variante da ironia nos "estados de alma"... ninguém mo "impingiu e, surge sempre muito espontaneamente, mas foi um grnde recurso literário bem característico de muitos modernistas e esta na génese da propria caricatura, enquanto expressão plástica.

      Abraço grande!

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  3. “Nova vidinha”

    Sonho comanda a vida
    O dinheiro também não
    Mas de forma decidida
    Vai-se colando à mão

    E venham mais cinco
    São milhões certamente
    Trabalharam com afinco
    P’ra sacar milhões à gente

    A formiga no carreiro
    Vai-se vendo enrascadinha
    Com tanto amigo a roubar

    São fiéis ao deus dinheiro
    Prometem nova vidinha
    Que esta é p’ra trabalhar.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Pela sua eterna ausência,
      Direi que o tal deus dinheiro
      Vai ganhando consistência,
      Garante que, no "poleiro",

      Esteja sempre a prepotência
      Disfarçada, por inteiro,
      Por "toques" de complacência
      (meros truques de tinteiro...)

      Há no cunho colectivo
      Das minhas aspirações
      O pequeno lenitivo

      De ir cometendo "infracções"...
      (só por isso é qu`inda vivo
      e mantenho as convicções...)

      Maria João

      Segue com o abraço de sempre, Poeta!

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  4. FABRICADO DE ANTEMÃO

    Misturam-se as sondagens
    Com a desinformação,
    Prepara-se o cidadão
    Para aderir às miragens

    Ensaiam-se as personagens,
    Beijos, apertos de mão,
    Tudo a bem da Nação
    Tendo em vista as contagens…

    Apela-se à distracção,
    Contratam-se as videntes
    P´ra vir à televisão…

    E, assim, com precisão,
    Se elegem presidentes
    Fabricados de antemão.

    Eduardo

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    Respostas
    1. Tem toda, toda a razão,
      Naquilo que descreveu;
      Foi mesmo a televisão
      Que um candidato elegeu...

      Foi visível, de antemão,
      Que o candidato "ascendeu"
      Antes da própria eleição,
      Quando, de antemão, venceu...

      Não vi "videntes", não vi
      - sempre tive essa vantagem... -,
      Mas, acreditando em si,

      Vence o "culto da miragem"...
      (mas fiquemos por aqui;
      aplaudo a sua mensagem!)

      Maria João

      Subscrevo, inteiramente, este seu sonetilho, amigo Eduardo! Agradeço-lhe e envio-lhe um fraterno abraço!

      PS - Há qualquer coisa que me causa uma pontinha de repulsa quase física, neste processo que tão bem descreve e que está inteiramente de acordo com as minhas humildes mas firmes deduções...

      Eliminar
  5. “Esquecimento”

    Esqueci-me de morrer
    E agora cheiro mal
    Já não consigo viver
    Com este pivete letal

    Vou telefonar ao além
    P’ra m’encomendar a alma
    E possa levar-me também
    Ao morrer da tarde calma

    Parto assim já a seguir
    Refeito do esquecimento
    Extravasei o meu papel

    Mas a morte vou cumprir
    Em jeito de cumprimento
    Adeus ó mundo cruel.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Vai, decerto, e vamos todos,
      Porque é condição da vida
      Nascer e nascer, a rodos,
      Para partir de seguida...

      Que se deva encomendar
      É que é sempre mera opção,
      Pois nada há que confirmar,
      Nem há que dizer que não...

      A tensão, hoje, é maior,
      Mas, aqui, falo por mim,
      Que vou ficando pior

      E farta de estar assim,
      Mas... ir desta pr`a melhor?
      Só quando chegar ao fim!

      Mª João

      Muito, muito mal "atamancado", mas foi o que me ocorreu, Poeta... abraço grande!

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  6. “Navegar”

    Espaço de liberdade
    Neste mundo surreal
    Não existe na verdade
    A não ser o virtual

    Eco da cumplicidade
    Reflectida no mural
    Espelha a capacidade
    Da tua própria moral

    Ou cospe atrocidade
    Se de mal impregnado
    Imagem esta afinal

    Duma sociedade plural
    Com destino acorrentado
    Ao cais da diversidade.

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    Respostas
    1. Mesmo aqui, no virtual,
      É bem pouca a liberdade,
      Tudo é muito relativo,
      Mas para mim, que estou mal,
      Consegue ser, na verdade,
      Um lugar bem criativo...

      As compulsões consumistas
      Vão invadindo este espaço
      E crescem por toda a parte
      Pois são muito oportunistas,
      Não se rendem ao cansaço,
      Nem se cansam de "lixar-te"...

      Mª João

      Poeta, como sabe, piorei bastante e só me saiu "isto", muito mal "atamancado"... abraço grande!


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