SEXTA, DIA 24...

Edvard Munch.jpg


 


É dia vinte e quatro, sexta-feira


De um mês que segue a esteira, mas tropeça,


Pois sempre recomeça na carteira


E, nesta sexta-feira, não começa...





Promessa que é promessa, sem rasteira,


Será de outra maneira que se apressa,


Assim que reconheça a sua asneira,


A ser mais verdadeira, pois confessa;





- Depressa, bem depressa, à dianteira,


Sairei da fronteira da promessa


Que nunca mais se apressa a dar-se inteira...





Talvez, segunda-feira, até te peça


Que o teu corpo se esqueça da canseira


Pra meter na carteira o que lhe interessa...








Maria João Brito de Sousa - 25.03.2017 -09.37h





("Brincando" com as angústias bem reais dos atrasos do RSI, em decassílabo heróico e rima cruzada...)


 


 

Comentários

  1. “Viagem improvável”

    Estou aqui mas ausente
    Numa viagem improvável
    O futuro fez-se presente
    Com resultado imponderável

    Encaro o passado de frente
    Sentido como inalienável
    Pedra angula consistente
    Duma construção memorável

    Prosseguindo esta viagem
    Por um caminho repleto
    De esquinas indefinidas

    Donde resulta a miragem
    Deste percurso incompleto
    Com experiências intuídas.

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    Respostas
    1. OUTRA VIAGEM ASSUSTADORA

      Poeta, vou-lhe contar
      Da paragem digestiva
      Que julguei poder parar
      Minha condição de viva;

      Ontem, ao ir-me deitar,
      Vi-me, de pronto, cativa
      De uma dor de aos céus bradar,
      Estomacal, cruel, activa...

      Atum com arroz cozido
      E em dose minimalista,
      Bastou pr`a que tenha havido

      Esta congestão sinistra
      De alívio apenas sentido
      Quando estava o sol à vista...

      Maria João

      Bom dia,Poeta. Desculpe-me esta narrativa poética tão terra-a-terra, mas , para além do sofrimento, foi uma situação tão assustadora que não consigo deixar de pensar no que senti durante esta noite e madrugada. Não sei como aconteceu porque jantei muito pouco e bastante cedo, mas o que é certo é que tive mesmo uma paragem de digestão e, se nunca teve nenhuma, dê-se por muito feliz. É uma experiência atroz,que não desejoa a ninguém.
      Abraço grande.

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