GLOSANDO A POETISA HELENA FRAGOSO II

rebentação.jpg


 


SONHEI CONTIGO...





Sonhei que era contigo que sonhava


E que nesse acordar era verdade...


O sonho tão real se me mostrava


Aos meus olhos de espanto, de saudade.


 


Sonhei ver esse rio que me cantava


Seus fados e canções, na mocidade,


E os jacarandás! Como adorava,


Na avenida mais bela da cidade...


 


Sonhei que nas ameias me sentava


E que meu peito aberto mergulhava


Daquela Torre em saltos de ansiedade...


 


Que no meu Tejo, ali, mesmo nadava.


Quando acordei confesso, já chorava,


Pois só em sonho foi realidade.


 


 


Helena Fragoso








REBENTAÇÃO...


 


"Sonhei que era contigo que sonhava",


ó minha casa-mãe, meu berço e chão,


e que eras tal e qual te recordava,


bem mais do que uma antiga construção...


 


"Sonhei ver esse rio que me cantava"


como se fosse líquida, a canção


e me tornasse, inteira, uma onda brava


numa estranha e complexa solução...


 


"Sonhei que nas areias me sentava"


olhando a vaga quando rebentava


nos mil estilhaços dessa insurreição,


 


"Que no meu Tejo, ali mesmo, nadava"


sonhando que ao sonhar me transmutava


em espuma branca, qual rebentação...


 


 


Maria João Brito de Sousa - 02.09.2016 - 16.31h


 


 


 


 

Comentários

  1. “Domínios”

    Eu, que busco a verdade
    Onde a verdade não está,
    Ausenta-se da realidade
    E a realidade aí está

    Onde a verdade termina
    O que se inicia não sei,
    Mas a ficção domina
    O próprio domínio da lei

    Na verdade isto é real
    Embora contraditório
    Já que a lei o admite

    Pois a mentira factual
    Apensa em probatório
    É verdade sem limite.

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    Respostas
    1. O "Modus Operandi" da Mentira


      Mentira tudo dispensa;
      Negando a própria razão,
      Terá sempre, em quem não pensa,
      Poder de germinação

      E cada vez mais se adensa
      Formando a contradição
      Que, sem pedir-nos licença,
      Vai medrando em nosso chão...

      De tanto ser repetida,
      Vestes as roupas da verdade
      Quando apanha distraída

      A própria realidade
      Que nos passa a ser "vendida"
      Como tendo qualidade...

      Maria João


      Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre e uma queixinha pessoal;
      Tenho uma dor "gigante" na colunna , há quatro dias...
      (vou ter de lhe enviar um mail, hoje, ou amanhã, quando tiver uma "folgazinha" nos meus trabalhos de revisão e selacção de textos...)

      Eliminar
  2. Respostas
    1. Bom dia, Fashion!
      Sim, "é pelo sonho que vamos", mas teremos que ir aprendendo a sonhar no colectivo...

      Quanto à poeta(isa) que aqui gloso, é uma das maiores poetisas portuguesas vivas e, como diz um amigo; "quem disser o contrário, terá de se haver comigo!"

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