Quis falar do Mondego e, na verdade, É desta foz do Tejo que vos falo, E cresce cá por dentro a voz que calo Pr`a conter as saudades sem saudade. Solta-se o sonho oblíquo à claridade E a linha de horizonte é um cavalo Que não sei se lá está, se imaginá-lo É mera ilusão de óptica, ou vontade, Pois galopa um poente à beira Tejo Rumo a estranhas lonjuras que nem vejo Por estarem tão além do meu futuro Que, do que vi, me sobra o claro espanto De um cavalo-solar que aqui levanto Rasgando, a ferro e fogo, um céu já escuro. Maria João Brito de Sousa – 01.11.2011 – 16.00h
(Soneto em decassílabo heróico) Meu espanto, como bicho degolado, É este quase-nada, este destroço, Que embora reduzido a pele e osso Faz frente a quem o tenha encurralado, É este não temer ser confrontado Com força natural, fera ou colosso, Que nega a frustração do “já não posso!” E muda, à dura sorte, o resultado. Meu espanto mora em mim, comigo vive, Mas pode exacerbar-se onde eu nem estive Se as asas dum poema o transportarem, Porque traz quanta força eu jamais tive Se enfrenta humilhação que o esgote ou prive Da voz que os sonhos meus lhe não negarem. Maria João Brito de Sousa – 30.10.2013 – 15,16h Imagem retirada da página do Partido Comunista Português
Pronto. Já passou muito tempo e muitas pessoas me têm perguntado como vai o mealheiro para a compra do célebre Portátil 2008. Algumas dessas pessoas nem sequer são bloggers, mas têm acesso à net e gostam de ler o poetaporkedeusker. Aqui vai a última actualização: 310 euros. Um dos elementos do COPROP (Comissão Pró Portátil) encontra-se, neste momento, de férias, mas mal ele regresse sugerirei que se comece a pensar na devolução dos donativos aos Mecenas que contribuíram para a causa do Soneto na Blogosfera. A todos os que já contribuíram, a todos os que pensam ainda contribuir e a todos os que não contribuíram porque os tempos estão mesmo muito díficeis, eu deixo o meu abraço de agradecimento. Um abraço de cometa também para todos os elementos do COPROP que têm sido incansáveis e para a equipe do Sapo que pôs em destaque o Café com Natas quando esse blog lançou um apelo em prol desta causa. Durante mais alguns dias a conta manter-se-á disponível. Espero não ser fuzilada pelos ...
Chá reinventado.
ResponderEliminarMorfeu tem estado particularmente cioso de mim, hoje, mas ainda vou ver esse Chá Reinventado, Poeta.
EliminarServem os amigos
ResponderEliminarpara demonstrações de amizade
assim
como eu agora mesmo vi
Obrigada pelas tuas palavras, Rogério.
EliminarEsta amiga, Lourdes Mourinho, já me formatou, em vídeo, vários sonetos, tem sido incansável.
Forte abraço.
Fico contente por saber que gostou, Fashion!
ResponderEliminar“Asfaltados”
ResponderEliminarSó a opulência grassa
Neste mundo em ruínas
Miséria não o trespassa,
Quanto distam as esquinas?
A esquina da moralidade
Ruiu sem darmos por nada…
Sobre estilhaços de bondade
Crueldade fez-se estrada
Assim cruzamos o mundo
Com o espírito esventrado
E um coração de asfalto
Onde o amor jaz moribundo
O humano é posto de lado
E o que luz fala mais alto.
Prof Eta
Grassa sem graça nenhuma,
EliminarA predatória opulência,
Transformando em treva e bruma
Toda e qualquer transparência;
Julga-se a potência suma
E ressuma de impotência
Quando, ao ser desfeita em espuma,
Tenta ir mantendo a aparência...
Também tem um coração,
Mas... perdida a direcção,
Tudo esmaga quando passa
E exerce uma tal pressão
Que a cada palmo de chão
Enche de pura desgraça...
Maria João
Aqui vai, Poeta, com o abraço grande de todos os dias.