A MORTE DO(S) (DES)ENCANTADOS

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Quando a revolta já não faz sentido,


Esgotada a chama de uma rebeldia,


Tudo parecerá estar diluído


Numa existência já sem serventia


 


Em que o verso parece ter perdido


O estro, a força e mesmo a valentia,


Que antes sentira haver-lhe permitido


Fazer sentido, enquanto o garantia.


 


Chega a derrota e crê-se, então, vencido


Por causa de uma simples avaria...


Assim se adia o verso, o não-nascido


 


Que, noutras circunstâncias, nasceria


Por algum tempo ainda. É bem sabido


Que cedo morre o Poeta, se não cria.


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - 24.02.2017 - 11.02h


 


 


NOTA - O título deste soneto nasce do título daquele que, caso tivesse chegado a ser editado, seria o último livro do poeta António de Sousa, meu avô.


 

Comentários

  1. “Caminho da alma”

    Se seguires a tua alma
    Ela vai saber o caminho
    Escolhe pedras com calma
    Dá os passos devagarinho

    Escuta o teu coração
    Dir-te-á quais escolher
    Se da lava do vulcão
    Se outra pedra qualquer

    Utiliza-as com a mestria
    Que a razão te sussurrar
    No processo de construção

    Da torre da sabedoria
    Para a paz resguardar
    E oferecer como solução.

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    Respostas
    1. À alma, não sei segui-la
      Onde o meu corpo não chegue...
      Nunca a estrofe se burila
      Se o olhar já não consegue

      Vê-la inteira, toda em fila,
      Nem há nada, em mim, que o negue
      Quando, ao tentar persegui-la,
      Falho, por mais que me entregue...

      Há muita dificuldade
      Em "ver" corpo e alma unidos,
      Mas que essa é que é a verdade,

      Vão-me gritando os sentidos
      Donde me nasce a vontade,
      Apesar dos desmentidos.


      Maria João

      Aqui vai, Poeta, o sentido da minha alma, que é perfeitamente indissociável dos sentidos do meu corpo. Gosto da maioria da poesia de Pessoa, mas não sou uma sua fiel seguidora. Nem pouco mais ou menos. Também não morro de amores por citações, mas a verdade é que partilho com ele esta ideia da poesia "sensível", profundamente ligada aos sentidos, à "fisicalidade", embora não necessariamente sexualizada, mesmo que tenha de, aparentemente, contrariar S. Freud. (O homem, porque... ao meu gato, nunca o contrariarei.)

      Abraço grande.


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