DE NOVO; FLORBELA E EU...

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MARIA DAS QUIMERAS


 


 


Maria das Quimeras me chamou


Alguém... pelos castelos que eu ergui,


Plas flores de oiro e azul que a sol teci


Numa tela de sonho que estalou...


 


Maria das Quimeras me ficou;


Com elas na minha alma adormeci,


Mas quando despertei, nem uma vi,


Que da minh`alma Alguém tudo levou!


 


Maria das Quimeras, que fim deste


Às flores de oiro e azul que a sol bordaste,


Aos sonhos tresloucados, que fizeste?


 


Pelo mundo, na vida, o que é que esperas?


Aonde estão os sonhos que sonhaste,


Maria das Quimeras, sem quimeras?


 


 


Florbela Espanca


In "Livro de Soror Saudade"


 


 


MARIA SEM CAMISA


 


 


Maria sem Camisa, chamo-me eu,


Usando de ironia - ou talvez não... -


E espelhando, no nome, a condição


Do pouco, ou quase nada, que há de meu...


 


Desse ´baptismo` insólito nasceu


- não saberei dizer por que razão... -,


Da vossa parte, alguma confusão,


Da minha, a força hercúlea que me ergueu,


 


Pois, sem camisa, embora enregelada,


Sobrevivo há ´milénios`, produzindo,


E de oiro(s) me cobri, não tendo nada;


 


Das infindas carências vão surgindo


Os versos que, no metro bem escorada,


De oiro e de seda azul, me vão cobrindo...


 


 


Maria João Brito de Sousa - 30.10.2016- 17.00h


 


 


(Inédito, respondendo ao soneto "Maria das Quimeras", de Florbela Espanca)


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Comentários

  1. Maria das quimeras é, de facto, uma Maria sem camisa. Adorei!

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  2. É sempre um prazer lê-la, amiga poetisa. Pode ter a saúde debilitada, mas os seus sonetos estão cheias de enegria, beleza. Como o Álvaro de Campos dizia: "Tem penas na cabeça" :)

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    1. :) ... obrigada ela leitura e pelas palavras, António!

      Sou uma apaixonada pela palavra e pelo/s conceito/s que a consubstancia/m, sim.

      Abraço!

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  3. “Reaprender”

    O fascínio permanece
    Não consegue fascinar
    Pois o humano esquece
    A forma de o utilizar

    Também cintila a estrela
    Mas não consegue iluminar
    Sequer a alma mais bela
    Por se recusar contemplar

    Mas o fascínio convida
    A reaprender a lição
    Pois promete perdurar

    Será uma segunda vida
    Com toda a fascinação
    Que a vida tem para dar.

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    1. Aprender, aprender, sempre!

      Aprender, lendo e escrevendo
      Foi sempre aquilo que fiz
      Desde o primeiro momento,
      "Senhora do meu nariz" (rsrsrsrsrs...)

      Quando, ao meu primeiro intento,
      Descobri que era feliz
      E, em voos do pensamento,
      Ousei ter mais que o que quis...

      Talvez se chame "fascínio",
      Esta força que me chama
      E retarda o meu declínio,

      Ou talvez seja paixão,
      Aquilo que em mim reclama
      Pela "quase-perfeição"...

      Maria João


      Um abraço grande, Poeta! Obrigada!

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  4. Esse diálogo é fixe, já conseguindo apanhar o ritmo ( música ).

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  5. “Pirataria”

    O partido dos piratas
    Está a ganhar terreno
    Mas há uns autodidatas
    Que estão é no governo

    Chamavam-lhe geringonça
    E eu não queria acreditar
    Pensava, os amigos da onça
    Discursam p’ra nos baralhar

    Mas bem visto o resultado
    Só resulta atrapalhação
    E o mês tende a encurtar

    Vão piratear p’ra outro lado
    Desamparem esta nação
    Parem de nos enganar.

    Prof Eta

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    1. PIRATADAS...

      Alguns com olhos de vidro,
      Outros com pernas de pau,
      Há piratas, é sabido,
      Num mar onde haja uma nau...

      Passa um que vem despido,
      Outro tem cara de mau
      Mas se a nau vem sem sentido,
      Passa-se o mar, mesmo a vau...

      "Quem vem lá?" Pergunta a gente,
      E uma voz mansinha, doce,
      Responde candidamente;

      "Quem qu`ria o senhor que eu fosse,
      Se lhe trago, de presente,
      Bem mais que o que tinha em posse?"

      Maria João

      Aqui vai, Poeta, com um abraço grande!

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  6. “Jogadas”

    Não ignores o ruído
    Na retaguarda do teu ser
    Reaje rápido e decidido
    Vira-te e nada vais ver
    E de silêncio imbuído
    Mergulha e torna a viver
    Faz jogadas com sentido
    Mostra o jogo perceber.

    Zé da Ponte

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    1. Segundo movimento;

      Tudo pulsa, quando existe;
      Tudo, nessa condição,
      Oscila, vibra e persiste,
      Nunca tendo essa noção.

      Porque ter forma consiste
      Nesse equilíbrio em tensão,
      Que só pára se desiste
      Ou se muda a vibração;

      Depois tudo é transformado
      Nesta infinita equação,
      Mudando de forma e estado

      Conforme a transformação
      E o corpo, "continuado",
      Dispersa-se em pó no chão...

      Maria João


      Abraço grande, Poeta!!!


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  7. “Blow up”

    The way simple things
    Can be complicated
    For the human mind
    Seems to be a challenge
    Open your mind
    Clean your mind
    Blow up your mind
    Do you feel it ?

    Zé da Ponte

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    1. Shiny anda Peaceful Mind

      Allways clean, my mind,
      It flies in the wind;
      That`s the way I find
      Every word I mean...

      Never, never tell me
      What I have to do...
      I Know that I see
      Much better than you

      And I may have problems,
      But I don`t believe
      That I`ll change my poems,

      Or I`ll change my vision,
      And you`ll be deceived.
      But... that`s your decision...

      Maria João

      Abraço, Poeta!

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