VERSO A VERSO...

 


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(Soneto em decassílabo heróico)





 


Na tenaz destas coxas que te prendem


Conduzo-te, poema imaginário,


Por ondas e marés, doce corsário,


Ao cais onde estas vagas se me rendem...


 


Rotas hábeis que engendro e que te entendem,


Levar-te-ão, poema solitário,


Ao cais urgente, ao porto necessário


À nau que vara as ondas que a suspendem...


 


Afundo-te, poema, verso a verso,


Firmando o leme assim que tu, disperso,


Te desvias da rota e, já perdido,


 


Recusando, talvez, morrer submerso


Na doce embriaguês deste universo,


Te negas ao naufrágio prometido...


 


 


Maria João Brito de Sousa - Fevereiro, 2016


 


 


In A CEIA DO POETA (inédito)





 

Comentários

  1. “Desadaptação”

    Adaptação ao mundo
    Não tem obtido sucesso
    Mas é desejo profundo
    Que continue o processo

    Tentado à exaustão
    Mesmo não resultando
    Esqueço a adaptação
    Sigo apenas tentando

    Uma via alternativa
    Que por certo existirá
    Pelo menos um esboço

    Se não fico à deriva
    Ou então ao deus dará
    Ou atiro-me ao poço.

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    1. Gostava de responder,
      Mas `tou quase de saída
      E sem tempo pr`a escrever
      A resposta que é devida

      Porém, se o puder dizer,
      Dir-lhe-ei não estar esquecida
      Que muito fez por crescer
      Toda a vida que há na Vida...

      Agora não escrevo mais,
      Porque a hora se aproxima...
      Já estou farta de hospitais,

      De andar pr`a baixo e pr`a cima,
      Dos papéis processuais...
      Quem me dera ser menina!

      Mª João

      Desculpe, Poeta, mas foi mesmo à pressa... abraço grande!


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  2. “As bestas e os bestiais”

    Somos a ignorada gente
    Pelas políticas em vigor
    Só interessas realmente
    Se contribuis com fulgor

    E o político instalado
    Aguarda a desinstalação
    Porque ali mesmo ao lado
    Reservam-lhe um cadeirão

    Para quando o saneamento
    Dum sistema castrador
    Que nos torna desiguais

    De palhaço a jumento
    De político a administrador
    Uns são bestas, outros bestiais.

    Prof Eta

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    1. Contribuo... e com fulgor!
      Mas não sou mercantilista
      E, onde o lucro for senhor,
      Põe-se em causa o mesmo artista

      Que trabalha e tem valor
      Mas nem pensa na conquista,
      Nem se verga ao ditador
      Num rumo facilitista...

      Num sistema castrador,
      "Artilhado" e vigarista
      Só sairá ganhador

      O pateta oportunista
      Que garanta ao "vendedor"
      Quanta venda foi prevista...


      Maria João


      Aqui vai o que me ocorreu, de momento, Poeta. Abraço grande!

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  3. “Esse mar”

    Oxalá morra em breve
    Tod’a gente do passado
    O presente está em greve
    E o futuro hipotecado

    Nesta barca aparelhada
    Nunca lá iremos chegar
    Depressa se fez alada
    Finta o destino a voar

    E assim se fez o mundo
    De tão simples a receita
    Parecendo nem resultar

    Confirma o fim fecundo
    E nessa viela estreita
    Já se vê ao longe o mar.

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    1. Todo o Mar...

      Haja mar, que o mar é vida,
      Muito embora represente
      A morte, reconhecida
      Na vida de toda a gente

      Porque o mar, ambivalente,
      Ora em vaga enfurecida,
      Ora mansinho, inocente,
      A ninguém poupa a partida;

      Uns mais tarde, outros mais cedo,
      A todos virá buscar,
      Não vale a pena ter medo,

      Nem sequer filosofar
      Sobre a vida... num rochedo
      Onde alguém pense encalhar...


      Mª João

      Aqui vai o que me ocorreu, Poeta entre telefonemas - que ninguém atende... - para o HEM onde eu deveria estar, neste momento, a ter uma consulta de urologia à qual não posso comparecer.

      Abraço grande!



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  4. PRÓS E CONTRAS
    (Outra música)

    O sapateiro que eu vi
    No Prós da televisão
    Era exímio, que eu ouvi,
    A tocar no rabecão.

    Tirava acordes em si
    Com rara exactidão
    Dedilhava o dó, ré, mi
    Com grande erudição

    Já um torpe figurão
    Que tocava nos metais
    Soprava com lentidão

    Em estilo agoireiro,
    Desafinava demais…
    Parabéns ao sapateiro.

    Eduardo

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    1. Tenho pena, mas não vi,
      Nem Contras, nem sapateiro,
      Pelo que o que diga aqui,
      Não tem valor verdadeiro,

      Mas não fui eu que escolhi...
      Estou cansada a tempo inteiro,
      Nunca basta o que dormi
      Que este cansaço é matreiro,

      Rouba - do pouco que tinha... -
      Muito mais do que eu previa
      E, assim que chega a noitinha,

      Ou mesmo durante o dia,
      Lança-me nesta "morrinha",
      Deixa-me exausta e vazia...

      Maria João

      Peço desculpa, amigo Eduardo, mas não poderia responder-lhe de outra forma, já que desde o último internamento não voltei a ver um único Prós & Contras... deixou-me, porém, muito curiosa em relação a esse "habilidoso" sapateiro e à sua exibição de rabecão...

      Obrigada pelo sonetilho que, como sempre, está delicioso!

      Forte abraço!

      Maria João







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