CONVERSANDO COM MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XIII

Fotografia de Phil Mckay (google).jpg


 


 


PALCO DA VIDA





É imensa esta estrada este caminho


É um palco real com bastidores


Onde actores fizeram o seu ninho


Nas brancas asas de ágeis beija-flores


 


Encenam seus papéis em desalinho


Que a fadiga provoca-lhes as dores


Que albergam em seu peito num cantinho


Mitigadas um pouco plos amores


 


Sem saberem da peça qual o fim


Lutam pelo seu próprio camarim


E fazem desta luta seu sustento


 


Quando se acaba a peça desce o pano


Acaba-se o teatro do engano


Sobra apenas cansaço e desalento


 


 


MEA


24/01/2017





IMPROVISO(S)





Sabendo que é perfeita, a analogia,


Em nada a contradigo e se a acrescento


É porque prometi que assim faria,


Se me sobrasse um nada de talento;





Escrevo umas linhas, nesta tarde fria,


Para o papel da vida em que me invento


E abuso duma mão que mal me guia


Na criação de enredo e de argumento...





Neste palco da vida, é sempre assim,


Mesmo na solidão do camarim,


Actuo e vou da lágrima aos sorrisos,





Mas quando cai o pano é mesmo o fim,


Não da Peça da Vida, mas de mim,


Das minhas deixas, dos meus improvisos...








Maria João Brito de Sousa - 26.01.2017 - 17.10h


 


Imagem - Fotografia de Phil Mckay








 


 

Comentários

  1. No palco da vida, modernamente
    a boca de cena não encerra com caída de pano
    ou é o actor a abandonar o palco
    ou é alguém que o empurra, esperemos que docemente

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    1. Reconheço que tens razão, Rogério, mas lembra-te de que esta queda de pano é metafórica; apenas representa o fim de uma vida, neste caso, da minha, porque fui levada, pela melodia e pela rima, a tornar este soneto pessoal... o da Encarnação é bem mais lato, bem mais abrangente...

      Abraço!

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  2. “Diversidade”

    A mente tem um recanto
    Cinco, oito, nove, dez
    Todos locais de espanto
    Onde voltas a cada vez

    Desligas duma realidade
    Entrecruzas outras tantas
    Para reforçar a veracidade
    A cada uma te espantas

    Somos um, és indivíduo
    Nessa mente a extravasar
    Fronteiras da humanidade

    Que transforma em resíduo
    Todas as formas de pensar
    Que excluam a diversidade.

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    1. Faz falta, a diversidade,
      Mas, o delírio... esse, não,
      Que esse desvia a vontade
      Dos caminhos da razão,

      Faz despontar a ansiedade
      Deturpando a solução;
      Faz-se passar por verdade
      E é pura alienação...

      Quanto à nossa identidade
      E à nossa imaginação,
      Que haja responsab`lidade,

      Que, razão com coração,
      "Filtremos" a ambiguidade
      Que nos mina a condição.


      Maria João

      Bom dia, Poeta! Cá vai o sonetilho que me ocorreu na sequência da leitura do seu. Abraço grande!



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