GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXXIX

espaço vazio, tu.jpg


 


REPENSANDO O VAZIO





Entrei no meu vazio escurecido


Por túneis que cavei e construí


E onde guardei oculto meu bramido


Que em abrigos de plumas eu escondi


 


Dei-lhe voz, dei-lhe asas, num rugido


E ao esvoaçar de mim sei que cresci


E sonhei-me num porto já esquecido


Moldando do mar ondas que vesti


 


Entrancei nos cabelos o luar


Que descendo tirou o sono ao mar


E neles me encontrei em novo eu


 


Raiei de rouxinol e voei calma


Dei ao vazio tons que trago na alma


Dos túneis e ruínas fiz meu céu


 


MEA


25/012017





 


NEGANDO O VAZIO ABSOLUTO





"Entrei no meu vazio escurecido"


E logo o preenchi da claridade


Do verbo, nesse instante pressentido,


E da sua sonora intensidade...





"Dei-lhe voz, dei-lhe asas, num rugido"


Fiz ecoar, nas ruas da cidade,


A canção, muito acima do ruído


E o sonho, muito acima da ansiedade...





"Entrancei nos cabelos o luar",


Com mil cuidados, fi-lo então brilhar


Como um pequeno sol, quanto bastasse;





"Raiei de rouxinol e voei calma"


Porque o vazio tão só levava a palma


Se ao vazio dos vazios me não negasse!








Maria João Brito de Sousa - 26.01.2017 - 09.59h


 


 

Comentários

  1. sonora intensidade...
    do verso
    luminosidade
    de um sol não pequeno

    Vazio? Isso existe?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sei que a natureza o abomina, por isso deve existir, Rogério...

      De qualquer forma foi o soneto glosado, o original, que teve o mérito de trazer o vazio até à poesia... e tanto eu, quanto a São, tratámos de o preencher, negando-o...

      Abraço!

      Mª João

      Eliminar
  2. Respostas
    1. Sim, Poeta! Embora a esmagadora maioria dos "nascimentos" se dê por transformação de algo pré-existente, não há nada como uma folha/ecrã em branco - vazia, portanto, ainda que cheia de brancura... - para nos chamar à escrita...

      Abraço grande!

      Eliminar

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