GLOSANDO A POETISA MARIA DA GRAÇA MELO
PRESÉPIOS E CASCATAS
“Para fingir presépios e cascatas”
Desenho, com a linha do horizonte
A pauta, para novas serenatas
Com sons, de oliveiras pelo monte.
Entro em meditação, de verde espera
Isolo-me, a olhar o interior
Até desabrochar nova quimera
Na corola inda fechada duma flor.
Abrindo os olhos, para a realidade
Arrumo o passado em lugar seguro
Para que, o sol poente da saudade
Não se meta, no sonho, do futuro.
Maria Melo (em COM MOTE CERTO)
VERDE(S) & CINZENTO(S)
"Para fingir presépios e cascatas",
Dou rédea solta ao velho imaginário
Transformo arranha-céus em mil cubatas,
Espelho, na realidade, outro cenário...
"Entro em meditação de verde espera",
Pois sempre torna o Verde à terra-mãe
Cobrindo com seu manto imenso a esfera
De onde a razão de o ser sempre lhe vem...
"Abrindo os olhos para a realidade",
Vejo o Verde a sumir-se entre os cinzentos
Tom sobre tom, crescentes da cidade.
"Não se meta, no sonho do futuro"
Tanta monocromia que, em cimentos,
Se vista a Terra de cinzento escuro.
Maria João Brito de Sousa - 16.09.2016 - 14.54h
Que lindo poema e que saudades do verde. beijinhos
ResponderEliminarOlá, Fashion!
EliminarSim, é verdade, a nostalgia do verde é um facto para quem cresceu aprendendo a amá-lo e a respeitá-lo por tudo que para a vida representa...
Beijinho!
“Dylan o que dylan”
ResponderEliminarNão por ser americano
Mas por ser universal
Acho é que no melhor pano
Cai a nódoa e fica mal
Esse júri foi ao engano
Podia bem ser de Portugal
Mas se o erro é humano
Não o considero fatal
Existem sempre razões
Que a razão desconhecerá
Ou que não quer conhecer
Mas o mérito das canções
É que as razões invocará
Até quem as não quer ler.
Prof Eta
Dylan lá o que disserem,
EliminarO Bob é um bom poeta
E é tempo de perceberem
Que um poema nos completa;
É bom para os que o escreverem
Pois, voando como seta,
Repercute nos que o lerem,
Quando, enfim, alcança a meta...
Tem o Nobel mil razões
A que esta razão não chega,
Por ser minha... e limitada,
Poém, pr`além de emoções,
Vejo em Dylan o colega,
Só não vejo o camarada...
Maria João
Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!
“Penses ou não”
ResponderEliminarEu pensava não existir
Mas se penso logo existo
Ainda hei-de conseguir
Achar a solução p’ra isto
E se penso não pensar
É o pensamento a vencer
Pois não se deixa matar
Mesmo sendo eu a querer
Como justificar então
Razão p’rá não existência
Com o pensamento a ecoar
É simples a justificação
Sendo física a ausência
Pensamento teima em ficar.
Acredite, ou não...
EliminarPorque penso, existirei,
Pensou Déscartes um dia
E sentiu que essa era a lei,
Nem lembrando que sentia...
Um pouco mais eu pensei
- Damásio o confirmaria... -
E, agora, também eu sei
Que pensar não bastaria
Pr`a definir uma vida...
Penso e sinto, logo existo!
Consinto, em larga medida,
Não ser de granito, ou xisto,
Pois, na carne concebida,
É carne, agora, o que eu visto...
Maria João
Aqui vai um pouco de Damásio - e de mim... - juntar-se ao célebre "Cogito Ergo Sum", Poeta! Abraço grande!