GLOSANDO LUIZ VAZ DE CAMÕES IV

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MUDAM-SE OS TEMPOS...


*



Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.


*


Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.


»


O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.


»


E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.




Luiz Vaz de Camões


*


 


 


DIALÉCTICA


*


"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,"


Muda-se o gesto, o modo, o linguajar


E até por não poder se não mudar,


Se mudam, do ser vivo, as qualidades.


*


"Continuamente vemos novidades,"


De que iremos gostar, ou desgostar,


Conforme as consigamos, nós, olhar


Com lucidez que afaste ambiguidades.


*


 


"O tempo cobre o chão de verde manto(,)"


E, o nascimento, a vida de alegria


Que tanta vez se muda em desencanto


*


"E afora este mudar-se cada dia"


De sol brilhante, numa noite em pranto,


A Vida a toda a hora se cambia.


*


 


 


Maria João Brito de Sousa - 28.12.2016 -12.01h


 


 


 


 


 


 

Comentários

  1. “Desengonçados”

    O ano da geringonça
    Nem sequer fora pensado
    Toda ela desengonça
    Talhada no resultado

    Não foi em talha dourada
    Para a grande maioria
    Já que a casa assaltada
    Tão pouco o permitia

    Não temos tranca na porta
    O que agrava a situação
    Pode ser um pandemónio

    Dizem que ainda entorta
    E para mal desta nação
    Vem por aí o demónio.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Um pouco de passarola
      E um pouco de outra invenção
      Colada com fita-cola
      Lá cumpriu sua missão;

      Pôr o demo a "dar à sola"!
      Foi mera consolação
      Temporária, mas não tola!
      Transitória solução

      E o melhor que foi possível
      Num tempo de urgência extrema
      Em que o que era mais temível

      Era a prepotência plena
      De uma direita "invencível"
      (pr`a muitos, extra-terrena...)

      Maria João

      Cá vai, Poeta, a minha perspectiva da coisa, junto com o forte abraço de sempre!

      Eliminar

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