TALVEZ...

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(Soneto Petrarquiano)





Talvez um dia - eu posso lá saber... -,


No culminar do ser, que é toda a morte,


Um verso suavemente me conforte


E a morte, em vez de dor, me dê prazer...





Talvez, talvez, talvez... ouso dizer,


Apesar de saber ser certa a sorte


De me perder da bússola e do Norte,


Talvez nem dê por ela, se a escrever





E, deixando por cá quanto me importe,


Pouco importe, depois, quando vier


E seja a morte apenas um transporte,





Ou seja quanto eu dela pretender


Quando, cansada de mostrar-me forte,


Puder ficar cansada de viver...








Maria João Brito de Sousa - 12.01.2017 - 12.05h


 


 


Imagem - "Nu, feminino" , Manuel Ribeiro de Pavia








 


 

Comentários

  1. Rosa Silva ("Azoriana")16 de janeiro de 2017 às 17:12

    Que é feito de ti, "Mary do Soneto"?
    Me quedo longe mas penso em ti,
    Se bem que a viagem até aqui
    Se fez melhor que qualquer um terceto.

    Voltar ao tempo que do ser prometo
    Dar-te os parabéns pelo que assisti
    Belo o leme da palavra que li
    Que vejo rosa e jamais será preto.

    "Maria sem camisa" original,
    Do berço que se fez Portugal,
    Merece estima e boa amizade.

    É o nosso barco (a velha sebenta)
    Que nos conforta e sempre aguenta
    O leme forte da felicidade.

    Beijos
    Rosa Silva ("Azoriana")

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    Respostas
    1. Estou cá ainda, Rosa dos Açores;
      Sirvo ao soneto, como sempre quis,
      Pois trabalhando sou bem mais feliz,
      Apesar das canseiras e das dores...

      Se vou falar d` amor, de desamores,
      De encanto e de harmonia, ou de actos vis,
      Nem eu to sei dizer, que é por um triz
      Que os versos me despontam, como as flores...

      "Maria sem Camisa", ainda o sou,
      Mas é já longo o tempo que passou
      Sobre o primeiro dia em que teclei

      E, agora que mais velha e gasta estou,
      Pouco sobra de mim... pouco sobrou
      Da que por mim passou, quando eu passei...


      Maria João

      Viva, Azoriana!!! Pesam-nos bem mais, os anos, quando trazemos connosco patologias auto-imunes...o que vale é que eu nunca fui muito de ligar aos espelhos. A propósito de anos, não sei se é hoje, ou se foi anteontem que o meu blog fez nove anos... terei de ir verificar, depois de te responder. Mas são muitos.E de produção poética constante. Lembro-me bem de que o teu blog ainda é mais "crescidinho" do que o meu

      Um grande beijinho Rosa Silva!!!

      Aqui há tempos -meses, talvez... -fiz-te uma visita, mas não devias estar em casa.

      Eliminar
  2. Rosa Silva ("Azoriana")16 de janeiro de 2017 às 20:15

    Feliz coincidência de eu aqui vir precisamente em tempo do nono aniversário do teu blog. Parabéns! O meu está a caminho dos 13 em abril p.f. Bjs

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sabes o que eu acho, Azor? Acho que, ou foi mesmo coincidência, ou tu tens muito melhor memória do que eu, para estas coisas, rsrsrs... eu nunca me lembro das datas, tenho uma memória extremamente selectiva , uma daquelas memórias que se foram desenvolvendo sempre em função do que é útil ao próximo, enquanto leitor, e ao próximo poema. Cada vez mais vejo os blogs - os meus, pelo menos... - como livros. Bidimensionais, mas livros, tal qual como os de papel...

      O teu "livro" está enorme! Deve ter milhares de páginas!!! Outro beijinho!

      Eliminar

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