GLOSANDO O POETA CARLOS FRAGATA

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DONOS DO TEMPO


 


Corre o tempo, passando tão veloz,


Leva consigo a vida e a esperança


Mas, para nós, a vida é riso e dança,


Pois os donos do tempo somos nós…


 


O tempo é tempestade, nós bonança;


Tudo acalma, ao som da tua voz…


Vamos juntos p’lo rio, até à foz,


Revivemos os sonhos de criança!


 


Nosso passeio é força, é certeza,


Teu riso cristalino é alegria,


Minh’alma nos teus olhos fica presa.


 


Dentro do teu olhar, a noite é dia


E a exaltação é cama e mesa


E tudo é feito a dois, em sintonia!...


 


Carlos Fragata





DEPRESSA, "MA NON TROPPO"...





"Corre o tempo, passando tão veloz"


Que mal me deixa, o tempo que me alcança,


Tecer, um verso só, com confiança,


Sem me enredar nas horas, feitas nós...





"O tempo é tempestade, nós bonança",


Mas todos caminhamos para a foz


E não há raiva alguma, nem temp`rança,


Que atrase o passo que essa força impôs...





"Nosso passeio é força, é fortaleza",


Mas... ao senti-lo, à nossa revelia,


O tempo corre mais, tenho a certeza;





"Dentro do teu olhar, a noite é dia",


Mas vê com que despacho e subtileza


Nos ultrapassa, em Tempo, a Poesia...








Maria João Brito de Sousa - 06.07.2016 -18.56h





 


 

Comentários

  1. “Planearás”

    É o povo que se vê
    A cada ano que passa
    Ficando de novo à mercê
    Da já planeada desgraça

    E o Costa quer saber
    Pormenores da situação
    Pois eu posso-lhe dizer
    Que após o fim do verão

    Logo o assunto arrefece
    Na memória colectiva
    Deste povo lusitano

    Que muito mais não merece
    Pois nesta constante deriva
    Nunca mais muda de plano.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Só na Arte, não planeies...

      I
      Planear, escolher, gerir...
      Isso faz parte da vida;
      Se alguém no-lo impedir,
      Fica "a gente" confundida,

      Põe-se o sentido a fugir
      (quando encontra uma saída...),
      Começamos a mentir,
      Julgando que essa medida

      De pretensa salvação
      Nos vai dar bons resultados
      Porque, esquecendo a razão,

      Ficamos mais libertados,
      Quando, na verdade, não...
      Ficamos é bem lixados!

      II

      Uma coisa há, no entanto,
      Em que, sendo compulsivos,
      Ganhamos maior encanto,
      Sentimos que estamos vivos;

      Só na Arte - grande espanto! -
      Devemos ser reactivos,
      Despindo o pesado manto
      Dos tais colectivos crivos

      E sentindo, à flor da pele,
      Cada traço, cada letra,
      Sobre ecrã, sobre papel,

      Porque quando se é poeta,
      É num espasmo e num tropel
      Que nasce a obra completa.


      Maria João


      Peço desculpa, Poeta, por ter trazido o episódio, bem datado e referenciado, deste seu sonetilho para o campo sócio-psicológico da vida, mas foi o que me saiu... ou melhor, foi o que quase inconscientemente senti que deveria dizer. Digo quase inconscientemente porque só no final do primeiro sonetilho me apercebi - consciencializei... - o que estava a "responder-lhe".

      Aqui vai com o forte abraço de sempre!

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  2. Desta vez venho comentar o quadro que é delicioso. Os sonetos roubam-me sempre as palavras para comentar

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    Respostas
    1. Bom dia, António!

      Também eu acho esta ilustração uma autêntica delícia! Lembro-me bem de a ter "roubado" a uma amiga, no FB, embora tivesse confessado imadiatamente o meu "crime"...

      Os sonetos, nestes últimos tempos, atendendo às circunstâncias, andam bastante "fugidos", infelizmente. Não consigo escrever sonetos sob pressão, preciso de me sentir minimamente segura e autónoma para os escrever; preciso de condições para criar o terreno ideal para os construir, tal como a terra se deve preparar para uma sementeira. É assim e só assim que consigo "funcionar", ao nível do soneto.

      Muito grata pela visita, desejo-lhe um excelente dia!

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