BALADA PARA UM VELHO CEDRO
BALADA PARA UM VELHO CEDRO
Eu sonho um cedro que me embale o sono;
Subitamente o sonho -imenso, austero... -
Ver, da janela de onde sempre o espero,
Rasgando o solo e, como eu sou, sem dono...
Um cedro que adoçasse este abandono,
Que não vergasse, sólido, sincero,
Que me escutasse sempre que me esmero
Em descrevê-lo, enquanto assim ficciono...
Somo silêncios sobre o velho cedro,
Mas se me sobra sonho, o cedro vem,
Subindo sempre, se o sonhei sem medo,
E, deste sonho, surgem-me outros cem,
Como se eu própria ousasse ser segredo
Da sementeira que lhes fez de mãe...
Maria João Brito de Sousa - 27.10.2016 - 16.19h
O primeiro verso deste seu sonet é belíssimo: "Eu sonho um cedro que me embale o sono". Apetece-me dizê-lo vezes sem conta.
ResponderEliminarAbraço
Ah, poeta António fico-lhe muito grata por saber que o meu soneto o "tocou"!
EliminarQuando, ao passar na marquise, olhei o tronco morto da última palmeira do passeio, ocorreu-me, de repente, imaginar um cedro a erguer-se no seu lugar... eu sei que não faz muito sentido; os cedros são árvores enormes, pouco apropriadas a jardinzinhos suburbanos, mas... foi o que me ocorreu naquele momento e foi sobre isso que eu quis escrever, mesmo sabendo que não era um sonho lá muito exequível...
Obrigada e um forte abraço!
PS - as serras acabam, neste preciso instante, de cortar o tronco morto da palmeira que, de alguma forma, ainda foi co-autora deste soneto-balada...