"AQUECIMENTO CENTRAL"
Ao(s) Poema(s)
(Soneto em decassílabo heróico)
Se, amargo, me enregela o corpo inteiro
O Frio que se aproxima, passo a passo,
Recorro à Poesia, a que me abraço,
Esquecendo o que é viver sem ter dinheiro...
Adianta-se-me o frio, vem sorrateiro
Instalar-se por dentro do meu espaço,
Tentando vir deitar-se em meu regaço,
Julgando ser - quem sabe? - "o meu primeiro",
Mas eu, que lhe conheço as veleidades,
Não lhe encontrando chama em que me aqueça,
Rejeito-lhe estas vis intimidades;
Não mais há-de haver frio que aqui me impeça
De ir-te aquecendo, ó gelo que me invades,
Assim que o meu Poema recomeça!
Maria João Brito de Sousa - 24.10.2016 - 15.35h
Lindo!!!
ResponderEliminarObrigada, Fashion! Bjo!
Eliminar“No Yazidi village”
ResponderEliminarToda a realidade existe
Desde o amor flamejante
Até ao extremo mais triste
Onde a munição tracejante
Faz traços com intenção
Num povo que não reside
Por lhe negarem nação
É escorraçado, é Yazidi
Nómadas por imposição
São unos e com valores
Mas fogem da munição
Que lhes impõe horrores
Lhes traceja o coração
E somos só espectadores ?
Uns sucumbem, no Iraque,
EliminarOutros, da Síria , apressados
Vão fugindo a cada ataque;
Todos são refugiados;
Uns, nas casas - bricabraque
Em ruinas, sem telhados -
Outros em barcas de araque
Sendo pelo mar tragados...
São os "grandes" deste império
Que os conduzem como rezes
Ao imenso cemitério
Criado por seus int`resses...
Pensem, pois não tem mistério;
Dá jeito aos grandes burgueses!
Maria João
Poeta, esta noite tive um, felizmente pequenino, enfarte cardíado... mas, apesar de tudo, tenho muita sorte em não ser um desses que o mar traga e a bomba despedaça... cá vai com o abraço de sempre!
Maria João
Glosando Maria João Brito (com o devido respeito)
ResponderEliminarFrialdade polar
“Se, amargo, me enregela o corpo inteiro”
O vento que arrepia o meu cansaço,
Recorro ao pensamento e, passo a passo,
recordo os malefícios do dinheiro.
“Adianta-se-me o frio, vem sorrateiro”
Invadir o calor do meu regaço,
Julgando-me carente dum abraço
Que me torne este dia soalheiro.
“Mas eu, que lhe conheço as veleidades,”
Não me deixo enlevar com tanta pressa
Nem permito favor ou caridades…
“Não mais há-de haver frio que aqui me impeça”
De permitir tão vis atrocidades…
E aqui, sem frio, o meu poema cessa.
(batista_oliveira – 25-10-16)
Excelente soneto que muito lhe agradeço, amigo Batista Oliveira!
EliminarA musicalidade do seu soneto glosado - decorrente da perfeição métrica e do compasso/ritmo marcado pelas tónicas no ponto exacto da pauta musical que todo o sneto é - está brilhantemente conseguida!
Envio-lhe um fraterno e grato abraço poético!!!
Maria João
Cara Maria João (permita-me o tratamento), estando eu pouco antes da meia noite, em serviço obrigatório pausado, no meu gabinete hospitalar, lembrei-me de a glosar (com devida vénia) atendendo às suas várias glosas de outros sonetos. Assim, numa hora de espera elaborei (com respectiva cadência métrica), esta glosa, mas sem quaisquer pretensiosismos.
EliminarGrato pela sua avaliação.
Amigo Batista Oliveira, posso garantir-lhe que a cadência métrica foi conseguida - e bem conseguida! - neste seu soneto... mas tudo isto já eu lhe disse...
EliminarSó queria que soubesse quão alegre eu fico quando encontro um poeta que consegue atingir a perfeita musicalidade que toda a poesia metrificada exige. Mais uma vez, muito obrigada!
Pelo que me conta, suponho que seja médico, ou enfermeiro... deve estar agora a terminar o seu turno. Que tenha um bom descanso.
O meu abraço poético!
Maria João
“My road”
ResponderEliminarI love my road
While the road means nothing
But mine does
I can share a bit
Of this dusty trail
I can share a lot
But never say a word
That my road doesn’t understand.
Zé da Ponte
So do I!
EliminarI love this road
walking towards Poetry,
but I think - oh my, oh my...-
that my steps will never show,
even a small part of me...
Maria João
Abraço grande, Poeta!
"Lugar nenhum"
ResponderEliminarAdorável o meu caminho
Embora leve a lugar nenhum
Mas o meu levará
Posso partilhar um grão de areia
Deste trilho empoeirado
Ou até um pouco mais
Mas nunca digas uma palavra
Que comprometa a caminhada.
Zé da Ponte
Caminheiros da Vida
EliminarTudo leva a algum lugar,
Não há becos sem saída
Que não sirvam pr`abrigar
Os caminheiros da vida ...
Maria João