SILÈNCIO(S)

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Neste silêncio triste embalo os mortos


Entre asas fracas, flácidas, pendentes,


E sobre este regaço, os mesmos hortos


De onde ervas emanavam, persistentes,





Cobrem-se já de caules secos, tortos,


Negros, mirrados, quase transparentes,


Quais longos mastros nos distantes portos


Da rota imaginária dos ausentes...





É outra, no entanto, a minha rota,


E se hoje reavivo a estranha frota,


Razões bem fortes tenho pr`a fazê-lo,





Pois muito se assemelha ao que descrevo


A angústia de não ter para o que devo,


Embora eu mude o esboço a cada apelo.








Maria João Brito de Sousa - 06.02.2017 - 13.23h


 

Comentários

  1. Belo e triste
    e vindo de quem resiste
    tem força suficiente
    para seguir em frente

    na rota a que teu verso aponta

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    1. Obrigada, Rogério.

      Foi um soneto que se arrastou pelas horas... estou em "fase de pousio" e pressupus que não escreveria tão cedo, mas acabei por não conseguir calar este, muito fiel ao momento e muito pessoal, também, o que não é novidade, embora não seja muito comum, em mim...

      Abraço.

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  2. “Horizontes”

    Projecto além do horizonte
    Apenas realidades perfeitas
    As que vislumbro defronte
    Assemelham-se-me suspeitas

    Suspeitas porque não gosto
    Ou as deturpam ferozmente
    Sem a máscara até aposto
    Seriam perfeitas p’rá gente

    Mas se a perfeição não existe
    Teremos que nos contentar
    Com uma busca incessante

    Perto anda quem não desiste
    De o caminho encontrar
    E a cada queda se levante.

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    1. Circunstâncias

      Das circunstâncias depende,
      Pois, sem olhos, ninguém vê,
      Nem ninguém da treva ascende
      Sem energia EDP.

      Estando em tempo de pousio,
      É normal nada escrever
      Mas chegam-me, ao arrepio,
      Mil razões pr`a não poder;

      Tal qual como a muitos chega
      Cedo, a hora de morrer;
      Eu, sem olhos fico cega,

      E, sem luz, não posso ler,
      Porque a barca não navega
      Se o rio parar de correr...

      Maria João

      Pedindo desculpa pela má qualidade deste sonetilho-resposta, ainda assim me decido a deixar-lho aqui, enquanto vou podendo.
      Abraço grande, Poeta.





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  3. “Fusão”

    Enquanto humanidade
    Nossa mente é a fusão
    Nossa mente é a fissão
    Donde brota diversidade

    A cada um sua verdade
    Nessa universal reacção
    Nuclear por definição
    Transforma a realidade

    Com as mega toneladas
    Dessa explosão nuclear
    As mentes inanimadas

    Entre o partir e o ficar
    Visivelmente perturbadas
    Presentem-se vaporizar.

    Prof Eta

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    1. (Con)fusão nuclear

      Fusão na diversidade;
      Mais dispersa que fundida
      Anda a nossa humanidade
      Na grande roda da vida

      Onde cada liberdade
      É conquistada ou perdida,
      Sobrando a variedade
      Que está sempre garantida...

      Quando em plena guerra fria
      Nasci, nos anos cinquenta,
      Já "a coisa" se temia,

      Já, "rebenta ou não rebenta?",
      Já em tensão se vivia
      E já vão mais de sessenta...

      Maria João


      Bom dia, Poeta. Cá vai, arrancado à minha memória e à minha "fase de pousio criativo", o sonetilho que me ocorreu. Abraço grande.

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  4. “Esboços possíveis”

    Deixá-los todos pensar
    Como se fossem universo
    E assim possa brotar
    O pensamento diverso

    De mentes em oposição
    Ao impossível decretado
    P’los defensores da situação
    Com um discurso forjado

    Cujo sound byte se repete
    Sob a batuta compassada
    Dos arautos de serviço

    Mas que ninguém interprete
    A possibilidade esboçada
    Neste impossível esquiço.

