GLOSANDO O POETA VÍTOR CASTANHEIRA
"Quanto mais perto estou do dia extremo
Que o sofrimento humano torna breve,
Mais vejo o tempo andar veloz e leve
E o que dele esperar falaz e menos."
PETRARCA
Quanto mais perto estou do dia extremo
Sei que esse dia vai mesmo chegar
Sei também que não mais irei voltar
E só pensando nisso sinto o demo
Que o sofrimento humano torna breve
E ninguém pode o mesmo controlar
Seu código ao ser lido vai ficar
Engrossado de um jeito como a neve
Mais vejo o tempo andar veloz e leve
Sempre em trilhos da vida sem ter jeito
Quanto mais que se esforça e se transcreve
E o que dele esperar falaz e menos
Não há método nem mesmo preceito
A mais nos nossos dias tão pequenos.
ARIEH NATSAC
QUANTO MAIS PERTO...
"Quanto mais perto estou do dia extremo",
Mais eu me prendo à pena que o descreve,
Mais dela espero o vôo que me eleve,
Mais me esqueço da morte que não temo,
"Que o sofrimento humano torna breve",
Por ser fugaz e breve o sopro ameno
Da nossa curta vida, e bem supremo
Este dom de o cantar, pr`a quem se atreve...
"Mais vejo o tempo andar veloz e leve",
Quanto mais, por cabelos, tenho neve,
E, ao corpo, mo corrompem mil venenos
"E o que dele esperar falaz e menos(.)"
Será, talvez, bem pouco... mas não deve
Firmar-se em Vida, quem já morta esteve?
Maria João Brito de Sousa - 14.09.2016 - 12.10h
“Dylan or not dylan”
ResponderEliminarLiteratura está em choque
Com o Nobel atribuído
A canção foi a reboque
Do verso mais distinguido
O autor pois mais que toque
Não será bem compreendido
Pelo grupo que invoque
Este mundo está perdido
Mas este mundo evolui
Sente ventos de mudança
Que não sabemos explicar
Só um prémio assim contribui
P’ra que fique na lembrança
Os tempos estão a mudar.
Prof Eta
Dylan, mas pela excelente poesia e pelo humanismo!
EliminarDesta vez, subscrevo já
O que acaba de escrever!
Contudo, outras razões há
Para Bob o merecer;
Ser poeta bastar-lhe-á
Para um Nobel merecer,
Não pelas razões que dá
O júri que o foi escolher...
"Tradição americana"?
Que razão tão parcial!
A mim, já ninguém me engana
Pois, na confusão geral,
Cá por dentro a razão clama;
Por que não de Portugal?
Maria João
Cá vai, poeta, com o abraço de sempre!!!
Tais glosas as vejo como uma obra de arte tão solene e difícil de produzir quanto a obra-mãe. Maria João tem-se mostrado exímia numa e noutra.
ResponderEliminarParabéns, minha mestra dos decassílabos heroicos!
... nunca pretendi ser mestra, mas confesso que fico muito, mas mesmo muito feliz por ter contribuído, por pouco que seja, para que alguém tenha aperfeiçoado os seus decassílabos heróicos...
EliminarMuito obrigada!
Desculpe, amiga! Sem timidez, o comentário anterior é de minha autoria.
ResponderEliminarAhhh! Eu é que peço desculpa, poeta Adílio Belmonte, mas fui eu quem, há já muitos anos, configurou a palavra "anónimo" para aparecer como "demasiado tímido"...
EliminarMais uma vez lhe agradeço do fundo do coração por me fazer saber que todos estes longos anos de trabalho não foram vãos e que pude contribuir para entusiasmar alguém ao ponto do aperfeiçoamento do decaasílabo heróico. Acredite que estou mesmo muito feliz!