GLOSANDO FLORBELA ESPANCA (6)
TARDE NO MAR
A tarde é de oiro rútilo: esbraseia,
O horizonte: um cacto purpurino.
E a vaga esbelta que palpita e ondeia,
Com uma frágil graça de menino,
Poisa o manto de arminho na areia
E lá vai, e lá segue ao seu destino!
E o sol, nas casas brancas que incendeia,
Desenha mãos sangrentas de assassino!
Que linda tarde aberta sobre o mar!
Vai deitando do céu molhos de rosas
Que Apolo se entretém a desfolhar...
E, sobre mim, em gestos palpitantes,
As tuas mãos morenas, milagrosas,
São as asas do sol, agonizantes...
Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"
TARDE NO MAR
"A tarde é de oiro rútilo; esbraseia,"
O céu, qual mão pesada em gesto irado,
Emana tal calor que quase ateia
Mil chamas sobre o chão já castigado...
"Poisa o manto de arminho na areia"
E abrasa mais, julgando ter poupado
A terra, o mar e tudo o que o rodeia,
Pois mais parece ter-se incendiado...
"Que linda tarde aberta sobre o mar!"
Mas... quem te soube ler, não acredita
Em descrição tão suave e linear...
"E, sobre mim, em gestos palpitantes",
Desce, de novo, o extâse da escrita,
Abraçam-se as vogais às consoantes...
Maria João Brito de Sousa - 29.01.2016 - 16.42h
Imagem via Google
«O céu, qual mão pesada em gesto irado,
ResponderEliminarEmana tal calor que quase ateia
Mil chamas sobre o chão já castigado...»
Fosse deus, Deus
e fosse Deus ainda
e seria essa a expressão
da justiça Divina
(belo, isto!)
[tens um comentário lá no meu lugar de que vais gostar)
Obrigada, Rogério!
EliminarEstou já a ser tentada por Morfeu, mas vou lá de novo!
Abraço grande!
“Certidão de amor”
ResponderEliminarO que se leva da vida
É a morte tão somente
E uma certidão imprimida
Que não lerás certamente
Não penses, reflecte apenas
Pois nunca sendo imortal
Porque infliges essas penas
Àquele que é teu igual
Tenta melhorar um pouco
Enquanto tenhas juízo
Antes de enfrentar o horror
Em breve darás em louco
Se não distribuíres um sorriso
Se não partilhares o amor.
Só levamos desta vida
EliminarO que cá formos deixando,
Mas, por Morfeu seduzida,
Já não sei como, nem quando,
Porque, meio adormecida,
Mal sei do que estou falando,
Que a palavra pretendida
Já se some e vai faltando...
Mas... faça favor! Não guarde
Quanto amor tiver pr`a dar,
Nunca queira dar em louco!
Agora, Poeta, é tarde,
E eu que estou muito cansada
Tenho de ir deitar-me um pouco...
Mª João
Nem sei como ainda consegui escrever isto, mas... aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!
“Bem sem bem”
ResponderEliminarTodo o bem material
Não materializa o bem
É matéria para o mal
Quando o mal daí advém
E neste dilema agudo
Sociedade vê-se amarrada
Para que uns tenham tudo
Existem milhões sem nada
Cientes de seus milhões
Querem muitos mais possuir
E assim seguem contentes
Aos outros as situações
Já não lhes permitem sorrir
Mas quais serão os doentes.
Prof Eta
Nem todos, Poeta amigo,
EliminarQue alguns são fundamentais
E precisamos de abrigo
Como os outros animais
E já desde um tempo antigo,
Precisamos de hospitais,
De ler um ou outro artigo
Dos que vêm nos jornais...
Do que nós não precisamos
É de vê-los concentrados
Nas mãos de uma minoria
Portanto... "lixem-se" os "amos"
Que roubam dos ordenados
Deturpando a mais-valia!
Maria João
Foi disputado a Morfeu, mais uma vez, mas ainda consegui escrevê-lo! Segue com o abraço de sempre, Poeta!
Chá oportuno.
ResponderEliminarVou vê-lo,Poeta!
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