GLOSANDO A POETISA LANDA MACHADO

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*


AMOR ETERNO


*


Vieste e foste embora de repente


Deixaste em teu lugar uma saudade


E esse nosso amor tão inocente


Envolveu toda a minha mocidade


*


O tempo foi correndo lentamente


Com alegria, dor, felicidade…


Muitas vezes lutei contra a corrente


À procura da minha identidade


*


Houve na minha vida mais amores,


A vida é uma paleta de mil cores,


Mas há um tom dif’rente em cada idade


*


Agora que alcancei o meu poente


Talvez nos encontremos finalmente


Nesse mundo de Amor Eternidade


*


Landa Machado


 


Em “NA LONJURA DO TEMPO”


***


 


IDENTIDADE(S)


*


 


"Vieste e foste embora de repente"


Tal como a chuva chove, a nuvem passa


E o fruto que hoje comes foi semente


Que antes rompera a terra ardente e escassa...


*


"O tempo foi correndo lentamente"...


A roer-me por dentro, como a traça,


A solidão, a mim, tornou-me gente


E a ti, não sei porquê, esgotou-te a graça...


*


"Houve na minha vida mais amores"


E - porque não dizê-lo? - , perdas, dores,


Coisas que eu sei que nunca entenderias...


*


"Agora que alcancei o meu poente",


Eu quero lá saber! Serei dif`rente,


Mas vivo as minhas próprias fantasias!


*


Maria João Brito de Sousa


08.07.2016 -15.48h


***


 

Comentários

  1. “Infernos”

    Já houve outros infernos
    E o de Dante também
    Mas nos tempos modernos
    Consegue-se ir mais além

    Do inferno da indiferença
    Ao inferno da sofisticação
    Tens que ter uma licença
    Mas nunca terás perdão

    És culpado por existir
    Por isso tens que pagar
    Para o inferno manter

    Não deves sequer ouvir
    Nem ouses dele falar
    Muito menos tentes ver.

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    Respostas
    1. Infernos, só na Terra...

      O de Dante, o de Hiroshima,
      O da cruel "frigideira"*...
      Quanto inferno o homem "mima"**
      À sua humana maneira...

      São, alguns, um`obra-prima
      Da mais requintada asneira
      Onde a crueldade encima
      E a maldade é pioneira...

      Nunca fui porém, culpada
      De nascer e de existir;
      "Nem sequer fui consultada

      No acto que me fez vir"...
      De mal, pouco fiz, ou nada,
      Nem me tentem desmentir!


      Maria João

      * Frigideira - O Campo da Morte, no Tarrafal
      ** Mima - Imita
      "Nem sequer fui consultada no acto que me fez vir" - Lembrando António Gedeão no poema "Fala do Homem Nascido".

      Aqui vai, Poeta, o que me ocorreu na sequência da leitura do seu sonetilho. Abraço grande!

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  2. Mais que glosa, minha cara
    parece réplica
    pensada e repensada

    (excelente, como sempre)

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    Respostas
    1. Não foi, não, Rogério!

      O processo de glosar um soneto é sempre muito rápido, em mim... tenho é de ler vários sonetos do ou da poeta que pretendo glosar. Posso ler dois, três, quatro... sei que, de repente surge um que me prende a atenção e o resto flui sempre muito rapidamente, como se estivesse a conversar com o poema que o/a autor/a criou.

      Claro que, no final, é sempre necessário relê-lo atentamente e "afinar" uma ou outra "nota musical" que possa estar a "destoar" , mas todas as minhas glosas têm sido escrtas muito, muito rapidamente, quase à velocidade do pensamento, e com a naturalidade de uma conversa entre amigos. Tenho é de encontrar o soneto certo...

      Obrigada e um abraço! (estou exausta, só cheguei há poucos minutos...)

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