BALANÇO DE FIM-DE-ANO
Mais um ano que chega, outro que vai
Neste vaivém de ser-se e estar-se vivo
Num tempo que julgámos ter cativo,
Mas que, medido em anos, sobressai
Na neve do cabelo, que essa cai
Sobre a sorte de tê-lo em nada esquivo...
Vou passando o passado pelo crivo,
Pr`a ver, do que me sobra, o que me sai;
Não fujo à Luta, mas já mal lhe chego,
Que o meu presente é lúcido, mas cego,
Ou vê tão pouco que me torna inútil
A mesma lucidez que não me nego
Enquanto lhe for tendo humano apego,
Pois de aço feita; firme, honesta e dúctil.
Maria João Brito de Sousa - 30.12.2016 - 15.32h
“D.Quixotes”
ResponderEliminarEra uma mente errante
Quem sabe até um desvio
Numa busca incessante
Julgou ter algum pavio
Mas faltava a ignição
Que a levaria ao delírio
Dos astros a conjugação
Que se tornara martírio
Eis que surge um dragão
Ao longe no horizonte
Parecia não estar sozinho
Investindo com o arpão
Galopando sempre em fronte
Estatelou-se contar o moinho.
Eheheheheh... Poeta, adorei este seu sonetilho-aventura, mais para Dulcineia do que para Quixote, segundo me parece...
EliminarDulcineiades
Dulcineia, Dulcineia,
Como foste acreditar,
Tu, tão pobre e tão plebeia,
Num Quixote, a delirar?
Eras banal, quase feia,
Como pudeste aceitar
Que simples moça de aldeia
Viesse a configurar
Uma vela - e com pavio! -,
Tu quase morres de frio
Por ser`s tão de carne e osso...
E sobre um moinho cais?!
Tu não vês por onde vais?
Aturar-te mais, não posso!
Maria João
Cá vai, Poeta, com o primeiro abraço grande - "dado" por mim, claro... - de 2017!