SONETO A UM VERSO "EM BRUTO"

pistola fumegante.jpg


 


SONETO A UM VERSO "EM BRUTO"





Gosto-te, ó verso brusco, asselvajado,


Na força em que, apressado, mal respiras


E fumegas no cano, enquanto as miras


Nem foram necessárias. Disparado,





Saído num rompante, alvoroçado,


Sem que pedisses contas, nem às liras


Que quase sempre escutas quando admiras


Requintes de outro irmão mais demorado...





Que esta "embalagem" não te fica bem?


Quem to ousa dizer? Afinal, quem


Te poderia impor tempos dif`rentes?





E sorrindo, apesar de não ter dentes,


Sei que engendrar-te, não me tornou mãe,


Mas em quem te entendeu como ninguém...








Maria João Brito de Sousa - 31.01.2017 - 11.05h


 


 


NOTA - Por favor, não se assustem com a imagem que é meramente ilustrativa da metáfora do disparo...





 

Comentários

  1. “Percepções”

    Da percepção à realidade
    Insiste o ruído em bailar
    Ofuscando toda a verdade
    Tentando apenas baralhar

    De tudo esquece a metade
    Sobre a outra vai dormitar
    Acorda depois com vontade
    De dois terços não lembrar

    Sobre o terço restante
    Derradeiro teste aplicar
    Atira ao oceano profundo

    Observa então o horizonte
    Se ainda vires algo a boiar
    Esquece tudo num segundo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Nem sempre o percepcionado
      Se percepciona igualmente;
      Ora o vemos de um só lado,
      Ora de forma abrangente,

      Que é sempre condicionado
      Pela nossa própria mente
      E à perspectiva "ajeitado",
      Conforme os olhos da gente

      Podendo ser variado
      O que se "viu" realmente
      E é diverso, o resultado

      Muitas vezes aparente,
      Do que se viu "desfocado"
      Por estar desfocada, a lente...

      Maria João

      Bom dia, Poeta! Aqui vai, com o abraço de sempre, enquanto me preparo para mais uma consulta e uns exames.


      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

NAS TUAS MÃOS

MULHER

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas