GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XLI

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UM POUCO DE PRIMAVERA


 


Naquela verde relva do jardim


Há salpicos de vida já brotando


Com a brancura fresca do cetim


São mesa posta a pássaros em bando


 


Que saltitam por ela em frenesim


Ora ali voando ora debicando


Num bailado de voos sem ter fim


E em alegres chilreios vão rimando


 


Versos em que prometem Primavera


Em abraços voados pla atmosfera


Que nas manhãs de sol pintam no espaço


 


E expressam melodia tão fremente


Com destreza singela e inocente


Mudando a cada instante seu compasso


 


MEA


21/02/2017


 


********************


 


MÁTRIA


 


 


"Naquela relva verde do jardim",


Expressando a vida em cor, rejubilantes,


Há vidas que parecem não ter fim,


Que renascem tão vivas quanto dantes,


 


"Que saltitam por ela em frenesim"


Contrariando os mais recalcitrantes,


Pois Vida, ao renascer, renasce assim,


Em ciclos pré-datados e constantes...


 


"Versos em que prometem Primavera",


Toda a Vida os compõe, vindos da espera


Que precede as razões de cada dia


 


"E expressam melodia tão fremente",


Que nada, nem ninguém, nega ou desmente


Que seja, a Vida, a mãe dessa harmonia!


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - 23.02.2017 - 09.40h


 

Comentários

  1. Respostas
    1. Obrigada, Fashion.
      O meu ritmo está "piano, pianíssimo". Um sonetito de vez em quando, nada tem a ver com a verdadeira "sinfonia" dos meses anteriores, mas... as circunstâncias estão muito longe de serem as ideais...

      Eliminar
    2. Pena porque adoro os seus poemas. A saúde não ajuda? beijinhos e festinhas

      Eliminar
    3. Nada, Fashion. Esta progressiva diminuição da acuidade visual não está a ajudar mesmo nada...


      Mais um beijinho e uma festinha para o Lírio.

      Eliminar
    4. Acho que tem um dom enorme, gosto muito,muito da sua poesia. beijinhos e mais festinhas

      Eliminar
  2. “Verdade e razão”

    Se tu vês e eu não sinto
    Não me assiste a realidade
    Mas também não desminto
    A cada um a sua verdade

    Se tu sentes e eu não vejo
    Deixo p’ra ti essa emoção
    Não interponho o desejo
    A cada um a sua razão

    A razão e a verdade
    Tão distribuídas que estão
    Cada qual possui a sua

    Confirmada a veracidade
    Quando afirmo ter razão
    Pois é a minha e não tua.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É verdade, o que aqui expôs
      Quanto àquilo em que alguém crê,
      Mas há sempre algo de atroz
      Que é sentido e se não vê,

      Que não está expresso na voz
      E ninguém sabe o que é,
      Porque ultrapassa, veloz,
      Toda a razão, toda a fé...

      Estando tão diminuída,
      Estou, talvez, mais vulnerável
      Às "rasteiras" desta vida,

      Mas tento ser razoável;
      Mais frágil, mas decidida,
      Assumo esse indecifrável...

      Maria João

      Cá vai, Poeta, com o abraço de todos os dias.

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  3. MINHA PRIMAVERA

    Tempo doce da vida, primavera!
    Nas tuas belas flores falo o amor
    Que a minha amada sente e venera,
    Dando-me beijo e tendo uma flor.

    Meu olhar se vaga pelo teu jardim
    Em busca da camélia sonhada,
    Cujo odor é sentido só por mim
    Quando te beijo assim já acanhada.

    Que amor primaveril é esse nosso!
    Eu, sinto-me o jardim, e tu, a flor,
    Ambos a vagar pela natureza.

    Mas, torno-me bem rico e sei que posso
    Dizer-te: te amo, te adoro, amor,
    Meu universo prenhe de beleza!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É mais suave e fecunda, a Primavera
      E, conquanto promessa, é já cumprida;
      Porque se encurta a noite a cada espera
      Da luz dessoutra esfera que dá vida

      Neste ocidental chão, tudo se esmera
      Nessa renovação sempre incontida
      Que brinda esta metade duma esfera
      Onde se cumpre a vida conhecida,

      Mas quanta estrela-irmã não brilhará
      Nesse universo em plena gestação,
      Quanta outra vida não se engendrará

      Pr`além desta terrena dimensão?
      Tudo o que nasce, um dia acabará,
      Tal qual as primaveras que lá vão..

      Maria João

      Bom dia, poeta amigo Adílio Belmonte.

      Fico-lhe muito grata pela partilha de mais este belo soneto a que tentei "responder", apesar de me encontrar em plena "fase de pousio" e muito diminuída em termos de acuidade visual.

      Envio o meu sempre fraterno abraço.

      Eliminar

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