GLOSANDO VASCO DE CASTRO LIMA

José Malhoa.jpg


 





COLHEITA





Surge o coro dos pássaros cantores


na catedral pagã da mataria.


O milho ruivo e os pomos tentadores


cobrem a terra pródiga e sadia.





É o tempo da colheita. Os segadores


remoçam, cantam, choram de alegria.


Como prêmio ao suor dos lavradores,


não vai faltar o pão de cada dia.





Garças esbeltas, de alva formosura,


passeiam pelo campo aquela alvura


que põe, no verde, branquidões bizarras.





E o coqueiro se curva, satisfeito,


porque ainda vibra, dentro do seu peito,


o zunido estridente das cigarras...





Vasco de Castro Lima





In osecularsoneto.blogspot.pt








COLHEITAS,,,








"Surge o coro dos pássaros cantores"


E eu páro de cantar, que é já cumprida


A função de aliar-me aos produtores


Das mais belas colheitas desta vida.





"O tempo é de colheita. Os segadores"


Empunham, com mão forte e decidida,


As foices e, esquecendo algumas dores,


Empenham corpo e alma na corrida.





"Garças esbeltas de alva formosura"


Vão-nos sobrevoando a grande altura,


Um mesmo sol dourado os abençoa





"E o coqueiro se curva, satisfeito,"


Completando um cenário tão perfeito


Que nos lembra uma tela de Malhoa...








Maria João Brito de Sousa - 30.03.2017 - 12.39h


 

Comentários

  1. Respostas
    1. Obrigada, Fashion.

      Por cá, as infecções urinárias continuam a ser uma constante da vida, tal como o sonho o era, para Gedeão... vou já até aí.

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  2. “Conto d’encantar”

    Nas estrelas há loucura
    No vento há ansiedade
    No oceano magia pura
    Na terra há sobriedade

    Ao longe o dragão alado
    Cospe um fogo sem fim
    Em seu canto aninhado
    Não o façam tão ruim

    Na sua torre a donzela
    Desespera p’la salvação,
    Não a façam tão bela

    Senhora de sua feição!
    Eis que surge à janela
    Seu amado, o dragão.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. CONTO INTERPRETADO

      De nós, só de nós, humanos
      - doutros animais, também... -
      Nascem esses (des)enganos
      D`ânsia e paixão, ou desdém,

      Estão connosco há tantos anos
      Como aqueles que a gente tem,
      Que em tudo nos projectamos,
      Conforme mais nos convém...

      Se a donzela envelheceu
      Ao longo da narrativa,
      Ou se o dragão, que era o seu,

      Sempre a quis manter cativa,
      É porque alguém - que não eu! -
      Quer que a Fantasia viva...

      Maria João

      Bom dia, Poeta!
      Cá vai, com o abraço de sempre, a minha interpretação do seu CONTO D´ENCANTAR.
      Continuo menos bem, mas prossigo a nova antibioterapia e, muito embora com algum receio de que os valores do INR "disparem", espero sair viva das garras do "dragão" mais ameaçador, neste momento; a minha milionésima(?) infecção urinária por bactéria oportunista.




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