PÉS DE BARRO
Dar-vos-ia o que tenho, nada tendo;
O intenso travo a sal do mar que sou,
A fonte de onde o verso me brotou,
As mãos com que costuro e me remendo,
A dúvida, a certeza e quanto entendo
De uns dotes com que a vida me dotou,
A beleza que tive e já murchou,
A musicalidade a que me prendo,
A rosa, o espinho, a força, o estro, a chama
E tudo, tudo aquilo a que me agarro
Pr`a manter-me de pé, fugindo à cama...
Poeta sobre humanos "pés-de-barro",
- que mil vezes prefiro a ´mãos com lama`.. -
Eu dar-vos-ia o céu... por um cigarro!
Maria João Brito de Sousa - 20.01.2017 - 16.11h
“Convexo”
ResponderEliminarPalavra dita redita
Palavra sem côr
Palavra maldita
Palavra de amor
Palavra sem fome
Palavra sem nexo
Palavra não come!
Assento circunflexo
Assento sem mim
Assento complexo
Assento sem fim
Assento desconexo
Assento é assim
E o prato é convexo.
Em três dimensões,
EliminarSe grafada em duas,
Tem repercussões;
Salta para as ruas
Grita às multidões,
Cria sóis e luas
Sob (a)dimensões
Quase sempre cruas...
Gosta dos assentos,
Dos hífens e pontos
Que são condimentos
Quando contam contos,
Mas sofrem tormentos
Nas mãos de alguns tontos.
Maria João
Bom dia, Poeta! Aqui vai, com o abraço de sempre, o que me ocorreu em versos de cinco sílabas métricas.
“Demais”
ResponderEliminarSe nada tens p’ra fazer
Descansa lá um bocado
Pois estou aqui a prever
Que tens tudo terminado
Tudo o que a seguir vier
Será apenas um retrocesso
Mas se nada te convier
Ficará tudo em processo
Nada e tudo ou tudo e nada
Constituem partes iguais
Num processo desigual
Desta vida desequilibrada
Onde nada é sempre demais
Se tudo representa afinal.
Prof Eta
Há mil coisas por fazer
EliminarE nenhum "nada" é opção
Para quem saiba escrever
Utilizando a razão
Pr`a quem tão mal esteja a ver,
Não há outra solução
Senão esperar, sem saber,
Se vai ver melhor... ou não.
Eu não escrevo "às três pancadas"
E as rimas desafinadas
Nada, nada me seduzem,
Por isso as tenho abrandadas,
De alguma forma algemadas
Como as mãos que as não produzem...
Maria João
Cá vai, com o abraço de sempre, Poeta!