GLOSANDO NATÁLIA CORREIA II

Alecrim vivaz.jpg


 


DE AMOR NADA MAIS RESTA QUE UM OUTUBRO








De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.


 




Natália Correia, in “Poesia Completa”


 


 


ALECRIM VIVAZ


 


 


"De amor nada mais resta que um Outubro".


Abençoado Outubro, este meu fim,


Se inteira refloresço e redescubro


O melhor desta flor que habita em mim!


 


"E sei que mais te enleio e te deslumbro",


Mesmo que as folhas tombem no jardim


Cumprindo o ritual de um estranho culto


Ao qual se opõe, rebelde, o alecrim...


 


 


"Não me acordes. Estou morta na quermesse"


Do que queiras colher, se te parece


Que o rebelde alecrim deu flor sem casta...


 


"Mas quanto mais em nuvem me desfaço"


Mais sábio se me torna este cansaço


E com maior vigor me afirmo: - Basta!


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - 20.11.2016 - 12.37h


 

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