GLOSANDO O POETA DIÓGENES PEREIRA DE ARAÚJO
A PEQUENINA VELA
Ao ver a luz de tão pequena vela
que, tão pequena, vence a escuridão,
eu penso no Brasil. Com emoção.
A tão pequena vela nos revela
que a luz, mesmo pequena, é solução
para criar a Pátria que se anela.
Se a luz ficar debaixo de gamela
não ilumina e falha em sua missão.
Alguém que não progrida e viva em teima,
não se aprimora e nenhum bem produz,
nada partilha, a não ser desatino.
Conquanto pequenina, a vela queima
e se destrói, no entanto gera luz
e heroicamente cumpre seu destino
Diógenes Pereira de Araújo
LUMINOSIDADE(S)
"Ao ver a luz de tão pequena vela"
Emanando, serena, um tal clarão,
Fico retida, em plena reflexão
Sobre a razão da coisa mais singela,
"Que luz, mesmo pequena, é solução"
Pr`a tanta escuridão, quando se anela
Ir-se fazendo dela a voz que apela,
Fugindo da querela, à criação...
"Alguém que não progrida e viva em teima",
Só pensa que se queima, assim que a vê,
Pois julgando que crê, mal sabe ver...
"Conquanto pequenina, a vela queima",
Tenta, qual guloseima, e, sem porquê,
Morre sempre à mercê do que a acender...
Maria João Brito de Sousa - 11.07.2016 - 18.16h
“Endereços”
ResponderEliminarSem tempo p’rá humanidade
Nem a humanidade para mim
E p´ra vos falar a verdade
Prevejo que será até ao fim
Mas diz-nos a universalidade
Cada ser foi endereçado assim
Com uma dada particularidade
Sendo pó do mesmo jardim
Foi entregue à existência
Com toda a sensibilidade
Mas perdeu-se na essência
Vagueia p’la intelectualidade
Onde busca com insistência
Razão para tanta maldade.
O meu "endereço"
EliminarEu, sem tempo pr`a escrever,
Vou-o tendo, no entanto,
Pr`a revisar, pr`a escolher...
Por enquanto, por enquanto,
Apesar de perceber
Que vai longo, o desencanto,
Que empunho o verbo, a sofrer,
E que com nada me espanto
Excepto se corro a valer
Quando o corpo me dói tanto
Que parece esmorecer
E cai, mas logo o levanto,
Pois mais não pode perder,
Quem tudo perdeu, garanto!
Maria João
Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre e esperando que tudo esteja bem convosco.
Só cá consigo vir pontualmente e sempre por curtíssimos períodos de tempo. Se, nesta excessiva mobilidade e "desvio" de energias, consigo uns sonetilhos repentistas, nem sequer penso em conseguir poder chegar à "minha praia" que é a meta-poesia. Essa pode, ou não, "nascer" rápida como um relâmpago, mas exige um mínimo de tempo de estabilidade e muito tempo sem me sentir pressionada por prazos a cumprir e sem ter sobre os ombros o enorme peso da incerteza quanto ao dia de amanhã...
Espero, no entanto, poder - não sei quando... - voltar a conseguir ter algum ritmo na minha vida. Não me dou nada bem com esta acelerada ausência de rotinas, nem com esta total dependência das vontades alheias... estou, no entanto, a fazer o que posso e o melhor que posso, acredite.
“Perpétua indução”
ResponderEliminarPaís em coma induzido
Mas que triste situação
Por ter sido agredido
P´lo estigma da televisão
Desligai tais aparelhos
Encetai uma revolução
Venham os novos e velhos
Exigir nova programação
Erguei já os emissores
Fruto de saber ancestral
Novo programa emitirão
Apelando a outros valores
Que não a soldo do mal
Evitem a sua profusão.
Prof Eta
DESINDUZINDO-ME...
EliminarPaís em coma induzido?
Talvez sim, mas tenho esp`rança
De, um dia, fortalecido,
Revê-lo em toda a pujança,
Como se tivesse havido,
Nesse sono em que descansa,
A cura pr`ó mal sentido,
Quando o mal sente que avança...
Quanto a mim, eu posso lá
Ter o tempo necessário
Pr`as tevês do blá, blá, blá?!
Sou como qualquer op`rário
Que constrói quanto não há
E, no fim, mal vê salário...
Maria João
De novo de saída apressada - ufa! - foi o que me ocorreu responder-lhe, Poeta...
Depois tentarei escrever-lhe um mail para o pôr minimamente ao corrente do que há de novo, do lado de cá do ecrã e quase sempre longe dele, agora...
Abraço grande!
“Golpadas”
ResponderEliminarA loucura no Planalto
Não preocupa Belém
Casa Branca fala alto
E a Moncloa também
Downing Street já era
Bellevue continua a ser
No Eliseu está a fera
Palácio de Verão est’arder
São golpes palacianos
Para deleite das massas
Em plena época estival
Habitados por republicanos
Que erguem as suas taças
E repartem o bolo estatal.
Prof Eta
Como se pode "desconstruir" um/a poeta
EliminarMais uma vez "de saída",
Sem tempo pr`a respirar,
Respondo, quase em corrida,
Que mal consigo rimar
E, sem poder poetar,
Nem sei sequer se isto é vida,
Ou se "eufemismo larvar"
Que designa a restringida
Situação à qual cheguei
E parece tão sem fim
Que, Poeta, já nem sei
Falar-lhe... senão de mim
E das voltas que darei
Enquanto estiver assim...
Maria João
Cá vai com o abraço de sempre, Poeta!
“Expansão”
ResponderEliminarUma mente consciente
Fervilha de ebulição
Não lhe fico indiferente
Exijo a sua expansão
Essa forma evidente
Não encontra tradução
Eis que surge na corrente
O lugar à contradição
Surgirá máximo expoente
Quer acreditem ou não
Pois nasce consequente
A presente revolução
Que se inicia na mente
Com destino ao coração.
Não sei bem onde começa,
EliminarNem que rumo exacto traz...
Sei que cresce e que tem pressa
De alcançar, um dia, a paz,
Porque onde a guerra se teça,
Nem ela será capaz
De obstar a todo o que a esqueça,
Ou fazer mais do que faz...
Julgo estar quase a dormir,
Mas prometo aqui deixar
Algo que o faça sorrir
Quando lhe ocorrer chorar;
-"Poeta, eu não sei mentir,
Mas ainda sei sonhar..."
Maria João
Bom descanso, Poeta! Abraço grande!