GLOSANDO A POETISA MARIA DULCE SALDANHA

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CHUVA





São quatro da manhã, a chuva cai,
o vento a fustiga na vidraça,
a saudade de ti, fica, não vai,
e a recordação, essa não passa!


 


Lembro tantas noites, aqui deitados,
a chuva tinha um sabor especial,
sem sono ,estando até bem acordados
ouvindo a melodia no beiral


 


Já não sinto a beleza da canção
da cadência da chuva, que sentia,
deixa-me só tristeza e solidão


 


e, hoje sem a tua companhia
apenas só encontro escuridão,
no teu lugar, a cama está tão fria!


 


 


Dulce Saldanha





BEMÓIS & SUSTENIDOS





"São quatro da manhã, a chuva cai(,)"


Na velha cobertura da marquise,


Embalando-me o sono em que se esvai,


Na suave melodia, a dor da crise...





"Lembro tantas noites, aqui deitados,"


Eu e meu velho gato, adormecidos


Ao som da chuva que, sobre os telhados,


Orquestrava bemóis e sustenidos*...





"Já não sinto a beleza da canção"


Quando pouco me aquece a cama fria,


Por muito que me cubra o edredão,





"E hoje, sem a tua companhia",


Meu velho gato, tenho a sensação


De haver perdido, a chuva, a melodia...





Maria João Brito de Sousa - 17.10.2016 - 19.00h








*Em música, osustenido é um acidente que, tendo seu sinal de notação (♯) colocado à esquerda da nota, indica que a altura desta nota deve ser elevada em um semitom. A palavra é usada como adjetivo para indicar entonação acima da altura constante da notação. O dobrado sustenido, (com a notação ✗) indica que a altura da nota que este sinal antecede deve ser elevada em dois semitons.


A presença do símbolo de sustenido produz modificações nas notas da seguinte forma:


(1) Se um sinal de sustenido marcar uma nota dentro de um compasso, todas as ocorrências seguintes dessa mesma nota dentro desse compasso deverão ser executadas em sustenido. Essa alteração não afeta, no entanto, a mesma nota em outras oitavas. Encerrando-se o compasso, as ocorrências seguintes dessa nota deverão ser executadas sem alteração.


(2) Se um sinal de sustenido aparecer na armadura da clave, todas as ocorrências da nota marcada ao longo de toda a música deverão ser executadas em sustenido. Exemplo: uma música em Lá maior tem três sustenidos na armadura (Dó, Fá e Sol).





(Wikipédia)





Bemol - Em notação de música, o bemol


é uma alteração que diminui meio tom a uma nota musical. O símbolo afecta todas as notas que se lhe seguem no mesmo compasso ou até haver um bequadro (acidente que desfaz o efeito do sustenido ou do bemol), tornando a nota natural.





(Wikipédia)





 


 

Comentários

  1. “Pariu-se a confusão”

    Grande era o firmamento
    Enorme era o universo
    Gigante era o pensamento
    Mas depois pariu um verso

    P’ra que pudesse ser lido
    E não fosse enfraquecendo
    O verso assim parido
    Lá se foi engrandecendo

    Tornou-se depois poesia
    Mais tarde virou canção
    Chegando a ser literatura

    Mas lá para o fim do dia
    Instalou-se a confusão
    Que ainda hoje perdura.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Pariu-se a Poesia
      (... logo nos primórdios da humanidade; é filha da comunicação e do ritmo)

      Poesia é lit`ratura,
      Quando em formato grafado
      Unifica Arte e Cultura
      Desde um remoto passado

      E, dignamente, procura
      Fazer passar um legado
      Que, instruindo, na leitura,
      Valha a pena ser deixado...

      Quem nada saiba sobr`ela,
      Fica, decerto, a perder,
      Pois muito mais que ser bela

      Tem muita coisa a dizer
      E abre sempre uma janela
      A quem mais queira aprender...


      Maria João


      Outro abraço, Poeta!

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  2. “ONUses e obuses”

    Quanta cinza, quanta chama
    No horizonte devastado
    Não s’escuta quem clama
    Com o coração destroçado

    Mas da assembleia emana
    Um parecer recatado
    Não de forma leviana
    As nações mandam recado

    Mas lá cai muito obus
    Dia a dia é morteirada
    Pequeno-almoço dos tristes

    Que o conforto reduz
    Mas aqui não se ouve nada
    E tu nada sequer vistes.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obuses e telefonemas constantes...

      Obus cai, obus faz mossa...
      É dura a realidade,
      Mas não haverá quem possa
      Ir discorrendo, à vontade,

      Se um t`lefonema se apossa
      Desta minha identidade
      E nem a voz se me adoça,
      Nem eu ganho em qualidade...

      Parou... por meros instantes
      Que aproveito pr`a reler
      O que tinha lido antes,

      Quase sem compreender...
      De novo os toques vibrantes;
      Tenho mesmo que atender!


      Maria João

      Aqui vai, Poeta. Entre telefonemas, foi o que me saiu, desculpe...

      Abraço grande!

























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