GLOSANDO A POETISA GLÓRIA MARREIROS
TERRA DA MINHA VIDA
Recordo aqueles troncos imponentes,
na serra onde nasci e fui menina.
E nem sequer sonhava com a sina
traçada sobre linhas resistentes.
Fui ave nas ramadas mais ardentes
e encostas maquilhadas de neblina.
Ouvi vozes de brisa calma e fina
falar-me de saudades já dormentes.
Toquei nas rosas bravas das roseiras
que trepam por memórias e ladeiras,
deixando antigos cheiros no meu rosto.
E vejo nesta terra mil peugadas
dos beijos que não dei, nas madrugadas
suspensas na agonia do sol-posto.
Glória Marreiros
FUSÕES...
"Recordo aqueles troncos imponentes"
Dos abrunheiros a que me abraçava
Quando, menina em flor, lhes segredava
Canções das que calava para as gentes...
"Fui ave nas ramadas mais ardentes",
Radícula que freme, emerge e escava
E acaba transmutada em fruta brava
Na gestação de muitas mais sementes...
"Toquei nas rosas bravas das roseiras"
Sem me picar, porque essas companheiras
Sabiam-me uma irmã dos seus folguedos
"E vejo nesta terra mil peugadas"
Dessas fusões por tantos condenadas
Que são, do que hoje escrevo, honestos credos...
Maria João Brito de Sousa - 12.0.2016 - 14.11h
“Grito à humanidade”
ResponderEliminarHumanidade és prioritária
Mas que se passa contigo?
Qualquer causa humanitária
Resolve-se no teu umbigo!
Umbigo centro de gravidade
Pode levar-te à solução
Desde que a prioridade
Seja outra e essa não
Energia vem do alto,
Raízes fortes no chão
Tronco sempre vertical
Pronto para esse assalto,
Umbigo dar-te-á impulsão
Pois a sua energia é fulcral.
Diagnóstico sócio-cultural da humanidade
Eliminar"Zonza" e bem manipulada
Por int`resses consumistas,
Está prontinha a ser "trincada"
Por quem fez - sem "dar nas vistas".... -
Dela, uma bela salada
Pr`ás presas capitalistas...
Coitada dela, coitada,
Quando tu dela desistas,
Ou nela ferres o dente,
Pensando que não faz mal
Pois já o faz toda a gente
Que não percebe, afinal,
Que o que ela está é doente
C´os "desvios" do capital...
Maria João
Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre. Só agora cheguei.
“Irreal”
ResponderEliminarSe existe a realidade
Pode andar desfasada
Afastada da verdade
E em nada preocupada
Mas se acaso não existe
Há razões para preocupação
Pois todo o mundo insiste
Em que é real a situação
Deste viver desligado
Face aos valores morais
Onde só o ter importa
Fomos do ser amputado
Nunca mais seremos reais
Nesta realidade já morta.
A realidade é essa,
EliminarA que a alguns traz desfasados
E os faz ir vivendo à pressa,
Sem olhar aos passos dados,
Sem ter tento na "promessa"
Dos que os querem comandados
Desde que a vida começa
Porque já nascem "castrados"...
Biológicos sejamos,
Pois biológicos somos
E a ser "reais" aprendamos,
Porque, afinal, "reais" fomos
Desde que aqui começámos
A ser nossos próprios donos...
Maria João
Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre e a "aproveitar" enquanto a realidade me não vem cortar a energia eléctrica.