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    1. Declaração de Pontual Impotência
      (em redondilha menor)

      Como disse um dia
      E repito agora,
      Estou "cega" e vazia
      Por dentro e por fora;

      Assim, ninguém cria,
      Quase ninguém chora
      Sobre a melodia
      Que se foi embora

      Porque as importâncias,
      Face às circunstâncias,
      Nisto redundaram;

      Sem "ingredientes",
      Murcham-me, doentes,
      Versos que (en)cantaram.

      Maria João

      Bom dia, Poeta! Cá vai, em redondilha menor, o sonetilho possível e um forte abraço.

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  5. Cara amiga é bom vê-la produtiva e inspirada, pois o poeta vive para sempre na vida de todos aqueles a quem emociona.


    SILÊNCIO DO AMOR

    Silêncio que atormenta e me consome.
    Em tua solidão busco os meus sonhos
    Nas jornadas das obras sem teu nome,
    Nos meus pesadelos bem medonhos.

    Sigo os meus caminhos de amor,
    Sempre e sempre buscando o teu perdão
    A fim de aliviar toda essa dor
    Que me leva rumo à devassidão.

    Na vasta trilha busco a natureza,
    Quando os raios do sol já tanto brilham
    E iluminam o triste peito só.

    Vem-me o conforto desde a tua beleza
    E os teus sedosos lábios partilham
    Dessa nostalgia pura e sem dó.

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    Respostas
    1. Grata pelo envio do seu soneto "Silêncio do Amor", amigo Adílio Belmonte.

      Como sempre foi comum a todos os poetas junto dos quais cresci, também eu estou a atravessar um dos meus períodos "de pousio", poeta amigo.

      Fraterno abraço.

      Maria João

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  6. Amiga, em meu SILÊNCIO DE AMOR deixei de indentficar-me., mas o faço agora.

    Um grande abraço, saúde e paz!

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  7. “Outras cartas”

    A verdade é pessoal
    E de todo intransmissível
    A outros adequa-se mal
    Chega a ser inverosímil

    Nunca foi universal
    Pois seria impossível
    Ataque desproporcional
    Fê-la descer ao risível

    Aí nasce a pós-verdade
    Desta era pós-verdadeira
    Para ocultar os valores

    Das cartas da humanidade
    Que nunca se quis inteira
    P'ra se rebaixar aos favores.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Enquanto espécie, é criança,
      Esta nossa humanidade
      Qu`inda não ganhou temp`rança
      Nalguns milénios de idade

      E vai crendo que há bonança,
      Só depois da tempestade...
      Mas caminha, cresce, avança,
      Dentro dessa identidade

      Mesmo sem saber se alcança,
      Um dia, a maturidade
      De dispensar a matança,

      De acreditar que a vaidade,
      Trazendo, a alguns, a abastança,
      Traz maior desigualdade...

      Maria João

      Cá vão, Poeta, o meu incipiente sonetilho-resposta e um abraço grande.


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  8. “Exclamações”

    A mente deve voar
    Grilhetas fiquem no chão
    Não se deixe condicionar
    Aos espectros da razão

    Pois a razão tem razões
    Que ela própria desconhece
    Quando assim é chavões
    Ficai com quem os merece

    Nesta mente renovada
    Ou em busca da renovação
    Cabe tudo e não cabe nada

    Dependendo da exclamação
    Fica a mente extasiada
    Por recurso à interrogação.

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    Respostas
    1. APOLOGIA DA RACIONALIDADE

      Não gostasse eu da Razão
      E das asas que nos dá,
      Tudo seria ilusão
      E eu seria burra, ou má.

      Não quero essa "amputação"
      E, à Razão, quero-a por cá!
      Bem me basta a frustração
      De outras coisas que não há...

      Onde só reine Emoção,
      A Alienação reinará
      E até a própria Paixão,

      Aos poucos se perderá
      Perdida na confusão
      Que essa alienação trará.

      Maria João

      Bom dia, Poeta! Sou uma grande apologista da racionalidade, que está muito, mas mesmo muito longe de impor grilhetas seja a quem for. Pelo contrário, quebra as grilhetas da alienação, esse sim, desequilibrada, "desequilibrante", altamente contagiosa e perniciosa. Aqui vai com o abraço grande de sempre.

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