GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXXV
EIS, QUANDO SE DESEJA PAZ, AMOR
… Eis, quando se deseja paz, amor
Quando o mundo se encanta nessa espera
Quando se enchem os céus deste louvor
Num cenário de mágica quimera
Na rua, solto oculto anda o terror
Espiando disfarçado como fera
E aguardando o momento esse estupor
Cada vez nos ataques mais se esmera
Avança numa fúria arrebatada
Leva no olhar a morte já ditada
Faz valer ali mesmo o seu rancor
E devasta destrói mata inocentes!
São seres possuídos e dementes
Que fazem propagar no mundo a dor
MEA
2/01/2017
-**-
QUEBRANDO AS ALGEMAS...
"...Eis quando se deseja paz, amor",
Igualdade, justiça e harmonia,
Desaba o mundo em nosso derredor
E impera a dura lei da mais-valia...
"Na rua, solto oculto anda o terror";
Sobrevive-se ainda mais um dia
A tanto solto, oculto despudor,
Nas ruas duma Terra, assim, sombria?
"Avança numa fúria arrebatada",
Numa ganância pouco humanizada,
Montado num ginete, o "Deus-dinheiro"
"E devasta destrói mata inocentes!"
É quebrar as grilhetas, minhas gentes,
Enquanto não domina o mundo inteiro!
Maria João Brito de Sousa - 03.01.2017 - 10.03h
“Psi realidade”
ResponderEliminarSó sobrou a sensatez
Dos psis em geral
Pois nesse mundo que vês
Anda tudo muito mal
Em vez de mudares de lente
Aceitas uma realidade
Que te adormece a mente
E não te mostra a verdade
Nesse diálogo sensato
Procuras o novo rumo
Fora dum mundo fechado
Não censuro sendo exacto
Mas por vezes desarrumo
O que está desarrumado.
EliminarPsi Lúcido
Foi-se-lhe, do nome, o "xote",
Passa a Psi Realidade
Embora ela inda o derrote
Quando o invade a ansiedade;
Ora empunha o seu serrote
E serra a dificuldade,
Ora se passeia a trote
Pelas ruas da cidade
Sem que haja quem o enxote,
E o prive da liberdade
De tocar harpa ou fagote,
Porque é todo ambiguidade,
Muito embora ninguém note
Que traz consigo a saudade...
Maria João
Gostei destes seus Psis, Poeta! O meu Psi Lúcido é uma variante do seu Psi Realidade, criado por mim, em regime de co-autoria com Morfeu Abraço grande!
“De la Mancha”
ResponderEliminarDulcineia e Rocinante
Sancho Pança bem nutrido
Entram assim de rompante
Neste filme bem concebido
E o Miguel de Cervantes
Que pr’aqui não é chamado
Carrega bem nos semblantes
Deste guião alucinado
Os moínhos sem ter culpa
Foram mortos à paulada
Nesta brilhante encenação
E não serve de desculpa
Já não servirem p’ra nada
De la Mancha teve intenção.
MANOBRAS DE "DIVERSÃO"
EliminarI
Foi o "da triste figura"
Quem, nas velas dos moinhos,
Viu os monstros da tortura
Na lonjura dos caminhos
E no auge da loucura
- os loucos não são mesquinhos -
Lançou-se numa aventura
E "matou-os"...coitadinhos...
Mas porque hoje é estimulada
Idêntica distorção
Decerto concatenada
Pela ausência de visão,
Só não cai nessa charada
Quem estiver são. Muito são.
II
É preciso ver gigantes
Onde os haja, realmente,
Ou volta-se ao que era dantes,
Pois todo o gigante mente;
São poderosos farsantes
Os que lançam a semente
Das ilusões delirantes
E do medo omnipresente
Em mil manobras constantes
Para iludir toda a gente
E conseguem, por instantes,
Confundir-nos plenamente,
Porque nos são semelhantes
Os gigantes do presente...
Maria João
Cá vai, Poeta! Vi-me na necessidade de recorrer a um segundo sonetilho, para tentar explicar-me um pouco melhor. Tem muito, mas mesmo muito que se lhe diga, esta alegoria de Cervantes que continua muitíssimo actual...
Abraço grande!